
México
Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.
País de contrastes geográficos, económicos e sociais, com uma população de mais de 130 milhões de pessoas, o México é a segunda maior economia da América Latina. Faz fronteira com os Estados Unidos da América ao norte e com a Guatemala e Belize ao sul, sendo banhado pelo Oceano Pacífico, Golfo do México e Mar do Caribe.
Neste ano de 2026 está inevitavelmente sob o foco da atenção internacional, com a revisão do TMEC (Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá), a relação económica e política com os Estados Unidos e, também, o Mundial de Futebol, que implicará milhões de visitantes, com um impacto estrutural significativo na economia do país, sendo o turismo um dos primeiros indicadores do desempenho económico. Nesse sentido, 2026 será um ano importante de avaliação para o México.
Depois de um 2025 complicado devido ao baixo crescimento, ao risco de tarifas e incerteza nas políticas, prevê-se que a economia mexicana recupere agora o ritmo durante 2026, com um crescimento do PIB de 1,5%:
Parte do baixo crescimento económico de 2025 deveu-se à incerteza sobre o TMEC, incerteza essa que afectou significativamente o investimento. No entanto, a integração comercial com os Estados Unidos continua forte e o México consolidou-se como o principal parceiro comercial deste país. Se a revisão do tratado correr bem, na segunda metade de 2026 espera-se um maior investimento e confiança.
A proximidade com os Estados Unidos, o nearshoring, é uma das grandes vantagens do México e tem atraído um investimento estrangeiro directo significativo; a importância estratégica comercial do país reside principalmente na sua capacidade de actuar como ponte entre a América do Norte e o resto do mundo, oferecendo custos competitivos, mão de obra qualificada e estabilidade logística.
Foi em aliança com os povos locais, inimigos dos Aztecas, que em 1521 os espanhóis de Hernán Cortés conquistaram o México e tomaram a capital dos Aztecas, Tenochtitlán (situada onde hoje fica a Cidade do México). Tecnologia militar superior, (armas de fogo, cavalos) e a aliança com os povos subjugados pelos Aztecas, ajudam a explicar a vitória, que não foi fácil. A varíola, trazida pelos conquistadores e disseminada entre os Aztecas também contribuiu para os enfraquecer.
As novas dependências da coroa espanhola foram designadas por Nueva España e o vice-reinado de Nova Espanha, além do México, estendia-se pelo istmo da América Central até às Caraíbas. E para norte apanhava o que é hoje parte do Sul dos Estados Unidos.
O vice-reinado foi criado em 1535 e o primeiro vice-rei foi Antonio de Mendoza y Pacheco. A economia das conquistas baseava-se essencialmente na exploração das minas de prata e ouro. Os habitantes locais eram a força de trabalho destas explorações; foram muito sensíveis às várias epidemias trazidas pelos conquistadores espanhóis, que dizimaram as populações, pouco preparadas para as enfrentar. Estas epidemias aconteceram em 1519-1520, em 1545-1548, em 1576-1578, de todas as vezes matando milhões de pessoas.
Apesar destas perdas, a partir do século XVII, a mineração manteve-se, mas actividades ligadas à agricultura e à pastorícia surgiram também.
A economia da prata – desenvolvida em centros mineiros como Zacatecas, San Luis de Potosi, Guanajuato – não só fundou a fortuna de uma classe de colonos ricos, como foi a base da riqueza, em Espanha, de importadores e comerciantes. E, claro, da Coroa, que recebia um quinto do valor dos metais preciosos.
Nos finais do século XVIII, a população mexicana era de cerca de 6 milhões de pessoas. Com a chegada ao poder em 1714, em Madrid, da nova dinastia dos Bourbon, surgira uma nova política colonial: daí, uma reforma fiscal, com aumento significativo dos impostos; por outro lado, o sistema de comércio, com as frotas reguladas pelo poder de Madrid e com grande cerimonial e escoltas, ia ser, ao longo do século, liberalizado.
Depois da Independência
No princípio do século XIX, as consequências das invasões napoleónicas da Península ibérica vão ter grandes repercussões nas Américas: o Príncipe Regente D. João de Portugal, futuro D. João IV, e a corte portuguesa partem para o Brasil em 1807, para evitarem ficar reféns dos franceses; em Espanha, os Bourbon, primeiro aliados de Bonaparte contra Portugal, acabaram por ser detidos, tendo o imperador francês escolhido o seu irmão José para rei de Espanha.
Esta confusão e lutas na Espanha estimularam a revolta das colónias espanholas. No México, um padre católico, Miguel Hidalgo y Costillo (1753-1811) liderou o primeiro movimento independentista.
Ao tempo, na sociedade colonial, havia a distinguir, por hierarquia de importância: os espanhóis do Reino de Espanha; os crioulos, ou seja, os espanhóis nascidos no México; os mestiços; os índios. Hidalgo lançou o famoso apelo à independência, conhecido por “Grito de Dolores”; depois marchou com os sublevados até à cidade do México, onde o vice-rei Francisco Xavier Venegas se recusou a render-se. Hidalgo retirou e foi batido pelos espanhóis na batalha de Aculco; depois de vencido e capturado, foi submetido a julgamento militar e condenado à morte por fuzilamento.
A seguir à sua morte, a liderança do movimento independentista passou para José Maria Morelos, que cercou a Cidade do México. Mas também não teve sucesso e veio a ser capturado e fuzilado em Dezembro de 1815. Seguiu-se uma guerra de guerrilhas sem grande sucesso. E a independência acabou por chegar pelas mãos de Agustin de Iturbide, um militar crioulo, conservador, que, depois de ter lutado contra as forças independentistas, acabou por, na sequência do golpe militar liberal em Espanha, se passar para a facção independentista e por assinar o Tratado de Córdova que dava a independência ao México.
Iturbide tornou-se o soberano do México independente, Império do México, como Agostinho I, imperador. Mas foi derrubado e exilado na Europa. Em 1824, voltou ao México, mas foi feito prisioneiro e fuzilado.
A República Mexicana nasceu assim de forma conturbada, e vai ter uma história agitada ao longo do século XIX; em 1836 é a rebelião do Texas, que se separa do México e é anexado pelos Estados Unidos em 1845; em 1846, começa a guerra do México com os Estados Unidos, com a perda de muitos territórios mexicanos para o vizinho do Norte; depois veio, de 1857 a 1861, uma guerra civil, com base no combate ao poder da Igreja Católica. Benito Juarez era então o presidente liberal; vinha de uma família índia, zapoteca. Estudou no seminário, protegido por um frade franciscano, e depois fez Direito e entrou para a política, sendo eleito presidente em 1861. Combateu o arquiduque Maximiano da Áustria, que tentara ser imperador do México com o apoio de Napoleão III.
O presidente seguinte foi Sebastian Lerdo de Tejada; em 1876, Porfírio Diaz, um mestiço, também de origens humildes, militar experiente das várias guerras mexicanas, tentou um golpe pretoriano. Foi mal sucedido, mas voltou pela via eleitoral, e foi eleito presidente em 1877; criou um aparelho político-militar de confiança e, em 1884, voltou ao poder.
Porfírio Diaz governou durante os 26 anos seguintes, sendo reeleito como presidente por várias vezes sucessivas; na prática governou em ditadura, levando a cabo uma hábil política de melhoramentos públicos, apoiada nos crioulos e nos mestiços, mas indiferente à massa popular índia. Em 1911 venceu na eleição Francisco Madero, mas entretanto, no ano anterior, já tinha rebentado a revolução mexicana.
A Revolução Mexicana
À partida, a revolução mexicana é uma revolução contra a oligarquia instalada por Porfírio Diaz, reeleito sete vezes, com duvidosa transparência. Entre os líderes revolucionários, contam-se desde os populares Pancho Vila e Emiliano Zapata, até ao próprio Madero, nascido numa família de alta burguesia, com estudos em Paris e Berkeley . Madero ganhou as eleições depois da derrota militar e partida de Porfírio para o exílio parisiense; mas foi, por sua vez, derrubado por uma conspiração que pôs no poder o general Victoriano Huerta. Huerta era de uma família também indígena.
O Porfiriato fora uma ditadura governada pela ideia positivista de que o progresso económico e social se fazia com ordem e estabilidade políticas e que, se para tal fosse precisa a autoridade e a marginalização da liberdade e da igualdade, não havia que hesitar. Era o lema “Ferrocarilles y Progresso”, que trouxe para o México investimentos estrangeiros para os combóios, o petróleo, a electricidade, a siderurgia e a indústria açucareira.
A instabilidade crónica do México, até aí, não só tinha privado o país desses investimentos, como de uma imigração europeia qualificada, que preferia a estabilidade dos Estados Unidos ou da Argentina.
Com a revolução de 1910 e as guerras que se lhe seguiram, voltava-se à instabilidade. Verdade que a estabilidade oligárquica do Porfiriato trouxera a revolta e a revolução de uma maioria da população marginalizada.
Huerta enfrentava três “revoluções”: os camponeses do Sul, encabeçados por Zapata, Pancho Vila e as forças de Venustiano Carranza, um homem da oligarquia, também um grande proprietário, que seria assassinado em 1920; como foram assassinados Zapata (1919) e Vila (1923). Huerta morreu em El Paso nos Estados Unidos, em 1916.
Novos presidentes foram Álvaro Obregón, de 1920 a 1924, também assassinado. E Plutarco Elias Calles, que passou à História como o homem da grande perseguição à Igreja Católica. E foi Calles quem, em 1929, fundou com o nome de Partido Nacional Revolucionário (PNR) o que seria mais tarde o Partido Revolucionário Institucional (PRI), um partido que governaria o México até ao ano 2000.
O PNR fundado por Calles, mudaria ainda de nome para Partido da Revolução Mexicana (PRM) em 1938; mas, em 1946, fixou-se finalmente como Partido Revolucionário Institucional (PRI). Inicialmente, a ideia do partido era juntar os generais vitoriosos da guerra civil de 1910-1920. A ideia – que acabou por ter sucesso, pelo menos em termos de hegemonia estável – era abrigar na mesma organização política as tendências e forças político-sociais que, ao longo dos anos da guerra civil, se tinham combatido.
A hegemonia do PRI
Acabou por resultar e, de certo modo, por trazer estabilidade ao país, uma estabilidade que durou praticamente desde a institucionalização do PRI com o seu nome, em 1946. Aquilo a que assistimos foi, depois dos anos da “revolução mexicana” (1911-1920), que foi consequência do descontentamento da maioria da população com o Porfiriato, e do interregno dos anos 20, o sistema de hegemonia do PRI foi funcionando, veiculando uma ideologia nacionalista e socializante, num Estado regido por uma classe tecnoburocrática que conseguiu, através dum sistema de integração de elites dirigentes (de operários, camponeses, de classe média) manter uma estabilidade “corporativa” e, como o nome indica, “institucionalizar” a revolução.
Ou seja, os ideais pragmáticos da estabilidade política e do consequente crescimento e desenvolvimento económicos, realizaram-se à custa da liberdade e da igualdade. Os presidentes do “priismo” foram governando “ao centro”, ora indo mais para a esquerda, ora mais para a direita, conforme o equilíbrio das forças e dos interesses, sempre com a preocupação de manter o equilíbrio do sistema.
Ao mesmo tempo, os mandatários do PRI estavam atentos às “instituições”, aos poderes fora da política – os Militares, a Igreja Católica, as Universidades. Nesse aspecto, o “priismo” também funcionou: os militares, que tinham sido a força política decisiva desde a independência, ao ponto dos grandes líderes políticos como Benito Juarez e Porfírio Diaz serem militares, foram afastados da intervenção política, mas integrados no sistema; a Igreja Católica, depois da perseguição da presidência Calles que levou à revolta e guerra dos Cristeros, entre Agosto de 1926 e Junho de 1929, acabaram por, apesar da hostilidade da Constituição de 1917, gozar de uma relativa liberdade religiosa; as universidades, centros de alguma resistência ao regime, foram também integradas, embora o governo não hesitasse em ser repressivo e brutal, como em Outubro de 1968, com o chamado “massacre de Tlatelolco”, em que cerca de 300 estudantes foram mortos pelas forças de segurança. O presidente ao tempo era Gustavo Diaz Ordaz e era o ano dos Jogos Olímpicos no México.
Entre 1988 e 1994, no mandato de Carlos Salinas de Gortari, manifestou-se dentro do PRI um princípio de contestação e reivindicação da “herança legítima da revolução”. Um facto grave foi, em Chiapas, um levantamento do EZLN – Exército Zapatista de Libertação Nacional – em Janeiro de 1994. O EZLN, nesta revolta no Estado mais a sul do México, reclamava a herança da “revolução mexicana” e a implantação de um “governo socialista” contra os senhores do poder do PRI. A revolta foi controlada, mas o mal-estar permaneceu.
E na eleição presidencial de 2000, depois do mandato de Ernesto Zedillo, finalmente o candidato do PRI, Francisco Labastida, com cerca de 13 500.000 votos populares (37%), perdeu para o candidato do PAN, de Vicente Fox Quesada, que teve cerca de 16 000 000 (42,5%).
O PAN (Partido de Acción Nacional) fora fundado em 1939, como oposição ao programa socialista do futuro PRI; actualmente tem uma agenda de valores conservadores em costumes e questões ditas fracturantes, e é mais liberal em economia. Ganhou a presidência em 2000 com Vicente Fox, e voltou a ganhar em 2006, com a eleição de Felipe de Jesus Calderón, presidente até 30 de Novembro de 2012. A eleição de 2012 foi ganha por uma coligação, Compromisso por Mexico, entre o PRI e o Partido Verde Ecologista. O vencedor foi Henrique Peña Nieto contra Lopez Obrador, do partido MORENA (Movimento de Regeneración Nacional).
Mas em 2018 foi Lopez Obrador o vencedor, com uma agenda proclamada de esquerda progressista. E em 2024 foi outra política do MORENA, Claudia Sheinbaum, a vencedora da eleição presidencial. É a actual presidente do país.
As relações do governo Sheinbaum com o vizinho do Norte, os Estados Unidos de Donald Trump são fundamentais em vários pontos críticos – combate ao narcotráfico, imigração, segurança. Os cartéis de Sinaloa e Jalisco são responsáveis de grande parte do tráfico de drogas para os Estados Unidos, especialmente do Fentanil, responsável pela morte, anualmente, de cerca de 75.000 americanos.
Nesse aspecto, tem havido colaboração transfronteiriça entre as polícias dos dois países. Mas a Administração Trump tem aumentado a pressão sobre o governo mexicano, ao mesmo tempo que indiciou a participação de importantes políticos mexicanos no tráfico, pedindo a extradição do próprio governador da província de Sinaloa, Rubén Rocha Moya. Parte também desta tensão, o Departamento de Estado por ordem do Secretário de Estado Marco Rubio,está a analisar os 53 consulados do México nos Estados Unidos. A tensão subiu depois da morte, no mês de Abril, no México, de dois agentes da CIA que participavam numa operação anti narcotráfico.
O México é o segundo maior parceiro comercial de Portugal na América Latina, com oportunidades crescentes em infraestruturas, energia e tecnologias. É uma relação significativamente assimétrica, com um valor de exportações portuguesas que, em 2025, rondavam os 400 milhões de Euros, representado um crescimento de mais de 70% em 10 anos, enquanto as exportações mexicanas para Portugal não ultrapassavam os 84 milhões; estes números não correspondem totalmente à realidade, devem-se principalmente ao facto de a maioria dos produtos exportados pelo México para a Europa entrar pelos portos de Antuérpia, de Hamburgo, e de Roterdão, e uma grande parte dos produtos comprados em Portugal serem registados no primeiro ponto de entrada europeu.
O turismo tem uma importância crescente nas relações entre os dois países. Além do aumento notável do fluxo de turistas portugueses a viajar para o México (53 mil em 2025), os turistas mexicanos a descobrir e visitar Portugal (90 mil em 2025) ultrapassam já os portugueses, num fenómeno novo que é o escolherem Portugal para começarem as suas viagens à Europa.
O México é uma plataforma indispensável para as empresas portuguesas que precisam de crescer no mercado norte-americano, sendo o país uma ponte de acesso aos Estados Unidos, através do acordo de livre comércio norte-americano.
Mas o próprio mercado mexicano continua a apresentar oportunidades de negócio em diversos sectores, particularmente nas energias renováveis, máquinas e equipamentos para a indústria automóvel, equipamento aeronáutico, dispositivos médicos, TIC, soluções de economia circular e proteção ambiental. O México é o segundo maior ecossistema de startups da América Latina. Há uma grande procura por soluções de pagamentos digitais, cibersegurança e Software as a Service. Sendo um gigante exportador de alimentos, o México procura também tecnologias para irrigação inteligente, biopesticidas e rastreabilidade de colheitas.
Podemos distinguir três principais centros de negócio: a Cidade do México é o centro financeiro e a sede das maiores corporações. Monterrey é o "motor industrial" do país, foco principal do investimento estrangeiro e manufactura. Guadalajara é conhecida como o "Silicon Valley mexicano", focada em tecnologia e electrónica.
Nome oficial: Estados Unidos Mexicanos
Área: 1 958 201 km²
Capital: Cidade do México
Idioma Oficial: Espanhol; línguas indígenas
População: 132 867. 910 (Worlometer Maio 2026)
Governo: República federal presidencialista
Moeda: Peso Mexicano
WB Business Ready – Serviços financeiros- 84%; Localização de empresas- 47%. Pontuação: Quadro Regulatório 70/100; Serviços Públicos 64/100; Eficiência Operacional 52/100
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0, 759 ; classificação "Alto"; entre os 77-86 melhores;
Index of Economic Freedom Heritage: Ranking mundial: 92º; Pontuação: 59.8 (descida 1.5 pontos desde 2025); Categoria: “Mostly unfree”
A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:
Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa nacional»
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