2025 National Security Strategy: A Estratégia Norte Americana para o Mundo

Foi há dias publicado o documento “2025 – National Security Strategy”, síntese da política externa dos EUA: começa por criticar as elites americanas recentes que, desde o fim da Guerra Fria, estabeleceram “que o domínio americano do mundo inteiro ia no sentido dos interesses do país”.

O que obrigou a uma revisão, que começou na primeira Administração Trump, e vai agora continuar. As questões a que o documento quer responder são:

1) O que querem os Estados Unidos;
2) Quais são os meios disponíveis para conseguir os objectivos;
3) Como conjugar fins e meios numa Estratégia Nacional de Segurança viável.

Desenvolvendo as respostas, o documento indica, à cabeça, como objectivos fundamentais da nova política “a sobrevivência e segurança” dos Estados Unidos, “a protecção do território e do povo”, “o total controle das fronteiras”, num mundo de Estados soberanos que defendem os seus interesses. Quer-se também uma economia inovadora e avançada e meios de dissuasão nuclear; e uma “forte base industrial”, mas também “soft power”, isto é, poder cultural, em que os EUA sempre foram fortes.

Daqui vem a importância da estabilidade do Hemisfério Ocidental, com governos que colaborem com os EUA, contra o narco-terrorismo numa renovação da “Doutrina Monroe”, através do chamado “Corolário Trump”.

Segue-se a enumeração dos meios ao alcance da América para realizar estes fins e, logo a seguir, uma nota sobre o espírito e modo da política externa de Trump: um “presidente de paz”, focado no interesse nacional e na “paz através da força”.

A seguir defende-se uma linha de “não intervencionismo” e de “realismo flexível”, sublinhando o primado das nações, e definindo o Estado nacional como “a unidade política fundamental do mundo”; as relações entre as nações fixam a balança do poder e há uma referência forte à protecção dos trabalhadores americanos, salvaguardando a competência e o mérito.

Constata-se a seguir que a era das migrações de massa acabou, que os direitos naturais (God-given rights) dos cidadãos americanos, são intocáveis e acrescentam-se alguns preceitos realistas. Para acautelar a “segurança económica” conta-se com uma equilibrada balança comercial e garantias de acesso à cadeia de fornecimento de materiais e bens essenciais. E há uma alínea “Reindustrialização, The Future belongs to makers”, secundada por outra alínea “Reviving our Defence Industrial Base”, com especial atenção à energia e à autonomia energética.

A seguir o “Documento 2025” detém-se nas políticas para as várias regiões geopolíticas do mundo: começando pelo Hemisfério Ocidental, onde se regressa à “Doutrina Monroe”, e se constata um bom andamento das actividades da nova Administração. Vai depois para a China, notando que a região Indo-Pacífico é hoje base de quase metade do PNB mundial, com tendência para subir. E é também por isso o primeiro teatro mundial estratégico e económico, entre os grandes poderes em confrontação e a América que, com os seus trunfos económicos e militares, tem de estar ali presente e em força. Espera-se aqui, que o valor da economia americana – agora avaliada em 30 triliões de U.S. Dólares – passe para os 40 triliões em 2030. E, em relação à China, cujo valor projectado para 2025 passa os 19 triliões espera-se “o estabelecimento de uma relação comercial vantajosa.

Mas, lembra o documento na página 22, a diplomacia America First não pode esquecer o “insustentável déficit em conta-corrente” que tem que ser objecto de uma revisão urgente. Por outro lado, com os 30 triliões de valor da sua economia, mais os 35 triliões dos seus aliados – países europeus, Japão, Austrália, Coreia do Sul – a América pensa ser possível uma política convergente face ao “Sul Global”.

O documento, voltando às questões militares (Deterring Military Threats) aborda a questão de Taiwan, e a sua importância no mar do Sul da China, onde anualmente passa 1/3 da navegação mundial. E aqui o documento é claro:
“We will also maintain our longstanding declaratory policy on Taiwan, meaning that the United States does not support any unilateral change to the status quo in the Taiwan Strait”. Ou seja, confirma-se o apoio a Taiwan e à defesa da sua independência.

Mas a propósito desta defesa na região, Washington volta à carga, lembrando aos aliados – aqui Japão e Coreia do Sul – a obrigação de “partilharem o fardo da defesa”.

E depois vem o subcapítulo Europa – “Promoting European Greatness” – que abre lembrando dois pontos vulneráveis da Europa – estagnação económica e gastos insuficientes com a defesa.

Mas – e aqui notou-se um grande ressentimento nos comentadores e analistas europeus em reacção à crítica americana – refere-se a seguir a “civilizational erasure”, erosão civilizacional, do velho Continente. O documento estratégico americano refere que os vários governos europeus – e as instituições de Bruxelas – estão a cercear “as liberdades políticas dos europeus” e que as políticas de imigração estão a alterar o tecido demográfico e cultural do velho continente. Assim, entre os cortes às liberdades e direitos fundamentais dos europeus e as políticas migratórias, parte dos dirigentes europeus, dos países e dos órgãos da UE, estão a mudar a natureza dos seus países e do continente, renunciando aos valores europeus tradicionais e, sobretudo, deixando acontecer a mudança da própria identidade da população.

A propósito da guerra da Ucrânia refere-se o papel das “irrealistas expectativas” dos “funcionários europeus”, sabotando os esforços americanos para a paz, sem contudo apesentarem uma alternativa.

A concluir, depois das críticas, o “Documento 2025” sublinha que “a Europa continua a ser, estratégica e culturalmente vital para os Estados Unidos”.

E finalmente estabelecem-se as prioridades da política europeia dos EUA:
1) Restabelecer condições de estabilidade na Europa e a estabilidade desta sua relação com a Rússia.
2) Encorajar as nações soberanas da Europa a tratar da sua defesa.
3) Cultivar a resistência, nas nações europeias, à deriva negativa e perigosa da censura e proibição de dissidência.
4) Desenvolver laços comerciais, vendas de armamento, colaboração política e trocas culturais e educacionais entre as “nações saudáveis” da Europa Central, Oriental e do Sul.
5) Pôr termo à ideia da NATO como uma aliança em perpétua expansão.
6) Encorajar a Europa no combate ao roubo tecnológico, à cyber espionagem e a outras práticas económicas hostis.

Passando para o Médio Oriente, o Documento de Estratégia 2025, regista que a região já não tem a importância que teve para a América porque deixou de ser um saco de perigos, para chegar a um tempo de cooperação regional entre ex-inimigos, árabes e israelitas.

Estratégia 2025 termina com África. À cabeça uma censura implícita às anteriores Administrações americanas “for providing, and later on spreading, liberal ideology”. Agora os objectivos são passar da ajuda externa para o investimento, valorizando a abundância de recursos naturais do Continente.

Refere-se também o papel de Washington na mediação proactiva de conflitos e na prevenção de outros. E são sublinhados, mais uma vez os recursos naturais de África e as oportunidades de investimento produtivo nesses recursos.

Conteúdos desenvolvidos por Gaporsul

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