Mercado dos Diamantes – Angola segundo produtor Mundial

O fascínio pelos diamantes é uma constante ao longo da História. Só que, durante muitos séculos os diamantes eram joias famosas e únicas, reservadas para os reis, rainhas e grandes potentados. Foi preciso esperar pelos finais do século XIX para que, com os Cecil Rhodes, Burney Burnatto, Alfred Beit e Ernst Oppenheimer, com a mineração, lapidação e comercialização para os comuns, se criasse a indústria e o mercado internacional dos diamantes.

Já o romano Plínio se referiu a eles. E parece que na península do Industão, nos seus rios e cursos de água, apareciam diamantes. Eram um produto exclusivo para as elites do sangue e do dinheiro e, no século XVIII, o Brasil foi um grande produtor.

Esta produção nos finais do século XIX passou para a África do Sul, com a descoberta ali, em Kimberley, em 1866, de uma importante jazida. E, também na África do Sul, Cecil Rhodes fundou, em 1888, a De Beers Consolidated Mines Limited. No início, em 1870, a produção de diamantes andava por um milhão de quilates; em 1920 tinha triplicado, nos anos 1970 andava pelos 50 milhões e em 1990 eram 100 milhões.

A África do Sul e Angola eram produtores importantes, bem como a RDC e a União Soviética. Em 1982 a exploração começou no Botswana, e no final do século a mineração chegou ao Canadá e à Austrália.

A unidade de peso do diamante é o quilate, equivalente a 0,2 gramas ou 200 miligramas. Os diamantes maiores são mais raros de encontrar; outros elementos de avaliação do diamante são o peso em quilates, o corte, a cor, a clareza, os famosos “4 Cês” – Carat, Cut, Color, Clarity .

A métrica do quilate é originalmente norte-americana. A maior parte dos diamantes famosos têm pesos excepcionais, como o Cullinan ou “Grande Estrela de África (3.106 quilates), hoje nas joias da Coroa inglesa. Ou o Koh-i-Noov, “Montanha de Luz”, também com as joias da Coroa. Ou o Taylor-Burton, que Richard Burton ofereceu a Elisabeth Taylor em 1969, com cerca de 70 quilates.

Durante muitos anos a sul-africana De Beers comandou o mercado internacional de diamantes, através de um controlo rigoroso da oferta. A empresa também dedicava uma parte importante do seu orçamento à publicidade indirecta do diamante, através, inclusive, de fitas e músicas célebres, como o 007 Diamonds are Forever ou Diamonds are a Girl’s Best Friends do filme Gentlemen Prefer Blondes.

É muito interessante ver a evolução dos preços do diamante nos últimos 50 anos:
Nos anos 1980, um diamante de um quilate podia valer à volta de 10.000 dólares americanos; nos anos 1990, o quilate andava entre 15.000 e 17.000 US Dólares; o fim da União Soviética, grande produtor, trouxe vendas de stocks muito importantes, mas a De Beers conseguiu, a custo, estabilizar o mercado. Em 2005 o quilate andava pelos 20.000 dólares.

A crise de 2005-2009 fez cair os preços, como é natural. Mas depois entre 2010 e 2015, os preços recuperaram o quilate para os 25.000. A crise da Covid levou a nova retracção dos preços.

É claro que estes valores são valores standard para boa qualidade do peso de um ou dois quilates. Os diamantes com mais de três quilates e com cor e clareza altas, estão sempre entre 30 a 40% acima destes números.

Depois apareceu no mercado uma nova espécie – diamantes artificiais, feitos em laboratório; estes atingiram especialmente os diamantes “naturais”, obrigando os países produtores a especializar e valorar mais as suas pedras.

Quanto à produção por países em 2023, o maior produtor foi a Rússia, com 37,5 milhões de quilates, no valor de 3.600 mil milhões de dólares; seguida pelo Botswana, (25,1 M quilates, 3,3 mil milhões de dólares); pelo Canadá (16 MM de quilates, 1,5 mil milhões de dólares); em quarto lugar ficou Angola, com 9,8 MM de quilates, no valor de 1,5 mil milhões de dólares.

A grande novidade sobre as estatísticas de 2024 é que Angola ultrapassou o Botswana e ficou, a seguir à Rússia, o maior produtor de diamantes mundial. Assim, a Rússia tem 35% do mercado, Angola cerca de 15%, o Botswana um pouco mais de 14%, o Canadá 11,3%, a Namíbia 10% e o resto do mundo 14,5%.

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