
São marcantes as diferenças de actuação entre empresas para quem a actividade internacional representa mais de 80% da facturação e outras para as quais esse peso não atinja sequer os 10%.
No 1.º InSight, confrontámo-nos com PME que viam na internacionalização uma das principais alavancas do crescimento da sua actividade.
Contrapondo um tempo de profunda contracção do mercado interno, a internacionalização era o caminho possível para prosseguir um crescimento que é sempre desejado e naturalmente necessário.
Recorde-se algumas das respostas obtidas nesse 1.º inquérito:
- 42% dos inquiridos afirmaram ter-se internacionalizado para crescer em complemento com a actividade no mercado interno;
- 33% afirmaram que a internacionalização teve como propósito crescer num contexto de saturação ou declínio do mercado interno;
- 23% referiram como razão o objectivo de compensar a quebra do volume de negócios no mercado interno.
Nesta 2ª edição, prevalece a visão de que a internacionalização é o principal caminho de crescimento para as PME internacionalizadas (da amostra).


Se o propósito que está na génese do investimento na internacionalização condiciona as estratégias e o mood das PME internacionalizadas e dos seus gestores, há uma outra variável que em muito explica a forma como se gere e potencia a actividade internacional: o peso que a actividade internacional tem no volume de negócios das empresas.
São, obviamente, marcantes as diferenças de actuação entre, por exemplo, empresas para quem a actividade internacional representa mais de 80% da facturação e outras para as quais esse peso não atinja sequer os 10%.
Esta «evidência óbvia» é aqui salientada conquanto, olhando para os resultados do inquérito, é fundamental perceber que a «média da amostra», esconde uma realidade polarizada. A média de respostas é composta por (i) 25% de respondentes de empresas cuja actividade internacional é core na sua actividade global, representando acima de 80% do seu volume de negócios e (ii) cerca de 37% para quem a actividade internacional se situa abaixo dos 30% do seu volume de negócios.
Aprofundando esta análise, constata-se o importante efeito que a maturidade e/ou a antiguidade dos processos de internacionalização têm na performance das PME inquiridas.
De facto, para as empresas mais expostas a mercados estrangeiros, a internacionalização é um processo incremental, de permanente consolidação, em que, como os resultados do 1.º inquérito deixaram claro, ano após ano, se soma novos mercados, se cristaliza a relação com clientes críticos.
Assim se compreende o teor dos gráficos seguintes, em que nos confrontamos com o facto de:
- Para 39% das empresas internacionalizadas há mais de 20 anos a actividade internacional representa mais de 80% do volume de negócios total;
- Em contraponto, para 43% das empresas internacionalizadas há menos de 1 ano a actividade internacional representa menos de 10% do volume de negócios total.

Em linha com a tese proposta de que há uma evidente correlação entre a antiguidade do processo de internacionalização e o número de mercados em que as empresas estão presentes (e entre estas duas variáveis e o contributo da internacionalização para o volume de negócios das PME), podemos destacar os resultados do gráfico infra.
Nele se constata que PME presentes em mais de 5 mercados internacionais revelam uma actividade internacional naturalmente mais expressiva no seu volume de negócios – registe-se que para 41% das empresas presentes entre 10 e 20 mercados o peso da actividade internacional no volume de negócios é superior a 80%.

Em síntese, à medida que o estágio de internacionalização das empresas evolui, o peso desta actividade passa a ser, naturalmente, mais representativo no seu volume de negócios total e, como veremos na próxima edição da newsletter CCIP, garante de resultados positivos.
O estudo InSight foi realizado pela Câmara de Comércio em colaboração com o E-Monitor e conta com o patrocínio da CGD, MDS e Yunit Consulting. O segundo inquérito anual do InSight foi executado entre 24 de Outubro e 25 de Novembro de 2017, tendo sido respondido por 761 empresas, das quais 598 internacionalizadas/exportadoras.
Aceda à versão completa do estudo aqui
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