Egipto

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EGIPTO

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal. 

     

Situado entre dois continentes, o Egipto cobre mais de um milhão de quilómetros quadrados. A maior parte do seu território situa-se no nordeste de África, e a outra parte (Península do Sinai) encontra-se na Ásia. Faz fronteira, no lado Ocidental, com a Palestina e a Faixa de Gaza, ao sul, com o Sudão; a Oeste, com a Líbia, numa linha recta que atravessa o deserto do Sara. No extremo sudoeste do Egipto confluem as fronteiras de três países diferentes: o Sudão, a Líbia e o próprio Egipto.

Outra caraterística importante da geografia do Egipto é a importância das suas costas: quase 2.500 km no total. São banhadas pelas águas de dois mares diferentes: o Mar Mediterrâneo a norte e o Mar Vermelho a leste do país, na parte africana e na parte asiática do país. Estes dois mares estão ligados pela extraordinária obra de engenharia do Canal do Suez, um marco da navegação marítima mundial desde 1869.

A importância geoestratégica e comercial do Egipto deve-se à sua localização única como ponte entre a África e a Ásia, controlando o Canal de Suez (rota marítima crucial entre Europa/Mediterrâneo e Ásia/Índico) e também ao Rio Nilo, que historicamente viabilizou a agricultura, a riqueza e a conexão interna, fortalecendo seu papel como potência regional e rota de comércio global desde a Antiguidade até os dias de hoje. O Rio Nilo atravessa o país, é considerado o mais extenso curso de água do mundo, com uma área de 3 349 000 km². Passa por 10 países africanos – Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quénia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Sudão do Sul, Etiópia, até por fim desaguar no mar Mediterrâneo, pela sua foz no Egipto.

O país conta com vastos recursos naturais, como o petróleo e o gás natural, e detém a maior capacidade de refinação do continente africano. Destaca-se igualmente o Canal do Suez, eixo estratégico fundamental para a circulação do comércio entre a Europa, a bacia do Mediterrâneo e o sudoeste asiático, cuja elevada rentabilidade o torna essencial para o desenvolvimento económico nacional. Acresce ainda a importância da exploração de gás natural no campo de Zohr, a maior jazida do Mediterrâneo, que, ao assegurar cerca de um terço da produção total, reforçou o estatuto do Egipto como relevante exportador à escala mundial.

A Constituição de 1971 define a economia egípcia como socialista. A iniciativa privada esteve durante anos severamente limitada, persistindo apenas em sectores como a agricultura, o imobiliário e, mais tarde, o comércio de exportação. Com a política do infitāḥ («abertura»), iniciada no começo dos anos 70, a economia do Egipto, até aí fortemente estatizada com inúmeras nacionalizações, uma rigorosa regulação da produção, da distribuição, dos preços, do comércio interno e externo, do investimento e do rendimento pessoal, foi progressivamente aliviando parte dessas restrições, permitindo uma maior participação do sector privado e incentivando o investimento estrangeiro. Apesar de o Estado continuar a desempenhar um papel central, através de planos quinquenais e da supervisão das empresas, a economia beneficiou com as novas descobertas de petróleo e gás natural, com o reforço da ajuda ocidental e o investimento em infraestruturas.

No entanto, a economia continua a enfrentar numerosos obstáculos. O nível geral de vida no Egipto continua relativamente baixo e, em relação à dimensão da sua população, os recursos económicos do país são limitados. A terra continua a ser a principal fonte de riqueza natural, mas a quantidade de solo produtivo é insuficiente para sustentar adequadamente a população. O crescimento demográfico tem exercido uma forte pressão sobre os recursos, originando subemprego crónico, e muita emigração

 

História e Política do Egipto moderno

Foi em 1517 que o Egipto se tornou parte do Império Otomano. Mas nos finais do século XVIII em 1798, Napoleão Bonaparte, já muito influente na República Francesa, teve a ideia promover uma expedição militar ao Egipto, destinada a cortar o caminho das Índias aos ingleses.

Apesar da vitória do Corso na batalha das Pirâmides, Nelson destroçou a armada francesa em Abukir e foi Londres que ficou com os Otomanos com influência no Egipto. Napoleão levara com ele um grande número de académicos, artistas e intelectuais interessados na velha civilização egípcia, mas o poder europeu, a grande influência foram os ingleses, embora o Louvre partilhasse com o Museu Britânico o saque de antiguidades. Depois, a partir de 1805, Mehmet Ali Paxá, vice-rei do Egipto, em nome do Império Otomano, lançou as bases político-administrativas do território.

O século XIX sobretudo na segunda metade foi o tempo da expansão do imperialismo europeu e franceses e ingleses estiveram activos na partilha de África. E em 1859, começaram a construção do Canal do Suez que a partir de uma passagem marítima para o Mar Vermelho iria poupar aos Europeus a circum-navegação da África para chegar à Índia e ao Oriente.

O governo colonial britânico tomou conta do Egipto em 1882, e ficou até 1922, quando o país se tornou uma monarquia independente, ainda com a família do Quediva Mehmet Ali. E em 1952, um grupo de oficiais revolucionários, os “oficiais livres” liderados Mohamed Nagib e Gamal Abdel Nasser, derrubou o rei Faruk e o filho e herdeiro, Fouad II de seis meses em quem ele abdicara e proclamou a República do Egipto. O primeiro presidente foi o general Naguib, seguido em 1954 por Nasser, um jovem oficial, herói da guerra israelo-árabe de 1948. Em 1954 Nasser derrubou Naguib, acusando-o de estar conluiado com os “Irmãos Muçulmanos”.

O programa dos “oficiais livres” era “contra o colonialismo, o feudalismo, o capitalismo” – e por uma democracia de justiça social e com um exército poderoso. E os “oficiais livres” criaram na vizinhança uma série de imitadores como Hafez al-Assad na Síria e Kadafi na Líbia.

Nasser foi presidente de 1954 a 1970, sobrevivendo à crise do Suez, participante na conferência de Bandung e na criação do movimento dos “Não Alinhados” e aproximando-se da União Soviética. Em 1958 vai criar, com a Síria, a República Árabe Unida, que durará até 1961.

O prestígio de Nasser como líder do terceiro mundo vais empalidecer depois da derrota contra Israel na guerra dos Seis Dias, de Junho de 1967. E morre em 28 de Setembro de 1970, sendo sucedido por Anouar al-Sadate.

Que vai seguir outros caminhos, em política internacional, depois de, em 1973, em aliança com a Síria de Hafez al-Assad desencadear a guerra do Kippur contra Israel. Depois de êxito iniciais, vai sair a perder.

Mas em 1977, Sadat imprime uma viragem de direcção à política árabe na região ao firmar um acordo com Israel, governada pelo primeiro-ministro Menachem Begin. E visita Israel. E em 17 de Setembro de 1978, realizam-se os acordos de Camp David, sob a égide do presidente Carter dos Estados Unidos.

Essa aproximação a Israel provoca um ódio extremo das forças radicais, egípcias e israelitas, aos políticos que as provocaram, Sadat e Begin. Ambos vão ser assassinados por terroristas radicais, que os acusam de traição.

Sadat foi assassinado em 6 de Outubro de 1981. Sucedeu-lhe outro militar Hosni Mubarak, cujo mandato como chefe de Estado egípcio vai durar quase 30 anos, de Outubro de 1981, a Fevereiro de 2011. Mubarak, ligado à segunda geração do movimento dos “oficiais livres”, era vice-presidente de Sadat quando este foi assassinado. Eleito em 1981, foi reeleito em 1987, 1993 e 1999.

Com uma oposição variada e dividida, do Partido Comunista Egípcio à esquerda aos Irmãos Muçulmanos à direita, Mubarak foi mantendo e renovando o estado de emergência e privilegiando os militares. Aproximou-se também dos Estados Unidos (a URSS desaparecera em 1991) e o Egipto participou com um contingente na Primeira Guerra do Golfo, em 1991. Em 2005 venceu nova eleição presidencial, continuando como um favorito de Washington na região.

Mas a corrupção, com sucessivos escândalos atingindo a própria família do Presidente, pô-lo em questão e atingiu a sua popularidade. E na vaga das primaveras árabes, a partir de Janeiro de 2011 e da “revolução tunisina”, vai ser obrigado, também por pressão norte-americana e dos militares, a demitir-se. A queda é sublinhada por uma decisão do Conselho Federal suíço que manda congelar as contas de Mubarak, da mulher e dos filhos, e de alguns ministros do governo do Cairo.

Acaba por ser detido em Abril de 2011 e responsabilizado por centenas de mortes de manifestantes, passando em julgamento em Agosto de 2011. Em 5 de Janeiro de 2012, o Procurador do processo pede que lhe seja aplicada a pena de morte por enforcamento. Acaba por ser condenado a prisão perpétua, mas devido ao seu estado de saúde e às mudanças políticas ocorridas, saiu em liberdade condicional em agosto de 2013. Veio a morrer em 25 de Fevereiro de 2020, com 91 anos.

Nas eleições relativamente livres que se seguiram à queda de Mubarak, em Junho de 2012, foi eleito Mohamed Morsi, do Partido da Liberdade e da Justiça, uma força política fundada em Abril de 2011 e ligada aos Irmãos Muçulmanos, uma organização fundamentalista radical, criada em 1928 por um egípcio, Hassan al-Banna, que será assassinado em 1949.

Morsi não durou muito na presidência; vários grupos políticos e sociais como o “grupo Tamarrod” lançaram campanhas de rua contra o novo presidente da República. No Verão de 2013 há uma escalada de contestação, com centenas de milhar de manifestantes anti-Morsi nas ruas do Cairo.

Nesta confusão próxima do caos, outra vez intervém o poder dos militares: o Chefe de Estado Maior do Exército, general Abdel Fattah al-Sissi, anuncia a demissão de Morsi; e para o seu lugar, escolheu o presidente do Alto Tribunal Constitucional, Adli Mansur. Morsi e outros “irmãos muçulmanos” são presos e ele é condenado, em 2016, a prisão perpétua.

Detido em condições consideradas desumanas, Morsi veio a morrer na prisão em 17 de Junho de 2019.

Al-Sissi, presidente da República a partir da eleição presidencial de 2014, (que ganhou com 96,9% dos votos) e reeleito em 2018 e 2023 voltou a mudar a constituição e realizou uma forte repressão dos Irmãos Muçulmanos; os seus inimigos acusam-no de ditadura e culto da personalidade. E tem procurado jogar um papel de mediador nos conflitos regionais, especialmente no conflito israelo-árabe. Tem também denunciado o radicalismo e terrorismo islâmicos e procurado liberalizar o sistema económico. Do ponto de vista económico-social a administração não tem sido muito bem sucedida já que mais de 30% dos egípcios vivem abaixo do “nível de pobreza”. Mas mesmo assim al-Sissi foi reeleito em 2018 e em 2023, sempre com votações muito altas.

 

As relações comerciais entre Portugal e o Egipto mantêm-se activas e relativamente estáveis, assentes sobretudo na troca de mercadorias e enquadradas por instrumentos institucionais de cooperação económica. Em 2024 as exportações portuguesas para o Egipto atingiram cerca de 234 milhões de dólares, incidindo principalmente em produtos como o tabaco e seus derivados, papel e cartão, equipamentos eléctricos e alguns combustíveis minerais. No mesmo período, Portugal importou do Egipto aproximadamente 177 milhões de dólares em bens, com destaque para ferro e aço, produtos químicos, plásticos, óleos e gorduras vegetais, bem como alguns produtos agrícolas.

Estes fluxos evidenciam um comércio bilateral relevante, com oscilações de ano para ano, mas que tem registado um crescimento moderado ao longo da última década. Em determinados períodos, o saldo da balança comercial tem sido favorável a Portugal, reflectindo o aumento do valor das exportações portuguesas para o mercado egípcio, embora a relação se mantenha globalmente equilibrada e dependente da evolução dos preços internacionais e da procura sectorial.

Do ponto de vista institucional, as relações económicas entre os dois países assentam num Acordo Comercial bilateral em vigor desde 1983, que continua a constituir a base jurídica da cooperação económica e da promoção das trocas comerciais.

Têm ainda sido desenvolvidas iniciativas no domínio da logística e dos transportes marítimos, aproveitando a posição estratégica do Egipto, em particular o Canal do Suez. A celebração de memorandos de entendimento entre entidades portuárias portuguesas, como o porto de Sines, e a Zona Económica do Canal do Suez visa facilitar os fluxos comerciais, atrair investimento e reforçar as ligações marítimas entre os dois países, contribuindo para o aprofundamento das relações económicas bilaterais.

 

O Egipto apresenta boas oportunidades de investimento graças à sua população numerosa e em crescimento, às infraestruturas desenvolvidas (portos, aeroportos, auto-estradas e caminhos-de-ferro) e a uma força de trabalho qualificada. O governo tem promovido reformas económicas para reduzir a burocracia, facilitar a criação de empresas e desenvolver zonas industriais especializadas, enquanto incentiva o turismo, sector que tem registado crescimento nos últimos anos. Pôs em marcha um plano económico que procura aumentar a participação dos investimentos privados no total de investimentos para 50%, promovendo um ambiente de negócios mais dinâmico.

A economia egípcia está a diversificar-se rapidamente, com sectores como a fintech, o imobiliário, as energias renováveis, o comércio eletrónico e o turismo na linha da frente do crescimento. O Egipto oferece ainda oportunidades nos sectores dos bens de consumo e indústria transformadora, mas é crucial que os investidores avaliem cuidadosamente os riscos antes de investir, já que investir no Egipto envolve riscos, incluindo instabilidade política, protestos e agitação social, bem como desafios económicos, como alta inflação e défice orçamental elevado.

 

Nome oficial: República Árabe do Egipto
Área: 1.001.450km² (área terrestre)
Capital: Cairo
Idiomas Oficiais: Árabe
População: 119,324,760 (worldometer)
Religiões: 85% (islamismo), 14% (cristianismo), 1% (outras).
Governo: República semipresidencialista.
Moeda: libra egípcia
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,728, 105º no ranking 2022
Index of Economic Freedom Heritage: Pontuação: 50.9 (subida de 1.2 pontos desde 2024). Ranking global: 145º. Ranking regional: 10º. Categoria: Predominantemente não livre.
Ease of Doing Business: Rank: 114; Pontuação: 60,1

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa nacional»

 

Conteúdos desenvolvidos por Gaporsul

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