Senegal - Riscos e Oportunidades

Apesar do quadro de estabilidade política, do bom desempenho económico e dos indicadores que sustentam expectativas de evolução bastante positivas, o país têm ainda alguns problemas importantes pela frente.

O desemprego é um dos desafios a ultrapassar. Embora não estejam disponíveis estatísticas actuais devidamente validadas, a taxa de desemprego tem sido referida como próxima dos 20%. Em grande parte na sequência dos fluxos migratórios das zonas do interior para os grandes centros urbanos, sobretudo para Dakar, o desemprego e o subemprego aumentaram consideravelmente. Esta mesma dinâmica levou ao desenvolvimento de uma economia paralela - urbana, não formal, suportada principalmente por mulheres e pelas camadas mais jovens da população - que urge ultrapassar, de modo a continuar a potenciar o crescimento económico que vem sendo registado, conferindo-lhe ainda mais sustentabilidade. Factor central para um investimento a médio-longo prazo.

Por outro lado, esta crescente migração urbana continua a aumentar as desigualdades entre as áreas rurais e o resto do país, assim como as disparidades socio-económicas entre diferentes grupos populacionais, o que constituiu sempre um potencial factor de risco. A redução da pobreza e a melhoria das condições de vida das populações têm por isso sido uma das apostas das sucessivas estratégias de desenvolvimento do país.

Não obstante o investimento que vem sendo feito na melhoria das infra-estruturas, permanecem deficiências e obstáculos a ultrapassar, sobretudo tratando-se de infra-estruturas energéticas. As falhas no fornecimento de energia ainda são uma realidade e não deixam de ter um impacto negativo na economia do país. Acresce, o preço da electricidade que continua a ser um entrave ao aumento da competitividade desta economia.

A questão separatista de Casamansa, que se prolonga desde 1990, apesar de nos anos mais recentes aparentar estar relativamente controlada - sendo avaliada como um conflito de baixa intensidade - não deixa de ser um factor de risco que deve continuar a ser monitorado, principalmente considerando a possível interferência de interesses externos que, consoante as suas agendas próprias, poderão contribuir, ora para um reacender/exacerbar do conflito, ora uma para uma maior conciliação e apaziguamento.

De considerar ainda as fronteiras directas com a Mauritânia e o Mali, países que integram a problemática região do Sahel que, não obstante factores mitigadores de risco que o Senegal apresenta - estabilidade política, uma forte e activa sociedade civil comprometida com a crescente consolidação democrática e com os valores de um Estado de Direito… - não deixa de constituir uma vulnerabilidade ou, pelo menos, um indicador a avaliar na análise de risco político deste mercado.

Apesar de alguns riscos, o Senegal surge simultaneamente como mercado de elevado potencial em termos de retorno de investimento. A par das vulnerabilidades, existe um vasto leque de oportunidades que merecem a atenção de possíveis investidores estrangeiros. Mesmo considerando um ambiente de negócios ainda com alguns constrangimentos, esta é uma economia que atravessa uma fase de grande dinamismo que a coloca nos radares do investimento internacional, principalmente tratando-se dos sectores das tecnologias de informação, da agricultura e do turismo. Neste último caso, o potencial de negócios é particularmente evidente, sendo hoje o país o principal destino turístico da África Ocidental, com tudo o que daqui deriva em termos de necessidades em subsectores associados, nomeadamente hotelaria, restauração, actividades de lazer, infra-estruturas de suporte etc.

Infra-estruturas de comunicação rodoviária - do interior e as de ligação regional – fornecimento e distribuição de água, saneamento, educação e saúde são outras áreas onde as lacunas se multiplicam e que dificilmente serão colmatadas sem investimento estrangeiro.

De sublinhar ainda o sector da manufactura – um dos mais desenvolvidos da África Ocidental -, com destaque para o agro-alimentar (no âmbito do qual o produção de amendoim e óleo de amendoim têm particular relevância), onde também há oportunidades de investimento a explorar, assim como na indústria de conservas ligadas à pesca.

Bastante desenvolvido está também o sector financeiro, não sendo inocente o facto de se encontrar em Dakar a sede do Banco Central dos Estados aderentes à União Monetária da África Ocidental (UEMOA), além de a capital acolher numerosas instituições financeiras de relevo internacional e uma zona franca caracterizada por um regime fiscal bastante favorável, com vista a estimular cada vez mais o desenvolvimento de um vasto conjunto de actividades comerciais e empresariais e atrair um maior fluxo de investimento internacional.

 

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