Vietname

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Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal. 

     

Localizado no Leste da península da Indochina, o Vietname tem uma área total de 331.230 km². Faz fronteira com a China, o Laos, o Camboja e o Mar do Sul da China. De formato alongado e estreito, tem três grandes regiões: o Norte, com o Delta do Rio Vermelho, a faixa costeira central, com planícies estreitas entre as montanhas e o mar, e o Sul, com o extenso Delta do Mekong. O país tem cerca de 4.000 ilhas, a maioria das quais é pequena e desabitada.

Neste ano de 2026, e depois do XIV Congresso do Partido Comunista do Vietname em Janeiro, o modelo económico do país está em transição para um maior controlo estatal e tomada de decisão centralizada, mas promovendo simultaneamente o desenvolvimento de uma economia de mercado moderna, à semelhança da “economia de mercado de orientação socialista” da China de Xi Jinping. A economia vietnamita mantém, porém, uma identidade própria, graças a uma abertura estratégica ao investimento estrangeiro e à sua “Diplomacia do Bambu”: raízes sólidas, tronco firme e ramos flexíveis – em que as raízes e o tronco representam os interesses nacionais, de soberania e independência, inegociáveis, e os ramos representam a capacidade de “dobrar-se sem quebrar”, evitando alinhamentos rígidos em conflitos de grandes potências, mas mantendo “relações estratégicas simultâneas” – com os Estados Unidos e a China, subentende-se.

Assim, a economia estatal “assume o papel principal para garantir a estabilidade macroeconómica”, mas a economia privada “é a força propulsora mais importante”; um dos lemas lançados neste Congresso foi «Forte desenvolvimento das empresas privadas, melhoria da eficácia das empresas estatais». Segundo a KPMG, o sector privado está a ser fortalecido como nunca, com reformas desenhadas para que cumpra o seu potencial, e para os investidores a mensagem é clara: o Vietname está aberto, pronto e a avançar rapidamente.

Neste cenário, as regiões da Costa Central Norte e Sul são protagonistas, posicionando-se no cruzamento estratégico dos corredores de transporte Norte-Sul e Este-Oeste. Com infraestruturas renovadas que incluem portos de águas profundas, redes ferroviárias modernizadas e aeroportos de última geração, esta zona geográfica tem um potencial ímpar para se tornar o principal hub logístico nacional e regional. Esta articulação é fundamental para interligar os corredores económicos vitais à Sub-região do Grande Mekong, facilitando o fluxo de mercadorias e serviços. Este desenvolvimento infraestrutural é um dos pilares que sustenta o objectivo do Congresso de um crescimento anual do PIB de pelo menos 10% até 2030, e de reafirmar o país como um destino incontornável para o comércio global e a eficiência logística no Sudeste Asiático.

 

Em 1858 a França começou a ocupação da chamada Indochina Francesa , formada pela península do Sueste Asiático, que hoje engloba o Vietname, o Camboja e o Laos; na segunda metade do século XIX o governo de Paris integrou sob o seu domínio a Cochinchina como colónia, e Aname, Tonquim, Laos e Camboja como protectorados, com soberania própria embora restrita.

A partir de 1887, os franceses constituíram com estes territórios a Union Indochinoise, com a exploração económica centrada no arroz, na borracha e em vários produtos mineiros. Na Segunda Guerra Mundial, os japoneses ocupam a Indochina, que os franceses voltam a ocupar em 1946. Contra o domínio de Paris, organizou-se o Viet Minh, que iniciou uma guerra que os franceses perderam em Maio de 1954, com a queda de Dien-Bien-Phu. Seguiram-se os Acordos de Genebra, assinados pelo novo governo de Mendès France, que dividiram o Vietname em Vietname do Norte – a norte do paralelo 17º – e Vietname do Sul, a sul do mesmo paralelo. O Vietname do Norte, com capital em Hanói, ficou para os comunistas do Viet Minh. O Vietname do Sul, inicialmente governado por Bao Dai, tornou-se, no ano seguinte, 1955, uma república, presidida por Jean-Baptiste Ngô Dinh Diem, um católico.

O Norte comunista iniciou uma guerra contra o Sul, através da guerrilha do Vietcongue. Em 1963 os próprios agentes dos Estados Unidos apoiaram um golpe de Estado militar contra o clã Diem, que consideravam incapaz de vencer a guerra. Os Diem foram liquidados e veio um regime militar.

Depois da morte de Diem, o conflito escalou, já com o sucessor de Kennedy, Lyndon Johnson. Este aumentou muito o envolvimento americano e passou também a bombardear o Vietname do Norte. Em 1968, o Vietcong lançou a ofensiva do Tet. A seguir, em Paris, já com Nixon presidente, começaram as conversações de paz entre Hanói e Washington. Estas conversações, protagonizadas do lado americano por Kissinger, criaram uma situação de cessar-fogo em 1973. Mas entretanto veio o escândalo de Watergate, que paralisou a presidência americana e levou à renúncia de Nixon em Agosto de 1974, ficando no seu lugar o vice-presidente Gerald Ford. E em 1975, perante uma América paralisada e dividida, os comunistas do Vietname do Norte invadiram o Sul e tomaram Saigão em 30 de Abril.

Numa primeira fase, como foi normal em todos os regimes comunistas, as perseguições aos partidários do anterior regime levaram a um êxodo de muitas centenas de milhares de habitantes (Boat People) e ao internamento de muitos outros em campos de concentração e de reeducação.

Ao mesmo tempo, o Vietname unido entrou em guerra com o vizinho Camboja, governado pelos Kmers Vermelhos, na que foi a terceira guerra da Indochina.

As guerras do Vietname tinham causado mais de três milhões de baixas entre civis e militares. Os vencidos do Sul foram sujeitos a longos e humilhantes tempos de reeducação. Ao mesmo tempo criou-se uma economia socialista, nacionalizando pequenas e grandes empresas no Sul e procedeu-se à colectivização do campo, receita certa para o socialismo da miséria.

A situação desgraçada da economia vietnamita no princípio dos anos 1980 levou a hierarquia comunista, temendo um grande desastre de fome e miséria que pusesse o regime em perigo, a mudar de rumo.

Assim, em 1986, também encorajados pelas reformas na China de Deng Xiao-Ping, os dirigentes políticos iniciaram a chamada Doi Moi – Renovação – abandonando a programação centralizada e abrindo a economia às forças de mercado. A colectivização agrícola foi revogada e os agricultores puderam passar a vender os seus produtos no mercado, o que levou a uma melhoria das safras, especialmente do arroz, do chá e do café, de que o país se tornou um grande produtor.

Tudo isto se reflectiu nas estatísticas e, mais importante, na vida das pessoas. No início das reformas em 1986, o Vietname era um dos países mais pobres do mundo. Estima-se que 70% a 75% da população vivia abaixo da linha da pobreza. Actualmente, 2026, a taxa de pobreza caiu para cerca de 4,06% e a pobreza extrema é agora inferior a 1%.

Apesar das feridas longas da guerra e do pós-guerra e dos seus negros episódios dos Boat People, – cerca de 300 mil afogaram-se no oceano – o Vietname conseguiu abandonar o socialismo por uma economia capitalista de direcção central, à semelhança da China.
Desde os anos 1990 que as taxas de crescimento neste quadro monopartidário mas com a economia liberalizada, têm andado pelos 7% ao ano. Houve também uma integração do país nas organizações internacionais como a OML (Organização Mundial do Comércio) E também uma mudança radical nas atitudes “culturais” com os “empresários”, hoje vistos com respeito e as empresas como motores essenciais do progresso do país.

 

A recente abertura da embaixada portuguesa em Hanói, em Fevereiro de 2026, e a elevação do Vietname ao estatuto de Parceiro Estratégico Abrangente da UE vão seguramente acrescentar um novo dinamismo às relações comerciais entre Portugal e o Vietname. O comércio bilateral atingiu o valor recorde de 705 milhões de dólares em 2024, aproximando-se da meta ambiciosa de mil milhões, estipulada pelos dois governos.

Actualmente, o Vietname posiciona-se como o 31.º principal fornecedor de Portugal, com as trocas a serem fortemente impulsionadas pelo Acordo de Livre Comércio UE-Vietname (EVFTA). Embora a balança comercial ainda favoreça o lado vietnamita — que exporta sobretudo máquinas, aparelhos electrónicos e metais — as empresas portuguesas têm ganho terreno nos sectores dos minérios, produtos químicos e couros. No plano do investimento directo, a EDP Renewables lidera a presença nacional com um compromisso de 500 milhões de dólares em energias limpas, consolidando o Vietname como um hub estratégico para a expansão portuguesa no Sudeste Asiático.

 

Apesar da balança comercial de bens entre Portugal e o Vietname manter uma tendência historicamente favorável a este último, o mercado vietnamita consolida-se como um destino estratégico para a diversificação das exportações nacionais. A abertura da Embaixada de Portugal em Hanói marca um novo patamar no apoio institucional directo às empresas portuguesas.

Outro factor atractivo é o crescimento económico do país. O Vietname estabeleceu metas de crescimento de até 10% ao ano para o período 2026-2030, impulsionado por um forte desempenho industrial e pelo crescimento do consumo interno.

A vigência e o reforço do Acordo de Comércio Livre UE-Vietname em 2026 garantem a eliminação progressiva de barreiras tarifárias, facilitando o acesso de produtos europeus em condições preferenciais.

O facto de a inflação prevista para 2026 se situar à volta dos 3,5%, oferece também um ambiente de negócios previsível para os operadores internacionais.

O interesse nacional divide-se entre a consolidação de produtos tradicionais como vinhos, azeites e conservas de peixe, já com uma reputação de qualidade no mercado vietnamita, e a exploração de segmentos em franca expansão, como a confeitaria e panificação, que tem uma procura crescente, bebidas alcoólicas (destaque para o segmento das cervejas, nova tendência de consumo local),e preparações de frutas e hortícolas.

O EU-Vietnam Global Gateway Business Forum, agendado para Março de 2026 em Hanói, pode ser uma oportunidade para as empresas portuguesas estabelecerem contactos directos com parceiros locais e beneficiar das novas infraestruturas de apoio diplomático.

 

 

Nome oficial: República Socialista do Vietname
Área: 331 689 km²
Capital: Hanói
Idioma: Vietnamita; inglês com importância crescente nos negócios
População: 102.004.070 (Worldometer 2026)
Governo: República socialista de partido único
Moeda: Dong Vietnamita
WB Business Ready – Rank: 16º em 101; score- 70,44
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): rank: 93º em 193; score: 0.766; categoria: Alto
Index of Economic Freedom Heritage: Score:65.2 (+2.4 pontos); rank global: 61º; 11º em 39 países na região Ásia-Pacífico; Categoria: Moderadamente Livre.

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa nacional»

 

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