Austrália

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Austrália

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal. 

     

A Austrália é um dos maiores países da Terra, o único país do mundo que abrange um continente inteiro. É rica em recursos naturais, com muito solo fértil, mas mais de um terço do território é deserto. É também um dos países com maior diversidade étnica do mundo. Quase um quarto dos residentes são naturais do Reino Unido, Europa, China, Vietname, Norte de África e Médio Oriente.

Em 7.º lugar no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano de 2026, a Austrália mantém a sua posição no escalão de "Desenvolvimento Humano Muito Elevado", que reflecte o alto desempenho do país em métricas fundamentais, como a esperança de vida (84,6 anos), o acesso excecional à educação e o sólido rendimento nacional bruto per capita.

É um país tecnologicamente avançado e industrializado, multicultural e próspero, graças sobretudo a um ambiente político estável de baixo risco e a instituições fortes que se adaptaram às mudanças globais, permitindo que o país se tenha transformado numa verdadeira potência geoeconómica na sua região.

A Austrália equilibra a sua diplomacia através de uma estratégia de "dupla cobertura" (double hedging): apoia-se nos Estados Unidos para a segurança nacional (a parceria com Washington continua a ser o pilar da segurança nacional e da modernização da defesa australiana), ao mesmo tempo que mantém a China como o seu maior parceiro económico, promovendo a estabilidade e o diálogo comercial (depois de um período de fortes tensões e tarifas punitivas, os dois países normalizaram as suas relações económicas e estabilizaram o comércio).

A Austrália tem avançado decididamente na integração militar com os EUA e o Reino Unido no âmbito do pacto AUKUS e desempenha um importante papel de contenção no Pacífico: para evitar o avanço da influência militar e policial chinesa na sua vizinhança, a Austrália tem assinado e fortalecido vários tratados de defesa mútua com nações insulares, como Papua Nova Guiné, Fiji e Vanuatu.

 

Embora a descoberta da Austrália seja atribuída ao capitão inglês James Cook em 1770, é possível que outros navegadores e viajantes já lá tivessem aportado antes, ao longo dos séculos XVII e XVIII. E segundo algumas fontes foi mesmo um português, Cristóvão de Mendonça, capitão de Ormuz, o primeiro europeu a lá chegar no século XVI. No século XVII, exploradores holandeses, entre eles Abel Tasman e William Janszoon, mapearam parte das costas da ilha-continente; e nos primeiros anos desse mesmo século, Luís Vaz de Torres, ao serviço da Coroa espanhola, teria navegado ao largo e avistado a Austrália.

Willem Janszoon foi de certeza o primeiro europeu a desembarcar em Queensland, nos princípios de 1606. Mas foi James Cook (1728-1779) que, a bordo do Endeavor, visitou a Austrália e as Hawai e fez a circum-navegação das ilhas da Nova Zelândia.

Cook serviu na Royal Navy durante a Guerra dos Sete Anos e fez depois três grandes viagens de exploração no Pacífico, tendo morrido num recontro com os indígenas das ilhas de Hawai.

A Coroa britânica, como outros governos europeus, recorria às possessões de Além-Mar para enviar condenados a penas de prisão, dada a dificuldade de os guardar no Reino Unido, onde as cadeias estavam superlotadas. Muitos iam para a América do Norte, mas a partir da independência americana, em 1776, isso acabou.

A recém-ocupada Austrália surgiu assim como terra de escolha e, em 1778, uma esquadra inglesa de 11 navios, com condenados a bordo, chegou a Sidney; nos anos seguintes, outras colónias penais foram criadas, em Van Diemen's Land (Tasmânia) e em Queensland.

Estes degredados não eram grandes criminosos; a maioria deles, 80%, eram ladrões; os crimes mais graves, homicídio e violação, eram punidos com pena de morte, que aliás se estendia a 222 tipos de crime no final do século XVIII, e por isso poucos eram passíveis de transporte a grande distância.
Houve também casos de “crimes políticos” e aproximadamente uma sétima parte dos homiziados eram mulheres, a maioria acusada de pequenos roubos. Com a Revolução Industrial e uma humanização dos códigos e da opinião entre julgadores e membros do júri, deixaram de se aplicar penas de morte e as prisões ficariam saturadas, mais uma razão de envio para as colónias.

Muitas dezenas de milhares de condenados na Inglaterra e Irlanda tinham sido deportados para a América do Norte. Com a independência americana, as dependências do Pacífico, máxime a Austrália, apareceram como alternativa. Foi o caso da New South Wales, e depois da cidade de Sidney. O tratamento dos detidos era brutal e o governador Sir Richard Bourke, procurou humanizá-lo, reduzindo os castigos corporais e o número de condenados entregue a cada proprietário agrícola.

A partir do fim das guerras napoleónicas intensificou-se o número de colonos livres. E em 1868 acabou o envio de condenados para a Austrália. Até porque a colonização estava a dar-se por outros modos, já que, a partir de 1851, com as “corridas ao ouro”, os trabalhadores e emigrantes livres tinham começado a chegar em quantidade ao novo continente. Assim, em 20 anos, entre 1851 e 1871, a população passou de 430 mil para 1,7 milhões de habitantes, vindos na sua maioria das ilhas britânicas, mas também do continente europeu e dos Estados Unidos da América.
Quanto à população indígena, os chamados Aborígenes, o facto de terem vivido isolados durantes muitos milhares de anos, tornava-os extremamente vulneráveis ao contacto com os colonos e degredados, morrendo em grandes quantidades por doenças de sarampo, gripe, febre tifoide, tuberculose. Mas houve também choques e confrontos na ocupação.

A 1 de Janeiro de 1901, as seis colónias independentes do território juntaram-se oficialmente para criar a Commonwealth of Australia, um Domínio do Império Britânico em autogoverno. Isto significava que o Domínio passava a autogovernar-se em matérias domésticas, mas Londres mantinha o controlo das relações externas e questões de Defesa e militares. Deste modo, a Austrália participou e teve baixas muito elevadas na Grande Guerra de 1914-1918. Foi também atingida economicamente pela Grande Crise de 1929, com a retração da procura dos seus produtos mineiros, bem como do trigo e da lã, o que provocou carestias e crises sociais entre os mineiros do carvão e do ferro. Mas não aconteceu uma radicalização como na Europa e os partidos centristas mantiveram a hegemonia, embora um novo partido, o United Australia Party (UAP), antecessor do Partido Liberal, surgisse em 1931 e governasse algum tempo em coligação com o Australian Country Party. E foi o líder do UAP, Robert Menzies, que chefiou o governo australiano no início da II Guerra Mundial e em 1939, sendo a figura política dominante do país até 1966.

A política australiana, a partir de 1941 e da entrada do Japão na guerra, foi dominada pela aliança com os Estados Unidos e a resistência aos Japoneses. O líder do país neste tempo de guerra foi o líder do Australian Labor Party, John Curtin. Mas a seguir à guerra, e durante um longo termo, Menzies governou em coligação.

As últimas décadas foram protagonizadas pelos dois partidos – Partido Trabalhista no centro-esquerda, e Partido Liberal no centro-direita – em coligação com o Partido Nacional.

Presentemente, toda a política australiana, bem como toda a política do Pacífico, está condicionada pela ascensão da China na última década; e, dentro da China, pelo alargamento do poder do partido comunista chinês; e dentro do poder do partido, pela ascensão de Xi Jinping no partido.
Isto levou a Austrália a aproximar-se dos Estados Unidos e de outros países da região, incluindo todos os que temem a hegemonia chinesa.

Nas eleições de 21 de Maio de 2022, a coligação Nacional-Liberal do então primeiro-ministro Scott Morrison somou 53 lugares, perdendo para o Partido Trabalhista de Anthony Albanese, que conquistou 77 lugares, mais um que a maioria absoluta na Câmara baixa.

A hegemonia dos trabalhistas manteve-se, com números mais fortes, na eleição de 3 de Maio de 2025, passando a sua maioria de 77 deputados para 94, enquanto a coligação nacional-liberal descia para 43. Ou seja, o Labor ganhou 17 lugares, a coligação centro-direita perdeu 15.

Em termos de “grande política” ou geopolítica, a Austrália tem procurado articular a sua estratégica com outros poderes regionais, como os Estados Unidos, a Índia e o Japão, equacionando as suas políticas ao quadro principal que é o da rivalidade sino-americana, que condiciona toda a política da região Indo-Pacífico. Como poder médio-alto, a Austrália tem adoptado uma política de realismo prudente, entre a aliança militar com os Estados Unidos e as relações económicas com a China, destino principal das suas exportações. É mais um caso clássico de contraposição e base de equilíbrio entre interesses económicos e alinhamento ideológico

 

As relações comerciais entre Portugal e a Austrália entraram numa nova fase neste ano de 2026, impulsionadas pelo Acordo de Comércio Livre concluído entre a União Europeia e a Austrália em Março passado. Este acordo elimina mais de 99% dos direitos aduaneiros sobre as exportações europeias. A suspensão de taxas alfandegárias serve de alavanca para Portugal, cujas exportações para o mercado australiano já atingiam os 214 milhões de dólares.

A balança comercial entre Portugal e a Austrália é claramente favorável a Portugal, registando um superavit. Portugal exporta anualmente cerca de 214,79 milhões de dólares (€198 milhões de Euros) para o mercado australiano, enquanto as importações rondam os 32,08 milhões de dólares (29 milhões de Euros), destacando-se o comércio de máquinas, agroalimentar e minerais.

 

Além de, pela proximidade geográfica com a Ásia, continuar a ser um país estratégico para as empresas que visam alcançar os mercados asiáticos, a Austrália é considerada, em 2026, um dos destinos mais dinâmicos para a expansão de negócios a nível mundial e também para as empresas portuguesas, que poderão beneficiar da alta escassez de mão de obra no país, duma economia impulsionada por investimentos governamentais e de um acordo de comércio que beneficia as empresas europeias.

As oportunidades concentram-se sobretudo em tecnologias de nicho, serviços essenciais, sector de cuidados e economia verde.

O sector que lidera as tendências de rentabilidade é o dos Cuidados e Saúde. O rápido envelhecimento da população provoca o aumento exponencial da procura por serviços de Aged Care - clínicas de saúde, fisioterapia, psicologia, nutrição, etc.

Paralelamente, há um cenário muito favorável para serviços especializados, com forte procura tanto em áreas práticas — como eletricistas e canalizadores — quanto no segmento B2B (Business to Business), com destaque para a contabilidade virtual e apoio administrativo para PMEs.

No ambiente digital, as grandes apostas são as aplicações direccionadas para mercados específicos, como o sector dos animais de estimação e a economia criativa (design e moda, publicidade e marketing, cinema, música e fotografia, jogos digitais e desenvolvimento de software, arquitetura e artes visuais) a par de soluções que automatizam processos de gestão empresarial.

O forte avanço das energias renováveis e da sustentabilidade gera excelentes condições regulatórias para empresas de consultoria e novos projetos tecnológicos focados na ecologia.

 

Nome oficial: Comunidade da Austrália (Commonwealth of Australia)

Área: 7.692.024 Km2
Capital: Camberra
Idioma: Inglês
População: 27.247.257 (Julho 2026)
Moeda: Dólar australiano
Religião: 43,9% cristãos: (20,0% Católicos, 9,8% Anglicanos, 8,3% Protestantes e 2,1% cristãos Ortodoxos) 3,2% Muçulmanos, 2,7% Hindus e 2,4% Budistas. 38,9% "sem religião".
Governo: Democracia federal parlamentar; Reino da Commonwealth
Monarca: Carlos III, representado pelo Governador-Geral
Primeiro-Ministro: Anthony Albanese,
Index of Economic Freedom - pontuação: 80.1; 4ª posição no Index de 2026 (subida de 0.8 pontos desde 2025) ; 2a em 39 países da Região Ásia-Pacífico (subida de 1 posição).

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

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