Irão: Relações com Portugal e oportunidades de negócio

A par das mudanças registadas a nível interno, a remoção total das sanções poderá igualmente significar novas oportunidades de negócio e investimento. As empresas portuguesas interessadas na continuação da sua internacionalização parecem estar atentas aos desenvolvimentos em curso, quer no plano político, quer no plano económico. O aumento do número de empresas portuguesas exportadoras para o Irão, de 58 em 2013 para 89 em 2014, é disto um claro reflexo.

Depois de um declínio das nossas exportações com destino ao mercado iraniano – particularmente acentuado em 2011 e 2012 (de 35,1 para 13,2 milhões de euros respectivamente) – as empresas portuguesas parecem animadas com o potencial desta abertura do Irão ao exterior. Assim se explica o aumento do valor das nossas exportações em 195,9% de Janeiro a Novembro de 2015, por comparação com período homólogo de 2014 (de 6,4 milhões para 18,8 milhões de euros respectivamente). Na mesma linha de pensamento deve ser entendida a subida de posição do Irão no ranking de clientes de Portugal do 109 (quota de 0,01%) para o 79º lugar (0,04%) no mesmo período de análise.

A par da tradicional exportação de combustíveis minerais, metais comuns, produtos agrícolas, veículos e outros materiais de transporte, os sectores mais promissores para futura exploração parecem ser o das pastas celulósicas, papel, plásticos e borracha.

As expectativas quanto ao sucesso do acordo nuclear e quanto à opção estratégica de uma certa abertura do Irão ao exterior são altas, levando o Irão a surgir lentamente no radar das empresas e investidores internacionais. O mercado iraniano apresenta inúmeras oportunidades em vários sectores desde a construção, petroquímica, turismo, telecomunicações, fabrico de papéis, planeamento e urbanização, centros comerciais, hotelaria, banca, maquinaria e ferramentas, equipamento de transporte, produtos químicos, novas tecnologias, energias renováveis, bens alimentares, produtos farmacêuticos e hospitalares, entre outros.

Apesar deste clima de optimismo, deverá manter-se alguma cautela. O jogo político interno e os resultados que gerará no futuro próximo são uma incógnita que poderá influenciar o desenvolvimento do acordo alcançado. Para os próximos 18 meses estão marcados três actos eleitorais. Já para Fevereiro, eleições parlamentares e a eleição de uma nova Assembleia de Peritos que irá escolher o próximo líder supremo, cargo actualmente desempenhado pelo aiatola Ali Khamenei, e para 2017 eleições presidenciais. A tensão entre republicanos e defensores do teocracismo, pelo menos uma parte destes, é visível em Teerão e poderá sofrer uma escalada à medida em que as eleições se aproximam.

Acresce que qualquer avaliação ou prospectiva que se faça sobre o Irão e as suas relações com o exterior deverá ter sempre em consideração todo o enquadramento regional, obstáculos de natureza securitária e riscos geopolíticos. O actual clima de tensão entre o Irão e a Arábia Saudita comprova que assim é.

Face ao potencial de negócios e às oportunidades que oferece para as empresas portuguesas, a Câmara de Comércio vai organizar, no próximo dia 23 de Fevereiro, o seminário Exportar & Investir: Irão, estando prevista a organização de uma missão empresarial a este país a decorrer no primeiro semestre.

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.