EAU - Riscos e Oportunidades

Embora tradicionalmente conservadores, os EAU são um dos países mais liberais, com uma das economias mais livres e com as mais abertas políticas de comércio internacional de toda a região do Golfo - factores que lhe conferem claras vantagens face a muitos dos seus vizinhos mais próximos.

Fruto desta maior abertura e dotado das mais desenvolvidas, modernas e eficazes estruturas logísticas, de transporte e comunicações, o país funciona, no quadro da região em que se insere, como hub comercial, logístico e financeiro por excelência e porta privilegiada de acesso a toda a região do Golfo, do Médio Oriente e até mesmo à região MENA.

Uma forte estabilidade macroeconómica, motivo de confiança para os investidores internacionais, e um excepcional ambiente de negócios - marcado, entre outros factores, pelo controlo dos níveis de inflação, baixas taxas de desemprego, elevada qualidade das suas infra-estruturas e uma das mais baixas cargas fiscais em todo o mundo - são outros dos trunfos que este mercado apresenta.

Ainda que pequeno territorialmente e com uma população pouco expressiva quando comparado com outros países da região, os EAU não deixam por isso de ser um mercado atractivo. A sua população está em crescimento - principalmente população estrangeira atraída pelas oportunidades do mercado de trabalho, de negócio e investimento - assim como o seu poder de compra (um dos mais elevados pib per/capita do mundo) e o nível de consumo. A procura doméstica tem vindo a aumentar e grande parte é satisfeita por via das importações (principalmente no sector agro-alimentar) abrindo portas a múltiplas oportunidades de negócio. Mas importa notar que este é um consumidor com elevado poder aquisitivo e que tendencialmente opta por bens de qualidade, da gama premium ou de luxo. É por isso necessário garantir a qualidade do produto e o seu carácter distintivo, tanto mais tratando-se de um mercado maduro, exigente e altamente competitivo, onde é necessário ser agressivo, persistente, e ter uma estratégia empresarial de médio e longo prazo, quer em termos de tempo de permanência no mercado, quer em termos do valor do investimento.

Havendo capacidade de resposta a estas exigências, haverá particulares oportunidades para as empresas portuguesas em sectores como o dos vinhos e azeite, alimentação e retalho, produtos alimentares e têxteis. O tratamento de águas e a saúde são outras áreas com potencial de projecção das nossas empresas, no último caso tanto na vertente do ensino e formação profissional, como na gestão hospitalar.

Retirando lições do passado e aprendendo com o exemplo de outras economias, os EAU têm vindo a implementar planos estratégicos de desenvolvimento assentes na redução do peso do sector dos hidrocarbonetos na economia e na diversificação da sua estrutura produtiva. A agricultura, a indústria transformadora, as energias renováveis, o turismo e os serviços financeiros são, neste contexto, sectores que apresentam grande potencial de crescimento e onde, apesar dos sucessos alcançados, ainda há lacunas a colmatar e que podem ser aproveitadas por empresas estrangeiras.

O sector não-petrolífero já representa cerca de 70% do PIB. Mas sendo objectivo do governo subir aquele valor para perto dos 80% até 2021, isso significa há um longo caminho a percorrer, pelo que se espera que o país continue a apostar na melhoria do ambiente de negócios, tentando atrair mais investimento estrangeiro e desenvolvendo o sector privado. Este é um processo que não está fechado e que se traduz na existência de nichos de oportunidade passíveis de serem explorados.

Afastando-se paulatinamente do petróleo, esta é cada vez mais uma economia orientada pelo conhecimento, inovação e desenvolvimento tecnológico. Neste quadro, têm sido feitos grandes investimentos em infra-estruturas que ajudem a atrair empresas estrangeiras que operem em sectores de elevado conteúdo tecnológico. Ora, existem muitas empresas portuguesas com capacidade de resposta às necessidades do país em matéria de TIC, telecomunicações e no digital. Não é, aliás, por acaso, que empresas com forte incorporação de capital tecnológico e científico têm conhecido especial sucesso neste mercado. A aeronáutica e a biotecnologia são outros sectores com potencial a ser analisado.

Ainda na mesma linha de redução da dependência dos hidrocarbonetos, os EAU têm apostado na construção de um país ecologicamente responsável e cidades sustentáveis energeticamente, abrindo um leque de oportunidades a empresas que apresentem soluções inovadoras nestas áreas.

Existem ainda oportunidades em sectores como a construção e o imobiliário, principalmente num país que continua a construir cidades e cada vez mais atracções turísticas com as necessárias estruturas de suporte. O Emirado de Abu Dhabi apresenta, neste aspecto, especiais oportunidades de negócio, em virtude do plano Abu Dhabi 2030, no qual se prevê a construção de “cidades do futuro”, com áreas residenciais, business centres, parques industriais, hotéis, campos de golf, parques temáticos, museus, infra-estruturas desportivas entre muitos outros projectos. Em todos haverá também oportunidades no sector dos materiais de construção, decoração e design de interiores bem como em sectores conexos: mobiliário, iluminação etc.

Já o Dubai continua a atrair fluxos crescentes de investimento estrangeiro à medida que se prepara para receber a Expo Dubai 2020, injectando mais recursos e investimento em obras de infra-estruturas e melhoria do seu sistema de transportes, aqui encontrando-se também oportunidades de negócio que não devem escapar às empresas portuguesas.

Apesar da sua atractividade, este não é um mercado isento de riscos. A par dos associados às exigências do próprio mercado, ressaltam riscos de natureza política, maioritariamente decorrentes do enquadramento regional do país. Ainda assim, os EAU têm conseguido gerir as suas relações com os países mais próximos com bastante sucesso, ajudando a afirmar-se como ponto de estabilidade num região historicamente muito conturbada. Ainda que mitigado, o risco político deve ser monitorado para uma decisão consciente de investimento e internacionalização.

 

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