Emirados Árabes Unidos - Riscos e Oportunidades

País relativamente pequeno em termos de território e população, os Emirados Árabes Unidos (EAU) são, em termos económicos e comerciais, uma das grandes potências do Médio Oriente.

Do ponto de vista comercial, num contexto em que se torna evidente a abertura dos mercados do Médio Oriente ao resto do mundo, que não apenas no sector dos hidrocarbonetos, os EAU tomam a dianteira desta tendência, ocupando o 15º lugar no ranking mundial de exportadores e o 18º lugar no ranking de importadores, demonstrando a sua relevância no comércio internacional. O país apresenta uma das políticas de comércio internacional mais abertas de toda a região.

Do ponto de vista económico, a par de ser a segunda maior economia da região e apresentar das mais baixas cargas fiscais em todo o mundo, a estabilidade macroeconómica é outro dos grandes trunfos do país e motivo de confiança para investidores internacionais. É certo que os cortes da produção petrolífera decididos no âmbito da OPEP - e que estarão em vigor até ao final de 2018 - têm condicionado o crescimento económico que, de outra forma, poderia ser mais expressivo. O fim desses cortes deverá, pois, traduzir-se num maior dinamismo da economia já a partir de 2019, o que animará os investidores, assim como as perspectivas de crescimento sustentado para os anos seguintes.

Esta trajectória de crescimento será beneficiada por alguns acontecimentos internacionais, como a Expo Dubai 2020 - a primeira Exposição Mundial a ser promovida no Médio Oriente. Com o lema “Unindo mentes, criando o futuro”, prevê-se que esta feira internacional receba a visita de 25 milhões de pessoas. Espera-se que um montante significativo de fundos venha a ser investido para reforçar a rede de infra-estruturas do Dubai numa série de projectos de desenvolvimento que poderão igualmente traduzir-se em oportunidades de negócios. Um outro evento importante será o campeonato do mundo de futebol no vizinho Qatar, em 2022, que ajudando ao aumento do turismo na região, não deixará de beneficiar a economia dos Emirados.

As perspectivas de crescimento assentam também num expectável aumento da procura e consumo internos. Este é um país com uma população em claro crescimento, sendo muito significativa a influência do fluxo de trabalhadores estrangeiros: calcula-se que aproximadamente 2/3 da população e cerca de 70% a 85% da força de trabalho sejam expatriados. Se a este factor associarmos uma economia com um dos mais altos Pib per/capita do mundo, teremos um mercado com consumidores de elevado poder de compra e com clara apetência para o consumo de produtos de qualidade, de gama-alta e de luxo.

Igualmente importante é o objectivo estratégico de diversificação da economia. Apesar dos sucessos já alcançados, as autoridades dos Emirados sabem que há ainda um longo caminho a percorrer, pelo que deverão continuar a apostar em medidas conducentes à melhoria do ambiente de negócios, por forma a atrair mais investimento estrangeiro, continuando a desenvolver o sector privado. O turismo e o sector financeiro têm sido alguns dos focos desta diversificação, onde continuam a existir nichos a ser explorados. Mas existem também oportunidades no sector da construção e imobiliário, principalmente num país que continua a construir cidades e um vastíssimo leque de atracções turísticas e respectivas estruturas de suporte. Neste aspecto, existem especiais oportunidades no Emirado de Abu Dhabi, onde o plano Abu Dhabi 2030 prevê a construção de cidades do futuro com zonas residenciais, de escritórios, parques industriais, hotéis, campos de golfe, parques temáticos, museus, infra-estruturas desportivas entre muitos outros projectos. Em todos eles haverá também oportunidades no sector dos materiais de construção, decoração e design de interiores e sectores associados: mobiliário, iluminação etc.

Por outro lado, foram já feitos grandes investimentos em infra-estruturas para atrair empresas estrangeiras que operam em sectores de elevado conteúdo tecnológico (TIC e telecomunicações…) Ainda assim, existe necessidade de acelerar a difusão das tecnologias digitais mais recentes, havendo aqui lacunas passíveis de serem traduzidas em oportunidades de negócio. Este é um mercado com grande apetência por novas soluções tecnológicas, com capacidade de resposta por várias empresas portuguesas. De notar, ainda, que empresas que incorporam capital tecnológico e científico têm tido particular sucesso neste mercado.

Outros sectores com potencial para as empresas portuguesas são o dos vinhos e azeite (produtos em que somos uma referência), alimentação e retalho (onde é fundamental sermos competitivos em termos de preços), produtos agro-alimentares (sector onde a grande maioria dos produtos é importada), têxteis, saúde (quer na área do ensino e formação profissional, quer na gestão hospitalar), tratamento de águas, aeronáutica, biotecnologia, no sector dos veículos autónomos e das energias renováveis, onde o objectivo de criação de cidades sustentáveis energeticamente abre portas a um conjunto de oportunidades para empresas nacionais que operam e muito têm investido nesta área.

Independentemente do sector, mesmo que a marca “Portugal” ainda seja relativamente desconhecida os produtos portugueses deverão falar por si só se quiserem vingar num mercado muito maduro, exigente e altamente competitivo. A par da necessidade de garantir a qualidade do produto, apostando na criação de marcas sólidas, é preciso uma certa dose de agressividade comercial e especial capacidade de persistência. Tanto mais, quanto este é um mercado difícil no curto-prazo, exigindo-se uma visão de médio e longo prazo, quer em termos de tempo de permanência no mercado, como em termos do valor do investimento.

Mas existem outros riscos/dificuldades a considerar, principalmente no plano macro.
Os EAU têm sabido gerir muito bem as suas relações com os vizinhos mais próximos, conseguindo vingar numa região marcada por instabilidade. Ainda assim, o país não deixa de estar inserido num contexto de risco político que, não devendo ser impeditivo de decisões de investimento e exportação, deverá ser sempre considerado. No actual quadro, deverão ser monitoradas as tensões entre os dois grandes actores que competem por supremacia na região - Arábia Saudita e Irão -, as relações com os Estados Unidos da América - que foram sempre objecto de atenção na política externa do país, apesar de nem sempre ter sido fácil manter uma política de equilíbrio entre Washington e os países árabes - a situação na Síria e até mesmo no Iraque.

A estabilidade interna dos Emirados foi também várias vezes posta em causa ao longo dos anos por rivalidades entre as famílias governantes de cada emirado. Mas acontecimentos externos ajudaram a fortalecer a coesão política entre as 7 monarquias. Ainda assim, podem existir algumas vulnerabilidades a este nível que não deixarão de afectar o ambiente de negócio no país.

 

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