Brasil

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Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal. 

     

O Brasil tem uma extensão territorial de 8,5 milhões de km², o que faz dele o maior país da América Latina e a maior potência económica e de recursos naturais de toda a região. Faz limite com quase todos os países sul-americanos, o que lhe confere um papel incontornável na estabilidade e integração regional. Os mais de 7.500 quilómetros de costa e a vasta zona económica exclusiva atlântica contêm inúmeras reservas petrolíferas e rotas de navegação vitais. No Atlântico Sul, actua como elemento dissuasor e de segurança marítima na fachada atlântica, ligando a América do Sul ao continente africano

O país está dividido oficialmente em cinco grandes macro-regiões. A região Sudeste, que engloba os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, é o centro financeiro, industrial e tecnológico do país, concentrando-se aí cerca de metade do PIB nacional. Logo abaixo, a região Sul destaca-se pelos seus altos índices de desenvolvimento humano e por uma economia fortemente industrializada nos sectores metalomecânico e agro-alimentar. O Centro-Oeste funciona como o motor do agro-negócio para exportação, liderando a produção mundial de grãos, ( nomeadamente soja e milho) e também da pecuária. Na região Nordeste encontra-se o principal pólo da transição energética do país, impulsionado por grandes investimentos em energia eólica e solar. Por fim, a região Norte, dominada pela Bacia Amazónica, destaca-se pela mineração em larga escala e pela presença do Pólo Industrial de Manaus com o seu regime de zona franca, que abriga actualmente cerca de 600 indústrias

 

Foi em 22 de Abril de 1500 que a armada de Pedro Álvares Cabral chegou a Porto Seguro, na Bahia e, de acordo com o fixado no Tratado de Tordesilhas, incorporou o sueste das Américas nos domínios da Coroa portuguesa, sendo rei D. Manuel I.

Pouco mais de três décadas depois, em 1534, já no reinado de D. João III, para a colonização do subcontinente, a que fora dado o nome de Brasil, foi adoptado um sistema de inspiração feudal de capitanias e donatarias hereditárias, com o fim de promover a evangelização e a exploração económica dos novos territórios sem grandes encargos para o Reino.

A decisão veio no contexto da rivalidade com os franceses, e D. João III criou de início 14 capitanias, doadas a fidalgos de pequena nobreza. O sistema fora já usado nas ilhas atlânticas da Madeira e de Cabo Verde. Era um sistema misto, inspirado nas instituições feudais, coexistindo com um governo-geral do Estado do Brasil ou Brasil, instituído em 1548 e que era o decisor último, em caso de dúvidas ou conflitos.

Esse governo-geral foi radicado em S. Salvador da Bahia, até às reformas centralizadas do marquês de Pombal, que o transferiu para o Rio de Janeiro.
Depois das primeiras explorações da madeira, do Pau-Brasil, iniciou-se a plantação da cana-de-açúcar. A necessidade de uma força de trabalho para as “plantações” ou “engenhos” levou à importação de mão-de-obra escrava, da África Ocidental. O tráfico negreiro duraria até meados do século XIX.
No século XVII, já expulsos os franceses, o Brasil foi disputado aos portugueses, entretanto caídos sob tutela de Madrid em 1580, pelos holandeses. Estes, através da Companhia das Índias Ocidentais, introduziram, com Maurício de Nassau, uma presença muito forte na área da Bahia e do Nordeste, que só foi possível dominar depois da Restauração de 1640, tarefa em que foram decisivos os proprietários dos engenhos da região de Pernambuco, em 1645. A guerra e as vitórias como a dos Monte dos Guararapes em 1649, levaram à retirada dos holandeses, oficializada em 1654.

Nos finais do século XVII, numa zona correspondente actualmente aos Estados de Minas Gerais, Goiás e Matogrosso, deu-se a descoberta do ouro, no que é hoje o município de Taubaté, no interior de São Paulo. Foi aí que os bandeirantes encontraram, em 1693, as primeiras minas de ouro. Consta que o primeiro descobridor foi um tal António Rodrigues de Arzão, à frente de uma “bandeira”.

A descoberta desencadeou uma “corrida ao ouro” - a primeira dos tempos modernos - nos seguintes 60 anos, isto é, até à chegada ao poder em Lisboa de Pombal. O ouro trouxe, como é natural, um afluxo de aventureiros desde Portugal até ao Nordeste do Brasil, com conflitos como a Guerra das Emboabas, entre os paulistas, os pesquisadores iniciais e os luso-nordestinos.

A somar á descoberta do ouro apareceram em 1729, no rio Jequitinhonha os primeiros diamantes. A Coroa portuguesa logo tratou de regular a extracção que, com o ouro, alimentou a economia da colónia no século XVIII.

Mas a grande revolução no continente sul-americano viria no início do século XIX, com os movimentos políticos na Europa a partir da Revolução Francesa e do cesarismo napoleónico, que despertaram os separatismos na América espanhola. A fim de não ficar refém dos invasores franceses, que entraram em Portugal no Outono de 1807, o príncipe-regente D. João mudou-se, com toda a Corte para o Brasil.
A fixação da Corte - e de alguns milhares de portugueses que com ela foram - revolucionou a colónia. A expedição apontou primeiro a S. Salvador da Bahia, mas depois fixou-se no Rio de Janeiro. A partir daí, abriram-se os portos do império português ao comércio de todas as nações, o que foi aproveitado, em primeiro lugar, pela Inglaterra.

Com a chegada do Regente e da Corte, a colónia passava, discretamente, de colónia para cabeça do Reino. E a cidade do Rio, ao tempo com 60 mil habitantes, refez-se e adaptou-se para acomodar as elites recém-chegadas. E o Regente mostrou-se de fácil acesso aos súbditos, criando também uma estrutura político-administrativa nova e lançando as bases culturais e políticas do Brasil futuro.

Em 16 de Dezembro de 1815, já depois da derrota de Napoleão na Europa, foi criado o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves; e, em 20 de Março de 1816, morreu D. Maria I, passando D. João de príncipe-regente a rei.

Entretanto em Portugal, acabadas e vencidas as invasões francesas, eram agora os aliados ingleses a abusar do poder com o general Beresford, o que levou à revolução liberal de 1820, iniciada no Porto. E as constituintes e as cortes liberais além de pretenderem devolver o Brasil à situação colonial exigiram o regresso de D. João VI que regressou e jurou a constituição de 1822. D. Pedro, o primogénito, casou com uma princesa da Casa de Áustria, D. Leopoldina. Ficou no Brasil e em 7 de Stetembro de 1822 declarou a independência do império do Brasil.

Ao contrário das independências da América espanhola, ao cabo de longas e duras guerras com Madrid, a Independência do Brasil foi um arranjo dinástico, de família e conveniência, (ficando um Bragança, pai e filho, de um lado e de outro). D. Pedro I do Brasil viria para Portugal, a fim de fazer a guerra civil a favor dos direitos de sua filha D. Maria, usurpados pelo seu irmão, o Infante D. Miguel, que em 1828 se faria aclamar rei absoluto.
A guerra duraria até 1834, e terminaria com a vitória liberal: o vitorioso D. Pedro (IV de Portugal, I do Brasil) morreria, sendo sucedido pelos seus filhos D. Pedro II, no Brasil e D. Maria II em Portugal.

O império, sob D. Pedro II de Bragança, conseguiu manter a unidade territorial anterior à independência, o que não aconteceu em regra nos territórios da coroa espanhola. Isto, vencendo movimentos separatistas e saindo vitorioso em vários conflitos com os vizinhos argentinos, paraguaios e outros, que várias vezes também apoiaram movimentos secessionistas no Brasil.

Uma “questão quente” era a da escravatura, já que as culturas do algodão e do café, mobilizavam largos recursos humanos. Finalmente, nos finais da monarquia, a regente Princesa Isabel, aboliu a escravatura sem pagar indemnizações aos proprietários cafeeiros. Estes, indignados, promoveram a implantação da República, através de um pronunciamento militar.

De resto não houve mais atritos, mas a República foi proclamada sem grande resistência, como represália dos militares, instigados pelos cafeeiros, indignados pela abolição da escravatura sem compensação e indemnização pelos escravos libertos.
No século XX, a história do Brasil aproximou-se da História política de outras nações de continente americano, com as suas lutas sociais, os seus radicalismos à esquerda e à direita, em oscilação com a normalidade demoliberal e períodos de autoritarismo e ditadura. Teve movimentos como o “tenentismo” em 1922, o Estado Novo autoritário de Getúlio Vargas em 1937, o retorno da democracia em 1945.
Nos anos 1960, a radicalização à esquerda provocou o movimento militar de 1964 a que se seguiram vinte anos de governos militares, até à Nova República em 1985.

Desde aí o poder oscilou, em democracia, entre esquerdas e direitas, com o panorama político, manifestando momentos de radicalização, sobretudo nos últimos mandatos presidenciais, em que os populismos à esquerda e à direita, entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro, têm vindo a marcar o combate político.
Em Outubro próximo haverá uma eleição presidencial, a ser disputada entre políticos opostos - o incumbente, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, que continua preso.

 

Portugal e o Brasil têm uma relação que sempre misturou laços históricos e culturais com pragmatismo económico. Para Portugal, o Brasil representa um centro político e económico, benéfico na ligação entre a Europa e a América do Sul. Para o Brasil, Portugal representa a oportunidade de elevar o seu patamar de competitividade, a diversificação das suas exportações e a atracção de uma nova cadeia de valor. Portugal foca-se no potencial do mercado brasileiro para expandir a sua economia, enquanto o Brasil encontra em Portugal a sua plataforma de entrada na Europa. Esta nova cooperação é sustentada pelo tratado UE-Mercosul e ultrapassa o comércio tradicional, apostando na redução de custos, no avanço tecnológico e na relevância geopolítica.

O Brasil forneceu quase 44% do total de petróleo bruto importado por Portugal no primeiro semestre de 2026. As trocas entre empresas portuguesas e estados brasileiros específicos, como Minas Gerais, atingiram máximos de dez anos no segundo trimestre deste ano. As exportações-chave de Portugal mantêm o foco tradicional em agroalimentares (azeite e vinho), produtos da pesca (bacalhau) e componentes aeronáuticos. O comércio bilateral beneficia do enquadramento estratégico e dos acordos de cooperação monitorizados pela AICEP.

 

Em 2026, o cenário de negócios no Brasil para as empresas portuguesas é moldado por marcos regulatórios decisivos, com um ambiente de negócios mais previsível graças ao arranque da fase de implementação da reforma tributária brasileira de 2026. São também importantes os avanços na integração económica global e uma forte aposta do Brasil em inovação tecnológica. A consolidação prática do acordo comercial EU-Mercosul redefiniu o espaço transatlântico, transformando a relação bilateral num eixo altamente estratégico.

Este ano, os programas internacionais de apoio focados na transição energética e na sustentabilidade deram um grande impulso aos sectores ligados a projectos de energia solar, eólica e hidrogénio verde, a par das grandes concessões públicas na área do saneamento básico e da gestão de águas. No campo tecnológico, o Brasil tem uma enorme receptividade a soluções inovadoras, destacando-se os segmentos das fintechs, edtechs e agrotech, este último focado em aumentar a produtividade do agronegócio através da biotecnologia e da Internet das Coisas (rede de objetos físicos equipados com sensores, software e tecnologias para conectar e trocar dados com dispositivos e sistemas através da Internet, permitindo que comuniquem entre si e tomem decisões automáticas sem intervenção humana directa). Adicionalmente, o sector das infraestruturas oferece oportunidades contínuas em leilões públicos para a concessão de transportes e parcerias público-privadas, enquanto os bens de consumo, como os vinhos e azeites portugueses de qualidade premium, e o sector da hotelaria continuam a registar uma procura sólida.

 

Nome oficial: República Federativa do Brasil

Área: 8 510 417,771 km²
Capital: Brasília
Idioma: Português
População: 213.710.611 (Agosto 2026- Worldometer)
Religião: Catolicismo:56.75%; Evangélicos:26.85%; Sem religião:9.28%  Espiritismo:1.84;  Religiões afro-brasileiras: 1.05%;  Outras:4.01 (censo 2022)
Governo: República Federal presidencialista;
Moeda: Real (BRL)
Index of Economic Freedom Heritage: 52.4; 134ª posição no Index de 2026 (descida  de 2.7 pontos desde 2025) ; 28a em 32 países da Região Américas (subida de 1 posição).Classificação: Mostly Unfree

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

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