
Japão
Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.
Localizado no Oceano Pacífico, o Japão é composto por 6.852 ilhas, cujas cinco maiores são Honshu, Hokkaido, Kyushu, Shikoku e Okinawa, que representam, em conjunto, 97% da área terrestre nacional.
Único membro não atlântico do G7, o Japão sofreu uma estagnação macroeconómica comparativa nas últimas três décadas, mas o país, no seu todo, continua próspero e as empresas japonesas mantiveram-se inovadoras.
As circunstâncias geopolíticas e de segurança cada vez mais graves que rodeiam o Japão podem vir a moldar a economia política interna do país: o risco que representa a Coreia do Norte, a ameaça de uma contingência no Estreito de Taiwan e também as tensões entre os EUA e a China, levaram o Japão, em concertação com os Estados Unidos e outros países parceiros, a preparar-se para essas eventualidades, procurando reduzir o risco e executando um programa de segurança económica, líder a nível mundial.
Apesar das medidas tomadas poderem ser interpretadas como um enfraquecimento da liberdade económica – e poderão diminuir a classificação do Japão no Freedom Index do Atlantic Council – o seu impacto real é uma questão que ficará para ver.
O país goza de uma boa estabilidade política e tem uma cultura democrática profundamente enraizada. Apesar das críticas à excessiva rigidez dos mercados de trabalho, o que é certo é que o Japão ganhou prestígio pelos baixos níveis de desigualdade, pelos elevados índices de segurança e pela persistência estoica do povo japonês face às recorrentes catástrofes naturais.
A evolução da liberdade de investimento no Japão é distinta da de muitos outros países desenvolvidos: em geral, o Japão tem registado uma diferença média de dez a vinte pontos em relação à média da OCDE desde 1995, embora com o esforço de liberalização e com as melhorias nas normas de governação empresarial, esta diferença tenha vindo a diminuir ligeiramente desde 2004, com um efeito importante na atração de mais investimento estrangeiro.
Em 2025 o Japão enfrenta um futuro político e económico incerto e um ambiente de segurança internacional complexo e exigente. Mas Tóquio tem provado capacidade de resistência e continua a construir um modelo de capitalismo que tem resultado em liberdade e prosperidade para o país.
O Japão faz a sua entrada na modernidade em 1868; nessa data, o imperador Matsuhito cortou com o Xogunato Tokugawa, que dominava o país desde os princípios do século XVII e iniciou a chamada “era Meiji”. O Xogunato era um sistema misto de feudalismo e centralização, em que a função executiva do poder imperial estava entregue a um Xogum, uma espécie de super-Daymio que concentrava os poderes políticos e o comando militar.
Desde a grande guerra civil contra o clã Takeda, que os Tokugawa, chefiados por Ieyasu Tokugawa (1543-1616), assumiram o controlo do poder do Japão unificado. Em 1867, o último Xogum Tokugawa, Yoshinobu, perante a pressão exterior para a abertura do país e os apelos à restauração da autoridade imperial, resignou-se a facilitar a restauração do imperador e a abertura do Japão ao mundo e à mudança que vai ser protagonizada por Matsuhito (1852- 1912) que, posteriormente à sua morte, tomará o nome de Meiji.
As pressões para a mudança vinham de fora e de dentro: em 1853, os navios norte-americanos do Comodoro Mathew Perry chegaram à baía de Edo, quebrando o secular interdito isolacionista do Império japonês; daqui um duelo entre reaccionários e aberturistas que acabou com o Xogum a entregar o poder ao jovem imperador Matsuhito, fundador da “era Meiji”, ou “tempo de governo esclarecido”.
Modernização foi, aqui, ocidentalização. O Xogunato e o Xogum representavam o topo do poder militar e feudal, em que havia senhores mais importantes, os daimios, servidos pelos menos importantes, os samurais. Os fenómenos do fim do feudalismo e centralização do poder real e central, que na Europa vieram com os séculos XV e XVI, foram assim muito tardios no Japão.
E, também como foram impostos pelo exterior, chegaram com toda a carga desse exterior: comércio internacional, modernização industrial e, de certo modo, reforma política, no sentido do constitucionalismo oligárquico, muito diferente em tempo mas não em modo, dos europeus.
Houve a preocupação, depois dos longos séculos de feudalidade, clãs e divisões, de criar uma espécie de comunidade nacional japonesa e daí a adopção do Xintoísmo, isto é, de uma religião nacional unificadora. Ao mesmo tempo, o imperador instituiu o Exército permanente, com o serviço militar masculino obrigatório; criou também uma rede de 15.000 escolas públicas relativas à instrução primária, num país de elevada literacia onde, por um tempo da era Meiji, 40% da população sabia ler e escrever.
A seguir ao exército e à educação, vêm os transportes e a indústria. Em 1875 aparecem as primeiras linhas de caminho de ferro e as primeiras companhias marítimas. O país, ao tempo, exporta comodities agrícolas – arroz e soja. É também criada uma moeda, o Yen, e em 1882 o Banco do Japão.
E há uma preocupação de internacionalização da cultura; o governo de Tóquio, dando cumprimento a um dos pontos da Carta de 1868, “procurou fundamentos” para dar cumprimento à “regra imperial”. Nesse aspecto, os japoneses procuraram o melhor desse Ocidente: foram buscar engenheiros a França, oficiais da Marinha ao Reino Unido, oficiais do Exército à Prússia-Alemanha; e em 1889 adoptaram uma constituição bicamaral inspirada no modelo oligárquico inglês.
Em 1894 declaram guerra à China, lançando-se na expansão, também imitando o Ocidente e as potências imperiais do Ocidente, estabelecidas na Ásia – Reino Unido, França, Estados Unidos. Em 1904-1905 a guerra é com a Rússia, e vitoriosa.
Estas reformas geraram resistência: entre os samurais, ultrapassados nas suas funções militares, e o povo comum, violentado nos seus costumes ancestrais; chocam com a cultura tradicional e lançam algumas classes no desemprego.
O imperialismo japonês começou, como outros, por ser um nacionalismo defensivo, com a ocupação da Coreia, considerada um perigoso ponto de partida para uma ofensiva colonial contra o Japão. Em 1912, à data da morte de Matsuhito, o império japonês ocupava um arco insular de 4.500 quilómetros, das Curilas a Taiwan, e tinha uma população de 70 milhões de habitantes, a maioria, 50 milhões de japoneses no Japão, seguidos por 14 milhões de coreanos e de cerca de 3.200 000 chineses de Taiwan.
É levado pela ideia do alargamento imperial que o Japão, em 23 de Agosto de 1914, declara guerra à Alemanha e ocupa os territórios alemães no Pacífico e na China; como, aproveitando a guerra civil russa, invadiria a Sibéria Oriental em Agosto de 1918.
Em 1919 o governo de Tóquio tem de reprimir brutalmente as manifestações pela independência da Coreia e em 1927, já no reinado do imperador Hirohito, no trono desde 25 de Dezembro de 1926, começa a grande expansão militar,. A guerra contra a China, que vai durar 15 anos, inicia-se em 18 de Setembro de 1931. Em Janeiro de 1932 os japoneses atacam Xangai; em Março de 1932, criam o Estado do Manchukuo na Manchúria conquistada, governada pelo último imperador da China, Pu Yi.
A guerra com a China e a sua condenação pela Sociedade das Nações levou o Japão a sair da SDN e a prosseguir a guerra, com grande violência, contra a China, tomando Nanquim e Cantão.
E na Segunda Guerra Mundial, o Japão imperial, onde os partidos políticos foram proibidos em 1940, ataca de surpresa a base americana de Pearl Harbour. Segue-se uma grande expansão na Ásia-Pacífico, até à derrota frente aos americanos do almirante Nimitz, na batalha de Midway em 1942.
Depois a guerra dá a volta, com a máquina industrial americana a funcionar a pleno vapor. Tóquio é bombardeada e incendiada várias vezes e, em Agosto de 1945, os americanos usam pela primeira vez na História a arma nuclear, destruindo as cidades de Hiroxima e Nagasaki, matando mais de 200 mil japoneses.
O Japão rende-se e é ocupado, e o imperador Hirohito renuncia ao seu estatuto divino. Em Janeiro de 1946 é criado um tribunal americano, cópia do tribunal de Nuremberga, para julgar os criminosos de guerra. De 28 processados, sete vão ser enforcados em 1948. Dos restantes, um, Nobusuko Kishi, ministro no gabinete de guerra do almirante Tojo, será primeiro-ministro do Japão de 1957 a 1960, pelo partido Liberal.
A democracia é restaurada sob tutela americana, com vários partidos, entre os quais dois principais, o socialista e o liberal, que é o partido governante quase permanente. Os socialistas ganham as eleições de 25 de Abril de 1947 e em Junho de 1948 são aprovadas leis que liberalizam o aborto e a esterilização eugénica.
Nos anos 50 inicia-se, ainda sob ocupação americana, a recuperação da economia japonesa; o chamado “milagre japonês”, que vai assentar no investimento intensivo nas indústrias, na expansão acelerada no sector não agrícola e na importação maciça de técnicos e de tecnologias externas.
Os números são eloquentes: em 1955, 42% do emprego japonês era na agricultura; dez anos depois tinha passado para 23%. Por outro lado, a média anual do crescimento do PIB entre 1950 e 1973 é superior a 9%.
Mas a partir dos anos 1990 do século passado, o Japão entrou numa espécie de hibernação económica, um tempo de cerca de três décadas – até hoje – conhecido por “décadas perdidas”. Nesse tempo, comparativamente a outras economias industriais, o crescimento do PNB japonês foi consideravelmente mais baixo; para além das consequências da crise mundial de 2007-2008 e da Covid, o Japão passou por algumas catástrofes naturais como tremores de terra e o desastre nuclear de Fukushima.
A competitividade do país sofreu também consequências da crise demográfica e do envelhecimento da população. Paul Krugman acrescentou a isto o crédito malparado, devido à facilidade de concessão de crédito pelos bancos japoneses, alguns verdadeiros “zombie banks”.
O partido responsável quase ininterruptamente pelo governo do Japão tem sido o Jiyū Minshuto, ou Partido Democrático Liberal. Na verdade, é mais um partido conservador-liberal e com uma facção poderosa nacional-liberal que, depois das eleições de 2022 e 2024 tem governado em coligação com os conservadores do partido Komeito.
Portugal e o Japão têm laços históricos relevantes e faz todo o sentido que se desenvolva uma parceria estratégica entre os dois países. Actualmente há cerca de mil empresas a exportar para o Japão, que em 2024 foi o 31º cliente de bens de Portugal e o 30º fornecedor.
A balança comercial é deficitária para Portugal em 210 milhões de euros, as trocas de bens assentam (mais de 97%) em produtos industriais transformados, com especial destaque para automóveis e metais comuns.
A segunda maior exportação de Portugal para o Japão são tomates em conserva. Foram exportados 62,7 milhões de euros.
Actualmente, cerca de 20% das importações japonesas de bens concentram-se em áreas onde Portugal detém vantagens comparativas e que despertam um elevado interesse por parte dos investidores japoneses. Destacam-se, entre essas áreas, as energias renováveis, o sector eólico offshore e os biocombustíveis.
Há também um interesse crescente no sector das ciências da vida, impulsionado pelos desafios demográficos enfrentados pelo Japão — cuja taxa de crescimento populacional tem sido negativa desde 2011, segundo dados do Banco Mundial. Nesse contexto, os produtos farmacêuticos e a biotecnologia surgem como domínios com elevado potencial de cooperação.
Nome oficial: Japão
Área: 377,930 km2
Capital: Tóquio
Idiomas Oficiais: Japonês;
População: 123 097 508 (fonte: worldometers)
Religiões: Xintoísmo e budismo (80%), cristianismo, outras.
Governo: Monarquia constitucional parlamentar
Imperador: Naruhito
Moeda: Iene japonês
Index of Economic Freedom Heritage: 70.2, 28º no IEF de 2025
Ease of Doing Business: 84.1, 29ª de 150
A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:
Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa nacional»
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