África do Sul

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ÁFRICA DO SUL

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal. 

     

A República da África do Sul situa-se no extremo sul da África, é delimitada a norte pela Namíbia, Botswana, Zimbabwe, Moçambique e Swazilândia, e com o reino de Lesoto totalmente cercado pelo seu território.

Devido à sua posição económica, geográfica e política, tem um papel incontornável como mercado estratégico. Além de ter uma grande influência política e económica internacional, expressa na participação em organizações como o G20 e os BRICS, a África do Sul é porta de entrada para uma região com centenas de milhões de consumidores, já que, com a sua participação na African Continental Free Trade Area (AfCFTA), na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), e em diversos acordos comerciais, beneficia de acesso preferencial a outros mercados africanos.

É a economia mais avançada e diversificada do continente africano, com um PIB de 418 mil milhões de dólares em 2025, ocupando a 39.ª posição a nível mundial e a primeira na África Austral. A sua relevância é reforçada pela abundância de recursos naturais e pelo dinamismo do mercado interno. Destaca-se em sectores como a indústria transformadora, a mineração, a energia, as finanças e as telecomunicações. Possui infraestruturas avançadas e um ambiente empresarial relativamente estável, com um sistema financeiro robusto e mão-de-obra qualificada.

Esta combinação entre estabilidade, capacidade industrial, integração regional e potencial de consumo torna impossível ignorar a República da África do Sul como um destino estratégico essencial para empresas que pretendam expandir a sua presença no continente africano.

 

As costas da África do Sul foram pela primeira vez tocadas, como aliás toda esta parte do mundo, pelos navegadores portugueses. Bartolomeu Dias chegou até à ilha de Roben, na sua tentativa frustrada de ir, por mar, até à Índia. A seguir, navegadores portugueses, holandeses e ingleses, cruzaram toda esta área, até que Jan van Riebeck, da Companhia Holandesa das Índias Orientais, fundou a cidade do Cabo em 1652 e iniciou, exatamente aí, uma colonização por parte da Holanda. Para lá foram, nas décadas seguintes, cidadãos calvinistas dos Países Baixos. E entraram em conflito com os locais.

Durante as guerras com a França, a partir de 1792, os ingleses intervieram em força contra as possessões holandesas no mundo e ocuparam o Cabo. Assim, nesta zona, fixam-se várias etnias, várias comunidades humanas e políticas, diversas tribos locais, e os descendentes dos holandeses, os chamados Boers, que, exatamente por causa do domínio inglês na zona do Cabo, vão deslocar-se para o Norte nos meados do século XIX, num movimento migratório designado A Grande Jornada (Die Groot Trek). Estes Voortrekkers, pioneiros, fundaram o Estado Livre de Orange, o Transvaal, o Natal. E foi ali, no coração do Transvaal, que no último quartel do século XIX, apareceram e foram exploradas minas de ouro e diamantes, a razão do incremento da imigração europeia. Nos finais do século XIX houve dois conflitos entre os ingleses e os Boers (a palavra holandesa para agricultores), conhecidos como as Guerras dos Boers; na primeira (1880-1881), houve um triunfo dos Boers; mas na segunda (1899-1902) os ingleses levaram o empenhamento na guerra com maior radicalidade e conseguiram vencer, utilizando pela primeira vez na história, “campos de concentração”, para “concentrar” a população civil Boer e criar uma pressão grande sobre os guerrilheiros e os combatentes Boers ou Afrikaners. A partir do domínio britânico, os Boers fizeram pressão no sentido de que os negros não tivessem direitos políticos, apesar de a Inglaterra ter abolido a escravatura em 1835.

A União Sul-Africana foi criada em maio de 1910; era um domínio britânico que incluía a Colónia do Cabo, o Transvaal, a Colónia do Natal, e o Estado Livre do Orange, com influências competitivas entre os ingleses e os Boers. Publicou-se também, neste tempo, uma lei muito importante, a Lei da Terra, (Natives Land Act), de 1913, em que a posse da terra era exclusivamente de brancos e negros, só que os negros, que eram dois terços da população, tinham direito apenas a 7,5% da terra, enquanto os brancos, que eram muito menos, ficaram com direito a 92,5% da terra. Os coulored, ou seja, os mestiços, não tinham nenhuma espécie de direitos nesta matéria. A União Sul-Africana participou na Segunda Guerra Mundial, por iniciativa do General Smuts, contra a opinião de parte substancial da população branca, muitos de origem alemã e com hostilidade ancestral ao Reino Unido, e que procuraram manter-se neutrais. Finda a guerra, em 1948, o Partido Nacional, que era um partido essencialmente Afrikaner, ganhou as eleições e passou a ser o poder dominante no país nos anos seguintes. E instituiu o Apartheid, isto é, a separação racial.

O regime do Apartheid, sob os presidentes Daniel Malan, J.G. Strijodom e Hendrik Werwoed, gerou, como era normal, uma grande hostilidade internacional. Depois da Segunda Guerra Mundial estavam inscritos determinados princípios na sociedade internacional e nas Nações Unidas, incompatíveis com o regime de discriminação racial adoptado pelos sul-africanos a partir de 1948. Assim, quer as Nações Unidas, quer a maior parte dos países do mundo, foram hostis à África do Sul.

Mas tinha começado a Guerra Fria e o facto de uma parte substancial dos partidos e forças anti-Apartheid, como o ANC – African National Congress – de Nelson Mandela, e o PAC –Pan Africanist Congress – serem partidos influenciados por ideias comunistas e ligados à União Soviética na Guerra Fria, fez com que os países da NATO e os Estados Unidos, entre outros, embora repudiassem oficialmente a prática do Apartheid, acabassem por, internacionalmente, ter uma certa tolerância com o regime de Pretória. O mesmo acontecerá mais tarde com a situação no Ultramar português, também por interesses comuns durante o período da Guerra Fria, embora não houvesse Apartheid. Apesar dos antagonismos e do repúdio, quer em relação ao Apartheid da África do Sul, quer em relação ao regime do Ultramar português e à política de continuidade que os governos de Salazar e de Marcelo Caetano mantiveram, quer os sul-africanos, quer os portugueses, acabaram por encontrar apoios internacionais – uns mais discretos, outros mais públicos – para aguentarem esses modelos.

Por outro lado, a África do Sul deixara de ser um “domínio” da Coroa Britânica para proclamar a República em maio de 1961; e também acabou por se retirar da Commonwealth. Numa tentativa de remodelar o regime e de o tornar mais aceitável ou mais favorável, embora recusando sempre o domínio da maioria negra, em 1984, o governo sul-africano de Pieter Botha, fez reformas parciais no regime do Apartheid mas manteve a segregação. Foi introduzido um sistema legislativo que permitiu que as populações de origem asiática e mestiça tivessem representação, porém com poder significativamente menor e de forma separada. Mas, entretanto, continuava a agitação dos negros, que viviam em bairros próprios que circundavam as grandes cidades. F. W. de Klerk, um moderado eleito líder do Partido Nacional, chega ao poder em setembro de 1989. De Klerk aproveita o momento em que a União Soviética está, não só em declínio, mas, depois da queda do muro de Berlim, em contra-revolução, achando que é o tempo ideal para legalizar o ANC e libertar Nelson Mandela, que tinha recebido o Prêmio Nobel da Paz e era o grande símbolo internacional da libertação, e que estava há mais de duas décadas preso em Robben Island. Em 1994, depois da libertação de Mandela, a África do Sul teve eleições em que a maioria negra já pôde votar, e votou maioritariamente no ANC, passando Nelson Mandela a ser o Presidente da África do Sul.

Mandela teve o cuidado, para tranquilizar a comunidade branca e não dar lugar a um êxodo dos brancos, como tinha acontecido em Angola e em Moçambique, de fazer um governo de unidade nacional com De Klerk. O ANC, que era maioritário, e o Partido Nacional dos Afrikaners, mais o INKATA, da comunidade Zulu, fizeram parte da coligação, até que, em junho de 1996, o Partido Nacional se retirou do governo e passou à oposição.

O primeiro governo de Unidade Nacional tinha 12 elementos do ANC, 6 do Partido Nacional e 3 do Inkata Freedom Party. Em 1995 houve uma nova Constituição e foi criada uma Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC). Mandela ficou Presidente da República e F.W. de Klerk e Thabo Mbeki ficaram como vice-presidentes. Em 1999, o ANC aumentou a votação, o Partido Nacional baixou e renovou-se como Novo Partido Nacional, e o Partido Democrático (DP), um partido de brancos liberais, saiu reforçado pelo “voto útil” de muitos eleitores brancos e também de negros e mestiços de classe média. Os zulus do Inkata também se apresentaram.

Mbeki, não tendo o carisma de Mandela, era um político muito hábil; perdeu, contudo, prestígio pela atitude “negacionsita” no caso da SIDA. Também o seu vice-presidente, Jacob Zuma, ficou debaixo de fogo por acusações de corrupção e foi demitido por Mbeki. Mas Zuma ganhou força no ANC ao influenciar a comunidade zulu no sentido de largar o Inkata e passar para o ANC.
Porém nem tudo eram rosas na nova África do Sul: o crime aumentou muito e o país tornou-se mesmo um dos líderes de homicídios, por exemplo o assassinato de agricultores brancos, próximo hoje dos 4000, também criou uma imagem negativa no exterior.

Mas, na conferência do ANC em dezembro de 2007, Zuma venceu Mbeki, depois da resignação deste e de um interregno sob a presidência de Kgalema Motlanthe, presidente interino.

Nas eleições de 2009 houve uma quebra de voto no ANC (passou para 66%), mas Zuma ganhou e foi eleito Presidente em 9 de Maio desse ano. E em 2014 foi reeleito, embora passasse para 62%. Surgiu então um novo partido socialista, o EFF – Economic Freedom Fighter – liderado por Julius Malema, um jovem radical de esquerda, vindo da Juventude do ANC.

No ANC, Zuma quis promover a sua mulher, Nkosazana Dlamini Zuma, a sua sucessora no partido e na presidência, mas não conseguiu, e o poder foi parar às mãos de Cyril Ramaphosa, dirigente sindical e homem de negócios; este disputou a liderança, mas a percentagem do ANC continuou a baixar - em 2019 teve 58%, com a Aliança Democrática a passar para 21% e os radicais do EFF para 11%.

E com isto se chegou a 2024 e à eleição em que, pela primeira vez desde 1994, trinta anos depois, o ANC falhou a maioria absoluta, ficando nos 40% do voto; a Aliança Democrática passou para cerca de 22%; a MKK (Lança da Nação) de Zuma subiu para 14,5%; os EFF de Malema tiveram 9,5%, o Inkhata cerca de 4%; dois pequenos partidos de brancos conservadores, a Patriotic Alliance e o Freedom Front Plus tiveram respectivamente 2% e 1,4%.

Desta eleição saiu, em junho de 2024, um governo de coligação formado pelo ANC, a DA, o Inkata e a Aliança Patriótica, aos quais se juntaram os pequenos partidos – Good Party, Pan Africanist Congress e Freedom Front Plus, e outros menores, formando uma coligação maioritária de 11 partidos.

 

Portugal e África do Sul são bons parceiros económicos. Há, actualmente, cerca de 20 empresas portuguesas presentes no mercado sul-africano, o que reflecte um valor significativo do investimento directo de Portugal no país. Dentro do continente africano, a África do Sul está em 5º lugar como cliente de Portugal, e em 11º lugar em termos de investimento extracomunitário no nosso país.

É bastante relevante o papel da comunidade portuguesa residente na África do Sul, nos meios empresariais e institucionais. Esta comunidade tem contribuído de forma determinante para a boa reputação da “marca Portugal”, consolidando as relações económicas, sociais e culturais entre os dois países.

A balança comercial entre Portugal e África do Sul apresentou, em média, um saldo positivo para Portugal no período 2020-2024, com um valor de cerca de 4,7 M€. As exportações tiveram uma valor de 223,6 M€ (média 2020-2024) e as importações, no mesmo período, atingiram os 218,9 M€.

No comércio internacional de Portugal em 2024, a África do Sul ocupou o 38º lugar no ranking das importações, e o 36º nas exportações.

 

A África do Sul é uma economia de grande dimensão, o mercado mais sofisticado do continente africano, dinâmico e com múltiplas oportunidades de investimento, ainda que com um grau de alguma complexidade. A cultura empresarial predominante é de matriz anglo-saxónica mas é fundamental a capacidade de compreensão e adaptação à realidade africana — um factor diferenciador que constitui uma vantagem competitiva relevante para portugueses já familiarizados com os mercados de Angola e Moçambique.

O governo da África do Sul tem promovido activamente o investimento estrangeiro e tem vindo a instituir diversas políticas para tornar o processo de investimento mais eficiente.

Há no país uma procura crescente por inovação, tecnologia e qualidade, acompanhando o aumento contínuo da exigência dos consumidores. São condições propícias à entrada de empresas portuguesas com competências tecnológicas e inovadoras, e a sensibilidade necessária para interagir eficazmente com a cultura local.

As oportunidades de investimento na África do Sul incluem os sectores da mineração, da manufactura e dos serviços. O sector mineiro é um pilar fundamental para a economia do país, sendo a África do Sul um dos principais produtores mundiais de metais preciosos e minerais. Mas mesmo sendo extremamente rica em recursos naturais, a economia da África do Sul está numa fase de transição, procurando passar de um modelo baseado na exploração de recursos para um modelo centrado nos serviços e na tecnologia.

O sector da manufactura integra uma vasta gama de indústrias, desde a automóvel até à têxtil. O sector dos serviços, que inclui áreas como as finanças, o imobiliário e o turismo, assume também um papel preponderante no contributo para o produto interno bruto nacional.

O sector das energias renováveis está num crescendo. O país tem metas ambiciosas para a produção de energia proveniente de fontes renováveis, tornando este domínio particularmente atractivo para os investidores. O desenvolvimento e modernização de infraestruturas, nomeadamente rodoviárias, portuárias e aeroportuárias, é também um eixo prioritário de investimento, e estão a ser tomadas medidas destinadas a atrair investimento privado e estrangeiro no sector, promovendo novas oportunidades de cooperação internacional.

 

Nome oficial: República da África do Sul
Área: 1.214.470 Km2 (área terrestre)
Capital: Capital Administrativa: Pretória. Capital Legislativa: Cidade do Cabo. Capital Judicial: Bloemfontein
Idiomas Oficiais: Afrikaner, Inglês, Xosa, Língua venda, Zulu, Sesoto
População: 64,980milhões (worldometers.info 2025)
Produto Interno Bruto: 400,3 bilhões USD (Banco Mundial 2024)
PIB per capita: 6 253,37 USD (Banco Mundial 2024)
Religiões: Protestantismo (58,3%), Catolicismo (6,8%)
Governo: República Parlamentarista
Moeda: Rand Sul-Africano (ZAR)
Index of Economic Freedom Heritage: Pontuação: 57.3 (+2 pontos) ; Ranking mundial 103º (de 184 países) Ranking regional: 10º (de 47 países da África Subsaariana); World Competitiveness Ranking 2025- 64ª (subiu 4 posições).

 

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa nacional»

 

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