Depois de duas décadas de crescimento contínuo, baixas taxas de desemprego, inflação controlada, uma dívida pública baixa, um sistema financeiro estável apoiado por um sólido sistema bancário, a Austrália entra em 2017 não sem enfrentar riscos e um conjunto de constrangimentos ao seu crescimento, em grande parte motivados pelos efeitos ainda sentidos da queda acentuada dos
preços das principais commodities exportadas pelo país: minério de ferro, carvão, petróleo e gás natural, trigo, carne, algodão e lã. Ao longo dos últimos anos a procura asiática por recursos naturais – minerais, agrícolas e energéticos – levou a um aumento das exportações australianas e a um verdadeiro boom de investimento principalmente no sector mineiro. Mas o abrandamento da economia chinesa – da qual a Austrália ainda é bastante dependente, pese embora os esforços de diversificação da sua economia – e da procura por matérias-primas da parte de outros mercados asiáticos constitui um factor de risco.
O envelhecimento da população, a pressão exercida sobre as infra-estruturas, a enorme recorrência de inundações, secas e incêndios florestais, fruto das características geográficas e climatéricas do país que o tornam particularmente vulnerável aos desafios das alterações climáticas, são preocupações de longo-prazo que poderão igualmente ter impacto na economia australiana.
Ainda assim, o posicionamento estratégico do país junto a algumas das economias mais dinâmicas e de maior potencial de crescimento a nível mundial, a sua capacidade de projecção exterior, o grau de abertura da sua economia – com restrições mínimas às importações de bens e serviços – os seus vastos recursos naturais associados à tecnologia e know-how necessários para os desenvolver estrategicamente, a qualidade dos seus recursos humanos, o elevado poder de compra da sua população, detentora do 11º maior PIB per capita do mundo, deverão continuar a animar os investidores internacionais.

