
CHINA
Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.
A República Popular da China é um dos principais motores da economia mundial. Com uma população de cerca de 1,41 mil milhões de habitantes, é atualmente o segundo país mais populoso do mundo, depois da Índia e a segunda maior economia global em termos de PIB nominal, depois dos Estados Unidos.
Desde a reforma económica de Deng Xiaoping de 1978, a China passou de uma economia essencialmente agrícola e planificada, para um modelo industrial, tecnológico e orientado para a exportação. Uma combinação de elementos do socialismo e do capitalismo, com um modelo misto de economia de mercado, em que coexistem empresas estatais e um crescente sector privado. Esta combinação foi bem sucedida e permitiu à China um crescimento médio record, superior a 9% ao ano, durante três décadas, retirando, segundo o Banco Mundial, centenas de milhões de pessoas da pobreza e transformando-a numa potência de rendimento médio-alto.
Contudo, este modelo de capitalismo de orientação central — assente em investimento intensivo, produção e exportações industriais — atingiu os seus limites e está agora a entrar num ciclo de desaceleração. De acordo com a Oxford Economics, a economia chinesa enfrenta um abrandamento estrutural, reflectindo o envelhecimento populacional, queda na produtividade e limites do modelo baseado em dívida e investimento público.
O 14.º Plano Quinquenal (2021-2025) traçou uma estratégia de crescimento de “alta qualidade”, com foco na inovação tecnológica, na autossuficiência produtiva e na transição verde, abandonando pela primeira vez uma meta quantitativa para o PIB, e privilegiando objectivos qualitativos de sustentabilidade e equidade social.
Para as empresas europeias, esta transformação é simultaneamente um desafio e uma oportunidade. A redução do crescimento chinês poderá abrandar a procura global, afectando exportadores de bens industriais e de matérias-primas. Mas o reequilíbrio da economia chinesa — com maior ênfase no consumo interno e nos serviços de alto valor — poderá abrir novos nichos de mercado para os sectores europeus ligados à tecnologia verde, saúde, educação e inovação digital.
A China é hoje o challenger dos Estados Unidos, uma grande potência político-militar e económica. Mas nem sempre foi assim e, ao longo do século XIX, a China imperial foi decaindo, ao ponto de, nos princípios do século XX, as potências ocidentais e o Japão terem enviado uma expedição militar para resgatar as suas embaixadas cercadas pelos Boxers em Pequim.
Para trás ficava uma história milenar; encurtando-a para o período mais recente, a partir do século XIII-XIV da era cristã, a China foi, de 1279 a 1368, governada pela dinastia mongol dos Yuan, com capital já em Pequim. Mas em 1368 os imperadores mongóis foram derrubados por uma grande insurreição camponesa, encabeçada por Zhu Yuanzhang, que fundou a dinastia chinesa dos Ming, que restabeleceu no trono os nativos chineses (os Han). Mas os Ming acabaram ao fim de quase três séculos de governo autocrático, por serem vítimas também de uma revolta de camponeses que levou para o poder a dinastia manchu dos Qing que governará até ao século XX.
Nos princípios do século XIX a economia chinesa era relativamente importante, exportando seda, chá e porcelana para o Ocidente, em troca de ouro e prata. Contudo era um comércio restrito e vigiado, limitado aos portos de Macau e Nanquim. Mas por volta de 1830-1840, o governo imperial chinês proibiu o ópio, que navios mercantes ingleses levavam da Índia para a China. E houve as chamadas guerras do Ópio, a primeira em 1839-1842, a segunda em 1856-1860, a primeira contra a Grã-Bretanha e a segunda contra a Grã-Bretanha e a França.
As Guerras do Ópio
Era a primeira idade do imperialismo e os poderes inglês, francês e norte-americano, graças aos navios a vapor, à artilharia naval e às armas automáticas, estavam a expandir os seus impérios. A China perdeu, e além de ter de admitir o ópio no seu território, sofreu várias humilhações e limites à soberania. Estas guerras foram impostas pelos ocidentais, em nome do “comércio livre”. O ópio (as papoilas) era cultivado na Índia inglesa e o consumo cresceu na China, com graves perturbações sociais. A importação foi sempre aumentando, registando grande incremento no período entre 1820 e 1824. Neste comércio distinguiu-se Jardine Matheson, um grande produtor inglês.
A primeira guerra do Ópio acabou com a vitória da Inglaterra, em 1842. O Tratado de Nanquim foi o primeiro dos “Tratados Iníquos” de que, futuramente, se queixariam os governantes chineses, invocando-os hoje como algumas das razões de fundo do nacionalismo chinês. Com efeito, os vencidos, além de pagarem uma alta indemnização aos vencedores, entregaram Hong-Kong e facilidades em mais cinco portos, incluindo Cantão e Xangai, onde os ingleses podiam fixar-se livremente, com direitos de extraterritorialidade.
Uma nova guerra do ópio (1856-1860), com ocupação de Pequim por ingleses e franceses, obrigou os chineses a outro tratado iníquo – a Convenção de Pequim – com mais indemnizações, mais concessões portuárias e a legalização do comércio do ópio.
Mas a superioridade tecnológica dos europeus e americanos desequilibrava os conflitos: no final do século XIX a reacção nativista contra os missionários cristãos ocidentais, levou à revolta dos Boxers e ao cerco das embaixadas nos “55 dias de Pequim”. No final aconteceu outra divisão e humilhação do governo chinês, então nas mãos da poderosa imperatriz viúva, Tseu-Hi. E a monarquia imperial não durou muito mais; em 1911 veio a República com Sun Yat-Sem e o seu partido, o Kuomintang.
A República e o Kuomintang
Sun conduziu a luta contra os Qing, a dinastia manchu, proclamando a República da China, mas foi afastado pelo general Yuan Shikai, um senhor da guerra que estabeleceu o chamado exército Baiyang, que vai ser o árbitro do poder na China nos primeiros anos da República, até 1928, protagonizando soluções armadas num tempo de instabilidade.
Com o assassinato de Yuan em 1916, seguiu-se um tempo de lutas entre senhores da guerra, que vieram a terminar em 1928, com o triunfo de Chiang Kai-Shek. Depois da morte de Sun Yat-Sem, Chiang ficou líder do Kuomintang e foi submetendo os senhores da guerra; e em 1927, suprimiu em Xangai os até então seus aliados comunistas.
Chiang fora educado no Japão que, depois da vitória sobre a Rússia, tinha justa fama de dar boa formação militar e, onde havia uma Academia Militar Imperial para estudantes chineses. Ali formaram-se os seus sentimentos anti-Qing, a dinastia manchu que oprimia a China. Terminados os estudos, serviu no Exército Imperial Japonês entre 1909 e 1911, altura em que voltou à China, ao saber da revolução.
A vitória de Yuan Shikai levou-o a afastar-se para Xangai, o extra-territorial enclave anglo-americano na China. Quando Chen Qimei, um político e militar próximo de Sun Yat-Sem, foi assassinado por agentes de Yuan, Chiang tomou o seu lugar e reaproximou-se de Sun. Em 1923, Sun enviou Chiang à URSS, que estava nas mãos dos bolcheviques. Ali conheceu Trotsky e outros responsáveis comunistas, mas não se entusiasmou com o modelo.
Da estadia na Rússia ficou-lhe o epíteto de “General Vermelho”. Mas em 1925, com a morte de Sun, Chiang preparou-se para liderar o Kuomintang, contando com apoios à direita e à esquerda, incluindo os comunistas, na direcção do partido e conseguindo assim o apoio de Estaline. Esta aliança durou pouco já que, em Abril de 1927, Chiang liquidou milhares de comunistas em Xangai, dando lugar a um tempo de “Terror Branco” na China.
Seguiu-se em 1928 a tomada de Pequim, a guerra para a supressão dos senhores da guerra e a guerra civil contra os comunistas. Ao mesmo tempo Chiang, no poder e com o título “Generalíssimo”, tratou de retomar aos poderes estrangeiros as concessões que diminuíam a soberania da China. Sendo um conservador, promoveu os direitos das mulheres, a educação geral e o desenvolvimento científico e técnico da China. Ao mesmo tempo prosseguiu a guerra contra os comunistas que tinham, sob o mando de Mao Tsé-Tung, partido em retirada para a longa marcha, que duraria um ano, de Outubro de 1934 a Outubro de 1935. Os comunistas de Mao acabaram por instalar-se e sobreviver no norte do país.
E em 1937, depois da invasão japonesa, por motivos patrióticos, quer os nacionalistas de Chiang, quer os comunistas de Mao, entraram em trégua para, cada um por si, combaterem o invasor. Mas quando a guerra acabou, em 1945-46 recomeçaram a combater-se e, apesar de uma vantagem inicial dos nacionalistas do Kuomintag, foram os comunistas quem venceu. Chiang Kai-Shek e os seus partidários partiram para Taiwan, onde se mantêm ainda hoje sob protecção norte-americana.
O Comunismo em três velocidades: Mao, Deng, Xi Jinping
Depois da vitória na guerra civil, Mao pretendeu instaurar aceleradamente o comunismo na China. Fê-lo, com grande brutalidade, submetendo as populações pelo terror. Estas campanhas, geralmente de desenho utópico, como o Grande Salto em Frente (1958-1962) tiveram efeitos sociais catastróficos e altos custos económicos. O Grande Salto em Frente, um projecto que pretendia acelerar a revolução industrial, em vez disso arruinou a agricultura, sem conseguir desenvolver a indústria. Com um efeito perverso, aliás clássico nas utopias, sobretudo nas utopias aceleradas, o Grande Salto em Frente gerou a Grande Fome Chinesa, um dos maiores desastres da História da Humanidade, com custos em vidas humanas entre os 20 e os 50 milhões.
Outro grande desastre humano e político foi a chamada “Revolução Cultural”, iniciada em 1966. Foi uma experiência lançada pelo próprio “Grande Timoneiro”, que pôs os jovens do Partido Comunista Chinês (PCC) a vigiar e purgar os elementos menos ortodoxos. Durou até ao fim da vida de Mao, em 1976, e empoderou os jovens quadros do Partido num feroz programa de contestação aos mais velhos e sua autoridade.
A Revolução Cultural atingiu momentos de grande tirania e paranóia: como sempre no radicalismo do discurso comunista lança-se a suspeita – haverá elementos burgueses entre os membros do Partido? A partir daqui, tudo é legítimo para os destruir.
A morte de Mao e a ascensão de Deng Xiaoping, depois de esmagado com o apoio dos militares, o radical Grupo dos Quatro abriu caminho para uma racionalização do país e do Partido Comunista Chinês, que passou a preocupar-se com a realidade da economia e se pretendeu converter, pelo menos parcialmente, conseguindo desenvolver a economia do país e melhorar a condição dos seus habitantes.
As reformas de Deng foram festejadas no país e no estrangeiro; a China, a partir daí, procurou e conseguiu modernizar-se.
A morte de Mao causou grande perplexidade no Partido, que ele controlara. Mas Deng, que passara um mau bocado durante a Revolução Cultural, conseguiu impôr a sua vontade e criar, em várias províncias e regiões, zonas económicas especiais, mais abertas, unidades fabris que captaram investimentos estrangeiros e rapidamente criaram um “milagre chinês”, correspondendo às expectativas do povo.
Deste modo, e para que não se repetisse a situação considerada arcaica e deslocada de um país com o tamanho e a natureza da RPC, de um ditador como Mao, criaram-se regras relativas à limitação de mandatos, ao mesmo tempo que o Bureau Político do PCC governava colegialmente. Esta direcção colegial afirmou-se nas décadas seguintes, cumprindo-se a regra de que nenhum secretário-geral do partido podia exercer mais de dois mandatos.
Foi assim até à chegada de Xi-Jinping. Este quebrou definitivamente tal regra, ao fazer-se reeleger como secretário-geral do PCC em 2022, para um terceiro mandato. Mas é importante registar que desde a morte de Mao o PCC perdeu progressivamente o proselitismo comunista, trocado por influências nacionais económicas, como as famosas Estradas da Seda. E não parece que Pequim esteja interessado em exportar o seu modelo político, tendo-se acomodado à ideia de uma ordem internacional multipolar.
A interdependência entre a China e a União Europeia, embora sujeita a atritos, continua a ser essencial para a economia mundial. Para Portugal, tal como para a Europa, a China é simultaneamente um parceiro comercial, um investidor estratégico e um concorrente tecnológico.
Em 2024, o comércio bilateral entre Portugal e a China ultrapassou os 6 mil milhões de euros, destacando-se sectores como maquinaria, produtos químicos, metais, pasta de papel e vinho.
Neste ano de 2025 assinala-se o 20º aniversário do estabelecimento da parceria estratégica abrangente China-Portugal, o que apresenta novas oportunidades para o crescimento das relações e da cooperação bilaterais. Com prudência e adaptação estratégica, as empresas portuguesas poderão transformar esta nova fase da economia chinesa numa oportunidade de renovação e crescimento.
A classe média urbana chinesa — hoje com mais de 400 milhões de pessoas — representa um dos maiores mercados consumidores do mundo, com crescente procura por qualidade, marcas estrangeiras e produtos sustentáveis.
O seminário "Interpretação do 15º Plano Quinquenal da China e Perspectivas para a Cooperação Futura China-Portugal", realizado no passado mês de Novembro de 2025, destacou a complementaridade estratégica dos dois países na cooperação e inovação tecnológica, no comércio e investimento, na energia renovável e verde, na transformação digital, mobilidade verde e saúde. Portugal terá todo o interesse em expandir investimentos por meio de parcerias mais estratégicas e de longo prazo.
Nome oficial: República Popular da China
Área: 9 597 000 Km2 (área terrestre)
Capital: Pequim
Idiomas Oficiais: Mandarim, Putonghua, Standard Zhuang
População: 1,409 bilhões (2024) Banco Mundial
Religiões: Sem religião (52.2%), Religião tradicional (21.9%), Budismo (18.2%) Cristianismo (5.1%) Islão (1.8%) Outras religiões (0.8%)
Governo: Estado unitário comunista, Unipartidarismo
Moeda: Yuan (CNY), também conhecido como Renminbi (RMB)
Index of Economic Freedom: Score - 49; World rank - 151 (em 184)
Ease of Doing Business: Score - 77.9; Rank- 31
A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:
Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa nacional»
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