Politicamente estável, o país tem registado uma rota de crescimento económico muito positiva, com taxas médias de crescimento nos 10,16% entre 2000 e 2007. Tendo continuado a crescer mesmo no período mais conturbado da crise mundial, embora a um ritmo inferior, a economia cazaque recuperou brilhantemente nos anos seguintes e chegou mesmo a atingir os 7,5% em 2011. O ritmo de crescimento tem sido mais modesto nos anos mais recentes, calculando-se que tenha encerrado 2015 com um crescimento de 1,5%. Ainda assim, com um PIB estimado em 195 mil milhões de dólares, o Cazaquistão surge como a primeira economia da Ásia Central, representando 60,84% do PIB da região. As perspectivas de crescimento para 2016 são também positivas e deverão acentuar-se ainda mais até 2018.
Entre um conjunto de factores que tem vindo a sustentar este crescimento – o aumento da procura interna, a subida das exportações – os recursos energéticos têm um peso particular sendo hoje uma das grandes mais-valias do país, mesmo no actual contexto de descida de preços no mercado internacional.
O potencial energético do Cazaquistão – ao qual as potências estrangeiras não são alheias – coloca o país em lugares de relevo nos rankings mundiais do petróleo e gás natural. Em 2014 o país foi o 18º maior produtor de petróleo a nível mundial e o 1º da Ásia Central com uma cota de produção de 82,6% no total da região. O país ocupa a 13ª posição no ranking mundial de reservas provadas deste recurso e, mais uma vez, lidera o ranking regional com uma cota de 96% do total das reservas da Ásia Central. Não menos importantes são as reservas de gás natural que colocam o Cazaquistão no 15º lugar do ranking mundial.
Em termos populacionais, o Cazaquistão é o segundo maior país da região, com cerca de 17,3 milhões de habitantes. A sua integração na União Económica Euroasiática, em vigor desde Janeiro de 2015 e que integra a Rússia, a Bielorrússia, a Arménia e o Quirguistão, torna o país uma plataforma de acesso a um mercado de 182 milhões potenciais consumidores.
É objectivo do governo colocar o Cazaquistão na lista mundial dos países desenvolvidos até 2020. Tendo em mente esse objectivo, o país parece apostado numa abertura ao exterior cada vez maior e na atracção de investimento estrangeiro.
Em Janeiro último, à margem da cimeira de Davos, altos representantes cazaques, entre eles o Primeiro-Ministro Karim Masimov, aproveitaram o fórum internacional para reunir com um conjunto de investidores e analistas, dando a conhecer as reformas já em curso e planos ainda a desenvolver e que contam com o apoio do Banco Mundial para transformar o país. Já o Ministro da Finanças, Bakhyut Sultanov, preferiu realçar a necessidade de desenvolvimento do sector privado o que, na sua visão, é o mais importante factor de dinamização da economia assim como o apoio ao empreendedorismo.
As recentes iniciativas da União Europeia no âmbito da sua política para a região parecem demonstrar que o bloco está atento a este novo quadro principalmente tratando-se do país em análise. Na mesma altura em que o Cazaquistão aderiu oficialmente à OMC (Dezembro 2015), a UE assinou com o país um novo acordo de associação que marcará a pauta para as futuras relações económicas (e políticas) entre as partes. São vinte e nove as áreas de cooperação abrangidas pelo acordo das quais destacamos o comércio, o investimento, o desenvolvimento de infraestruturas e o turismo. Nas palavras de Erlan Idrissov, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão, é esperado que o novo acordo “abra novas oportunidades para os fluxos comerciais e de investimento da Europa no Cazaquistão.”
Também o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento assinou um acordo de colaboração em 2014 e desde então os investimentos da instituição no Cazaquistão duplicaram.
Não obstante os esforços encetados para desenvolver e promover o país, subsistem algumas vulnerabilidades e obstáculos a ultrapassar para quem quer investir ou fazer negócios no Cazaquistão. Entre os factores mais problemáticos encontram-se o acesso a financiamento, a existência de alguns problemas ao nível da corrupção, inflação e um regime fiscal ainda restritivo. Existem riscos que não devem ser ignorados que levam a agência portuguesa COSEC a atribuir um nível de risco D na sua tabela classificativa de 2016 (risco de AA a D, representando AA o menor nível de risco e D o maior).
Ainda assim, o ambiente de negócios no país é favorável. O Cazaquistão apresenta hoje um dos mais saudáveis e estáveis sistemas financeiros da região. Trata-se da 2ª economia mais competitiva da Ásia Central (apenas atrás do Azerbaijão), encontrando-se no 42º lugar no ranking do Global Competitiveness Report 2015-2016 do World Economic Forum (num total de 140 economias analisadas), o que representa uma melhoria significativa face ao início da década quando se encontrava na 72ª posição. O país tem alcançado um conjunto de melhorias que justificam uma importante subida de 12 posições no ranking do Doing Business Report para 2016, encontrando-se no 41º lugar. De destacar a subida de 32 posições tratando-se da facilidade de se iniciar um negócio no país.

