
Japão
Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.
O Japão é um país insular da Ásia Oriental, um arquipélago de mais de sete mil ilhas, sendo as principais Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku. Com poucos rios ou canais navegáveis, geograficamente o Japão define-se mais pelos oceanos que o cercam: Oceano Pacífico, Mar do Japão (Separa o arquipélago japonês do continente asiático – Rússia e Coreias), Mar da China Oriental (Banha o sul e sudoeste do país, próximo da região de Kyushu e Okinawa), Mar de Okhotsk (Banha a costa norte e leste da ilha de Hokkaido), Mar das Filipinas (a sul e sudeste das ilhas principais de Honshu, Shikoku e Kyushu). Ao longo do tempo, estes mares têm sido simultaneamente fonte de alimento e defesa contra invasões.
É a quarta maior economia do mundo e uma superpotência na tecnologia e na indústria, com excelentes infraestruturas. No entanto, continua com graves problemas como o envelhecimento da população e a maior dívida pública do mundo desenvolvido.
O Japão depende fortemente da importação de combustíveis fósseis para suprir as suas necessidades energéticas. A estabilidade na comunidade internacional continua a ser a condição para a aquisição e manutenção do fornecimento de energia do país. Especialmente no caso do petróleo, o combustível do qual o Japão é mais dependente, garantir o acesso a um fornecimento estável tem sido o pilar da política energética de Tóquio há mais de 30 anos.
A economia do Japão tem resistido à crise global e aponta para um crescimento moderado, impulsionado pelo aumento do consumo interno. A transição para um novo cenário de salários mais altos e inflação controlada em 2% promete melhorar o poder de compra e o dinamismo empresarial do país. Para os empresários e comerciantes locais, o grande desafio continua a ser a falta de mão de obra provocada pelo envelhecimento da população. Especialistas apontam que a solução passa por flexibilizar o mercado de trabalho, atrair mais colaboradores estrangeiros e acelerar a transição digital para aumentar a produtividade das empresas. Além disso, o plano de modernização japonês prevê fortes investimentos na transição ecológica e na desburocratização de licenças, abrindo novas frentes de negócio no sector verde.
Entre o século quarto e o século nono da era de Cristo, os reinos e feudos do Japão foram-se unificando sob um poder centralizador e imperial que, no ano de 974 se fixou na cidade de Heian-Kyo, hoje Kyoto, iniciando o período Heian, a idade do ouro da cultura e civilização do Japão.
A estabilidade durou até aos finais do século XII, quando emergiram os senhores feudais, um dos quais Minamoto no Yoritomo, chefe do clã Minamoto, que viria a ser o primeiro Xogun, depois de derrotar os rivais do clã Taira. Yoritomo estabeleceu os samurai como uma espécie correspondente à nossa classe dos cavaleiros, guerreiros profissionais instruídos nas artes da guerra, na espada, no arco e na cavalaria e que serviam o Xogun.
Na complexa estrutura do feudalismo japonês, foi crescendo o poder dos Daimios, grandes barões que repartiam o poder com o xogun. E foi um destes daimyos, Tokugawa Yeyasu, que foi nomeado xogun pelo imperador.
Tokugawa Yeyasu criou um sistema político-social inspirado no confucionismo, que dividia a sociedade em quatro classes – os samurai, os agricultores, os artesãos e os comerciantes.
Os samurai eram nobres e guerreiros, tinham o privilégio de usar armas e tinham várias subdivisões. A seguir vinham os agricultores pois, segundo Confúcio, a sociedade não pode viver sem agricultura; os artesãos ou artífices produziam instrumentos; e os comerciantes, alguns dos quais grandes mercadores, com influência social, ganhavam a vida intermediando os bens.
Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao Japão em 1543, onde introduziram as armas de fogo, largamente replicadas e que seriam decisivas para a vitória na guerra civil dos Tokugawa, no tempo de Yeyasu Tokugawa, xogun em 1598. Os Tokugawa fixaram a capital em Edo (futura Tóquio), isolaram o Japão e prolongaram o seu poder até 1868.
Em 1868, o Japão faz a sua entrada na modernidade: o imperador Matsuhito cortou com o Xogunato Tokugawa, que dominava o país desde os princípios do século XVII e iniciou a chamada “era Meiji”. O Xogunato, como vimos acima, era um sistema misto de feudalismo e centralização, em que a função executiva do poder imperial estava entregue a um Xogum, uma espécie de super-daimio que concentrava os poderes políticos e o comando militar. Desde a grande guerra civil contra o clã Takeda, que os Tokugawa, chefiados por Ieyasu Tokugawa (1543-1616), tinham assumido o controlo do poder do Japão unificado. Em 1867, o último Xogum Tokugawa, Yoshinobu, perante a pressão exterior para a abertura do país e os apelos à restauração da autoridade imperial, resignou-se a facilitar a restauração do imperador e a abertura do Japão ao mundo e à mudança que vai ser protagonizada por Matsuhito (1852- 1912) que, posteriormente à sua morte, tomará o nome de Meiji.
As pressões para a mudança vinham de fora e de dentro: em 1853, os navios norte-americanos do Comodoro Mathew Perry chegaram à baía de Edo, quebrando o secular interdito isolacionista do Império japonês; daqui um duelo entre reaccionários e aberturistas que acabou com o Xogum a entregar o poder ao jovem imperador Matsuhito, fundador da “era Meiji”, ou “tempo de governo esclarecido”.
Modernização foi, aqui, ocidentalização. O Xogunato e o Xogum representavam o topo do poder militar e feudal, em que havia senhores mais importantes, os daimios, servidos pelos menos importantes, os samurais. Os fenómenos do fim do feudalismo e centralização do poder real e central, que na Europa vieram com os séculos XV e XVI, foram assim muito tardios no Japão.
E, também como foram impostos pelo exterior, chegaram com toda a carga desse exterior: comércio internacional, modernização industrial e, de certo modo, reforma política, no sentido do constitucionalismo oligárquico, muito diferente em tempo mas não em modo, do europeu.
Houve a preocupação, depois dos longos séculos de feudalidade, clãs e divisões, de criar uma espécie de comunidade nacional japonesa e daí a adopção do Xintoísmo, isto é, de uma religião nacional unificadora. Ao mesmo tempo, o imperador instituiu o Exército permanente, com o serviço militar masculino obrigatório; criou também uma rede de 15 mil escolas públicas relativas à instrução primária, num país de elevada literacia onde, ao tempo da era Meiji, 40% da população sabia ler e escrever.
A seguir ao exército e à educação, vêm os transportes e a indústria. Em 1875 aparecem as primeiras linhas de caminho de ferro e as primeiras companhias marítimas. O país, ao tempo, exporta comodities agrícolas – arroz e soja. É também criada uma moeda, o Yen, e em 1882 o Banco do Japão.
E há uma preocupação de internacionalização da cultura; o governo de Tóquio, dando cumprimento a um dos pontos da Carta de 1868, “procurou fundamentos” para dar cumprimento à “regra imperial”. Nesse aspecto, os japoneses procuraram o melhor desse Ocidente: foram buscar engenheiros a França, oficiais da Marinha ao Reino Unido, oficiais do Exército à Prússia-Alemanha; e em 1889 adoptaram uma constituição bicamaral inspirada no modelo oligárquico inglês.
Em 1894 declaram guerra à China, lançando-se na expansão, também imitando o Ocidente e as potências imperiais do Ocidente, estabelecidas na Ásia – Reino Unido, França, Estados Unidos. Em 1904-1905 a guerra é com a Rússia, e vitoriosa.
Estas reformas geraram resistência: entre os samurais, ultrapassados nas suas funções militares, e entre o povo comum, violentado nos seus costumes ancestrais; chocam com a cultura tradicional e lançam algumas classes no desemprego.
O imperialismo japonês começou, como outros, por ser um nacionalismo defensivo, com a ocupação da Coreia, considerada um perigoso ponto de partida para uma ofensiva colonial contra o Japão. Em 1912, à data da morte de Matsuhito, o império japonês ocupava entre as ilhas japonesas (378.000 km2) e as áreas ocupadas da Coreia e das Curilas a Taiwan (300.000 Km2), e tinha uma população de 70 milhões de habitantes, a maioria, 50 milhões de japoneses no Japão, seguidos por 14 milhões de coreanos e de cerca de 3.200 000 chineses de Taiwan.
É levado pela ideia do alargamento imperial que o Japão, em 23 de Agosto de 1914, declara guerra à Alemanha e ocupa os territórios alemães no Pacífico e na China; como, aproveitando a guerra civil russa, invadiria também a Sibéria Oriental em Agosto de 1918.
Em 1919 o governo de Tóquio tem de reprimir brutalmente as manifestações pela independência da Coreia e em 1927, já no reinado do imperador Hirohito, no trono desde 25 de Dezembro de 1926, começa a grande expansão militar. A guerra contra a China inicia-se em 18 de Setembro de 1931. Em Janeiro de 1932 os japoneses atacam Xangai; em Março de 1932, criam o Estado do Manchukuo na Manchúria conquistada, governada pelo último imperador da China, Pu Yi.
A guerra com a China e a sua condenação pela Sociedade das Nações levou o Japão a sair da SDN e a prosseguir a guerra, com grande violência, contra a China, tomando Nanquim e Cantão.
E na Segunda Guerra Mundial, o Japão imperial, onde os partidos políticos foram proibidos em 1940, ataca de surpresa a base americana de Pearl Harbour. Segue-se uma grande expansão na Ásia-Pacífico, até à derrota frente aos americanos do almirante Nimitz, na batalha de Midway em 1942.
Depois a guerra dá a volta, com a máquina industrial americana a funcionar a pleno vapor. Tóquio é bombardeada e incendiada várias vezes e, em Agosto de 1945, os americanos usam pela primeira vez na História a arma nuclear, destruindo as cidades de Hiroxima e Nagasaki, matando mais de 200 mil japoneses.
O Japão rende-se e é ocupado, e o imperador Hirohito renuncia ao seu estatuto divino. Em Janeiro de 1946 é criado um tribunal americano, cópia do tribunal de Nuremberga, para julgar os criminosos de guerra. De 28 processados, sete vão ser enforcados em 1948. Dos restantes, um, Nobusuko Kishi, ministro no gabinete de guerra do almirante Tojo, veio a ser primeiro-ministro do Japão de 1957 a 1960, pelo partido Liberal.
A democracia é restaurada sob tutela americana, com vários partidos, entre os quais dois principais, o socialista e o liberal, este último governante quase permanente. Os socialistas ganham as eleições de 25 de Abril de 1947 e em Junho de 1948 são aprovadas leis que liberalizam o aborto e a esterilização eugénica.
Nos anos 50 inicia-se, ainda sob ocupação americana, a recuperação da economia japonesa; o chamado “milagre japonês”, que vai assentar no investimento intensivo nas indústrias, na expansão acelerada no sector não agrícola e na importação maciça de técnicos e de tecnologias externas.
Os números são eloquentes: em 1955, 42% do emprego japonês era na agricultura; dez anos depois tinha passado para 23%. Por outro lado, a média anual do crescimento do PIB entre 1950 e 1973 é superior a 9%.
Mas a partir dos anos 1990 do século passado, o Japão entrou numa espécie de hibernação económica, um tempo de cerca de três décadas – até hoje – conhecido por “décadas perdidas”. Nesse tempo, comparativamente a outras economias industriais, o crescimento do PNB japonês foi consideravelmente mais baixo; além das consequências da crise mundial de 2007-2008 e da Covid, o Japão passou por algumas catástrofes naturais como tremores de terra e o desastre nuclear de Fukushima.
A competitividade do país sofreu também consequências da crise demográfica e do envelhecimento da população. Paul Krugman acrescentou a isto o crédito malparado, devido à facilidade de concessão de crédito pelos bancos japoneses, alguns verdadeiros “zombie banks”.
O partido responsável quase ininterruptamente pelo governo do Japão tem sido o Jiyū Minshuto, ou Partido Democrático Liberal. Na verdade, é mais um partido conservador-liberal e com uma facção poderosa nacional-liberal que, depois das eleições de 2022 e 2024 tem governado em coligação com os conservadores do partido Komeito.
Mas em 10 de Outubro de 2025, o líder do Komeito, Tetsuo Saito, anunciou publicamente que abandonava a coligação. As razões invocadas tinham a ver com desacordo com a nova presidente do PDL, Sanae Takaichi, uma nacional-conservadora que em 4 de Outubro ganhara a liderança do partido na segunda volta, contra Shinjiro Koizumi.
Taikaichi, por alguns chamada a “Thatcher japonesa”, por outros a “Trump japonesa”, tem posições conservadoras em valores de orientação – é contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, em política de defesa é pela revisão do artigo 9º da Constituição (que proclama a renúncia à força militar), e tem claras posições pró-Taiwan. Tem também posições revisionistas sobre “os crimes de guerra do Japão”, em concordância com as teses da associação patriótica Nippon Kaigi, sobre a educação patriótica. Sob a sua liderança, o PDL ganhou as eleições em 2025 com maioria absoluta.
As relações comerciais entre Portugal e o Japão ganharam um novo fôlego em Setembro de 2025, com a elevação do relacionamento bilateral a Parceria Estratégica. O comércio de bens é regulado pelo Acordo de Parceria Económica entre a União Europeia e o Japão, o que facilita a circulação de mercadorias através da redução de tarifas aduaneiras.
As exportações de Portugal para o Japão atingiram os 319,29 milhões de US Dólares em 2025, de acordo com os dados COMTRADE das Nações Unidas sobre comércio internacional, atualizados pela última vez em Maio de 2026. Portugal regista um défice na balança de bens com o Japão, importando mais do Japão do que aquilo que exporta. Apesar disso, o volume de exportações de mercadorias portuguesas para o mercado nipónico mantém-se num patamar relevante, situando-se acima dos 300 milhões de dólares anuais. Em termos de posicionamento comercial global, o Japão ocupa o 31.º lugar como cliente das exportações nacionais e a 30.ª posição na qualidade de fornecedor de bens.
O mercado japonês apresenta excelentes oportunidades de negócio, com as prioridades de comércio e investimento estruturadas em sectores tradicionais e tecnológicos de alto valor acrescentado. No segmento agroalimentar de luxo, verifica-se uma procura crescente por produtos gourmet portugueses, com especial destaque para azeites de alta qualidade e vinhos de nicho, como os Vinhos Verdes e o Vinho do Porto. Adicionalmente, a transição energética destaca-se como um sector fundamental, impulsionada por investimentos focados em energias renováveis e na produção de hidrogénio verde, áreas de forte interesse para os grandes conglomerados industriais nipónicos.
O envelhecimento demográfico do Japão abre também fortes perspectivas na saúde e biotecnologia, sector onde a exportação de medicamentos e soluções farmacêuticas portuguesas tem ganho uma relevância estratégica. Por fim, o novo estatuto de Parceria Estratégica entre os dois países cria um ambiente propício à cooperação nas áreas de tecnologia e defesa, com foco particular em cibersegurança, protecção civil e tecnologias de defesa.
Nome oficial: Japão
Área: 377.930 Km2
Capital: Tóquio
Idioma Oficial: japonês
População: 122.517 026 (Worldometer)
Religiões: Xintoísmo e budismo (80%), cristianismo, outras.
Governo: Monarquia constitucional parlamentar
Imperador: Naruhito
Moeda: Iene japonês
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0.925; muito alto; 23º em 193 países
Index of Economic Freedom Heritage: 70.3, 30º em 184 países
Ease of Doing Business: Rank: 29º de 190
A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:
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