Comércio Internacional: Os Resultados de 2014

O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou recentemente os números relativos ao Comércio Internacional português em 2014, confirmando-se uma desaceleração do ritmo de crescimento das exportações e um aumento das importações, tendência que já se vinha notando ao longo do ano.

Assim, as contas referentes ao quarto trimestre do ano passado são muito positivas, com as exportações de bens a crescerem 4,6% e as importações a aumentarem também 2,0% face ao período homólogo. Estes resultados levaram a que o défice da balança comercial diminuísse 246,3 milhões de euros, tendo a taxa de cobertura crescido 2 pontos percentuais, para 82,8%.

As contas, contudo, não foram tão positivas quando falamos do conjunto do ano de 2014, tendo-se verificado um crescimento a um ritmo consideravelmente inferior ao que tinha acontecido em 2013. De facto, as exportações de bens durante os doze meses aumentaram apenas 1,9% (contra o crescimento de 4,5% em 2013), tendo as importações de bens crescido 3,2% (contra o aumento de 0,9% em 2013). A taxa de cobertura desceu também, situando-se nos 82% (contra 83,1% em 2013).

Embora estejamos perante um crescimento das exportações nacionais, a verdade é que a travagem no ritmo de crescimento é significativa. Vemos, assim, que no ano passado o défice da balança comercial sofreu um aumento de 925,8 milhões de euros em comparação com o ano anterior, ficando nos 10 565,3 milhões de euros.

Os resultados das exportações durante o primeiro semestre do ano mostram uma desaceleração significativa das exportações, o que se ficou a dever em grande parte à paragem da refinaria da Galp em Sines, não tendo sido suficientes os bons resultados dos outros sectores ao longo do ano para equilibrar os resultados. Ainda assim, a tendência continua a ser de crescimento, deixando portanto uma boa perspectiva para o corrente ano.

Analisando-se o crescimento do comércio dentro e fora da União Europeia, surgem também números interessantes. De facto, as exportações intra-UE crescem no conjunto do ano 2,8% (3,5% em 2013) e as importações 7,1% (1,7% em 2013). Se deixarmos de fora os combustíveis e lubrificantes, temos um aumento das exportações de 4,1% e um crescimento de 6,7% nas importações.

Os números relativos às exportações extra-UE traduziram-se numa diminuição de 0,1% (contra um aumento de 7,1% em 2013), tendo que as importações registado uma diminuição de 6,7% (em 2013, a diminuição tinha-se ficado pelos 0,8%). Excluindo combustíveis e lubrificantes, houve um crescimento de 4,9% nas exportações, tendo as importações aumentado 2,0%.

Importa salientar o impacto nítido do sector dos combustíveis e lubrificantes nestes resultados.

Este crescimento continuado das exportações parece ser uma tendência para o futuro, pelo que será interessante analisar quais foram os produtos que tiveram um melhor desempenho no último trimestre do ano. Assim, vemos que, do lado das exportações, os sectores que mais cresceram foram o dos produtos alimentares e bebidas (10,1%), o dos bens de consumo (5,7%) e o das máquinas e outros bens de capital (5,4%). Já o importante sector dos combustíveis e lubrificantes, em grande parte devido às razões anteriormente apontadas, regista uma diminuição de 1,3% nas exportações.

Os sectores que tiveram uma maior subida em matéria de importações foram o do material de transporte e acessórios (15,2%) e dos bens de consumo (7,3%). A maior descida foi nos combustíveis e lubrificantes (5,6%).

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