Há um aumento no nível de pobreza em França, que em 2023 atingiu o maior número percentual da população, desde 1996. Em contraste com a melhoria da camada de rendimentos mais altos e da camada mediana, a faixa mais pobre viu crescer o seu número e piorar a sua situação.
Esta camada populacional é constituída principalmente por famílias monoparentais, por desempregados e trabalhadores independentes; e também conta gente entre os reformados, 10% com sérios problemas.
Em França esta taxa de pobreza abrange cerca de 16% da população, que tem rendimentos abaixo de 1300 Euros ao mês. E a França está abaixo da média europeia de pobreza, que é de 17%. O sistema assistencial francês tem a ver com isso. A França dedica 5,9% do seu PIB à assistência e às chamadas “prestações de solidariedade” que, nos outros países da UE, anda em média pelos 4,5%.
Mas a continuidade destas contribuições está também em risco, já que o número de “famílias pobres” tem crescido na medida em que a moeda tem tido uma erosão do poder de compra, causada pela inflacção. Assim, o número de fogos saídos da “pobreza” graças aos apoios fiscais que foram de 37% em 2017, diminuíram para 28% em 2023.
E o choque inflacionário contou também e não foi pouco; os números podem ser manipulados, mas são assustadores: em nome da “Fundação para a Habitação”, em 2024 eram mais de 12 milhões de pessoas em situação de fragilidade em termos de casa. E, sinal dos tempos e suas necessidades, segundo o INSEE, em 2024, um em cada três eleitores declarava que, em caso de grande urgência, não podia satisfazer uma despesa extra de 1000 Euros. E 10 % afirmavam não ter recursos para comer carne ou peixe.
Na verdade, estes números não podem nem devem surpreender quem está a par da evolução sócio-económica da Europa. Segundo o Eurostat, em 2024, 93 milhões de europeus, isto é, 21% da população total do Continente, está no limiar da pobreza e da exclusão social. Para o INSEE (Institut National des Études Economiques) e o Ministério da Solidariedade, a divisão entre pobres, remediados e ricos em termos de rendimentos era a seguinte: pobres são aqueles que têm menos de 1073 Euros líquidos mensais; médios ou remediados, têm entre 1073 e 4293 Euros; acima disso, são ricos; e mais ricos, acima de 7.512 Euros. Os mesmos dados registam um empobrecimento relativo da classe média, ameaçada pela inflacção e pelo preço da habitação. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos mais afortunados continuam a subir.
O “Observatório das Desigualdades” propõe uma outra repartição destas classes de recursos:
Pobreza…………………. Menos de 1073 Euros líquidos
Classe Popular ……….. De 1073 a 1683 Euros líquidos
Classe Média ………….. De 1683 a 3119 Euros líquidos
Classe abastada ………. De 3119 a 4293 Euros Líquidos
Classe mais abastada ….De 3119 a 4293 Euros líquidos
Riqueza ……………………. Mais de 4293 Euros líquidos
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