Arábia Saudita: a maior economia do médio oriente
Com apenas 84 anos de existência enquanto reino independente, a Arábia Saudita é hoje um dos actores de maior peso político e económico no Médio Oriente. Depois de séculos de reduzida relevância estratégica, a região que hoje identificamos com a Arábia Saudita conheceu o seu grande ponto de viragem na década de trinta com a descoberta de petróleo, que viria a transformar radicalmente o país.
Foi preciso fazer um longo caminho – desde logo no plano da unificação de território – até que a Arábia Saudita se conseguisse afirmar como potência hegemónica na Península Arábica tal como hoje a conhecemos.
Neste caminho, um marco central foi o Islão. Para além do seu significado religioso, o surgimento do Islão é acima de tudo um marco histórico e identificador nesta região e que muito influenciou a génese do país – pela mão da casa de Saud – a sua evolução e actual posicionamento regional. Acolhendo no seu território uma minoria xiita, a Arábia Saudita figura como país eminentemente sunita. De sublinhar ainda será o peso da população expatriada no país, cerca de 30% num total de 27,8 milhões de pessoas.
A Arábia Saudita de hoje é um país rico, moderno, desenvolvido, tecnologicamente avançado e em claro crescimento. Isso nota-se não apenas olhando o país em si, mas, e acima de tudo, quando se percebe o interesse crescente que desperta aos olhos dos investidores internacionais.
Tratando-se de um mercado do Médio Oriente, deverá ser sempre tida alguma cautela na análise de perspectivas e risco de investimento. Assim é face à precariedade do equilíbrio regional – aqui o pano de fundo será sempre a correlação política de forças entre as duas grandes potências regionais, a Arábia Saudita e o Irão; e à facilidade de uma escalada de tensões, que podem começar por ser religiosas e rapidamente resvalarem para o campo político – principalmente quando estão em causa regimes nos quais não há uma separação entre poder político e poder religioso – e que ao ritmo em que os mercados hoje em dia respondem, podem provocar grandes flutuações nos preços de matérias muito caras às economias do século XXI (petróleo e outras commodities), nos mercados financeiros etc. Tudo isto num contexto em que se joga um vasto conjunto de interesses regionais e internacionais.
Trata-se, por isso, de um país com dinâmicas internas e externas – de natureza política, securitária, estratégica, religiosa – que, na sua expressão prática e interacção, podem afectar o ambiente de negócios do país, a sua estabilidade, evolução, os seus graus de risco e de abertura ao exterior, etc. Ou seja, todo um conjunto de variáveis que têm o seu peso em decisões de investimento ou desinvestimento.
Ainda assim, a Arábia Saudita tem vivido, à excepção dos acontecimentos de 1979, uma enorme estabilidade interna nas últimas décadas, percorrendo uma trajectória orientada para uma modernização e afirmação do país cada vez mais maior. O país é membro do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo Pérsico, da Organização da Conferência Islâmica, membro do G20 e membro fundamental da OPEP.

