Guatemala

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Guatemala

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal. 

 

Com fronteiras com o México, Belize, Honduras e El Salvador, a Guatemala é a maior economia da América Central em termos de população e actividade económica, com um crescimento estável e uma economia aberta. Durante a Covid-19, foi o país com o menor declínio económico de toda a região da América Latina e Caraíbas, tendo recuperado depois com um crescimento de 8% em 2021, de 4,1% em 2022 e de 3,4% em 2023.

Apesar desta estabilidade económica, o país continua a ter uma das mais altas taxas de desigualdade e pobreza da região. Um Estado pequeno e pouco eficaz, dificuldades persistentes no acesso aos serviços básicos, oportunidades limitadas de emprego e de produção e, somado a tudo isto, as catástrofes naturais frequentes, são alguns dos principais factores que contribuem para a pobreza na Guatemala e que explicam as elevadas taxas de emigração e a significativa dependência das remessa dos emigrantes por parte da economia e das famílias. (Em 2021, as remessas dos emigrantes foram equivalentes a 17,7 por cento do PNB).

A Guatemala tem, porém, um enorme potencial que poderia gerar riqueza e prosperidade para toda a sua população. É rica em recursos naturais e é considerada um dos países com maior biodiversidade do mundo, já que a variação topográfica no território dá margem para que diversos ecossistemas se desenvolvam no país, variando dos manguezais da costa do Pacífico às florestas de altitude nas regiões montanhosas. Tal abundância de áreas biologicamente significativas e exclusivas da Guatemala contribui para sua classificação de hotspot ecológico ou hotspot de biodiversidade. O país é o 2º maior produtor do mundo de cardamomo, um dos 10 maiores produtores mundiais de café, cana-de-açúcar, melão e borracha natural, e um dos 15 maiores produtores de banana e óleo de palma. A sua proximidade com os Estados Unidos oferece fluxos significativos de turismo e outras oportunidades Os principais produtos de exportação do país são, por esta ordem, a banana, o açúcar, o café e o cardamomo. Cerca de metade das exportações da Guatemala vão para os Estados Unidos.

 

Provavelmente o nome Guatemala vem de Guhatezmalha, palavra indígena que significa “a montanha que verte água”. Isso poderá ter justificação histórica no desastre causado pelo vulcão Água que destruiu a primeira capital espanhola do território, Santiago de los Caballeros de Guatemala (atual Antígua).

Antes da chegada dos colonizadores espanhóis no século XVI, o território que corresponde hoje à Guatemala era ocupado e disputado entre os maias e os aztecas. Os espanhóis chegaram em 1524, chefiados por Pedro de Alvarado, um fidalgo de Badajoz companheiro de Cortez, responsável por parte da conquista da América Central. Eram poucos, mas tinham aliados das tribos locais.

O território foi cenário de guerras de conquista, em que a superioridade tecnológica e de comando e controlo dos invasores compensou o seu escasso número. Também contribuíram para a derrota das populações locais as doenças trazidas pelos europeus como a varíola, o sarampo e a gripe, que dizimaram os maias, sendo responsáveis pela quebra demográfica que então se verificou.

Os movimentos independentistas que, depois das invasões napoleónicas, percorreram a América espanhola trouxeram a sua fragmentação. Ao contrário do império do Brasil, onde depois da independência se manteve a unidade do Brasil colónia, as regiões espanholas centro e sul americanas seriam sacudidas por movimentos político-militares que as fragmentaram. Assim, a República Federal da América Central, com capital na cidade da Guatemala, unia cinco Estados, hoje independentes – Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica; incluía ainda, a norte, Chiapas.

Depois da independência, as tensões político-ideológicas na Guatemala foram entre os conservadores, como o clã Aycinena, e os liberais. Os conservadores mantinham uma cultura política ligada à Espanha e à Igreja Católica e os liberais inclinavam-se para a república laica, com líderes como José Francisco Morazán. Em 1838, os conservadores de Rafael Carrera tomaram o poder. Carrera tornou-se presidente vitalício e o partido conservador ficou no poder até aos anos 1870; depois chegou a vez dos liberais, como Justo Rufino Barrios, que adoptou uma política anticlerical. Economicamente desenvolveram a economia cafeeira.

A transição para o século XX fez-se seguindo o modelo regional dos caudilhos e ditadores, como foi o caso de Manuel Estrada Cabrera (1898-1920) e de José Maria Orellana (1921-1926).

Cabrera introduziu os americanos da United Fruit na Guatemala e a empresa continuou com os seus sucessores. Mas em 1951 uma coligação progressista elegeu como 24º presidente da Guatemala o coronel Juan Jacobo Árbenz, de origem suíça; Árbenz entrou em conflito com a United Fruit e acabou derrubado por um golpe de Estado atribuído à inteligência norte-americana, apoiando o coronel Carlos Castillo-Armas.

Em 1960, imediatamente após a tomada do poder em Cuba por Fidel Castro, estalou uma longa guerra civil na Guatemala. Castilho-Armas, que derrubara Árbenz, foi assassinado em 1957, subindo ao poder o general Miguel Ydígoras Fuentes.
Em 13 de Novembro de 1960 houve um golpe militar falhado contra Ydígoras Fuentes. Falhou, mas foi o rastilho para uma longa guerra civil, quando em 1962 elementos da oposição guatemalteca fundaram o Movimento Revolucionário 13 de Noviembre (MR-13), iniciando a guerra que só terminaria em 1996. A guerra civil da Guatemala, além de muito longa, teve intervenções estrangeiras a favor de ambas as partes – o Governo teve apoio dos Estados Unidos e da Argentina, e os rebeldes de Cuba e da Nicarágua.

A guerra civil começou durante a Guerra Fria e as negociações de paz começaram em 1986, terminando já depois da queda do Muro de Berlim e do colapso da União Soviética. Além do conflito ideológico, havia também razões sociais fundas e questões relacionadas com a representação dos povos locais.

O Acordo de Paz, pomposamente chamado Acuerdo de Paz Firme y Duradera, tinha sete páginas e foi subscrito em 27 de Dezembro de 1996 pelos representantes do Governo e por quatro dos principais comandantes da Unidade Revolucionária Nacional Guatemalteca (URNG). Os presidentes da Colômbia e da Venezuela, bem como o então chefe do Governo de Madrid, José Maria Aznar, também assinaram o acordo.

Um dos problemas da restaurada democracia da Guatemala é a grande proliferação partidária – há quase 30 partidos legalmente existentes e reconhecidos. No presente momento há no país uma crise política eleitoral derivada da tentativa de impedir o presidente eleito, Bernardo Arevalo, de tomar posse em Janeiro. A tentativa viria do tribunal Constitucional, em conluio com o até agora presidente, Alejandro Giammattei.

 

A Guatemala foi o 82º cliente das exportações portuguesas de bens em 2021, com uma quota de 0,03% no total. Ocupa assim a 131ª posição ao nível das importações (INE). Entre 2017 e 2021, as exportações tiveram um crescimento médio anual de 15,8% e as importações de 19,2%. A balança comercial de bens foi favorável ao nosso país, apresentando um excedente de 19 milhões de euros em 2021. Em 2022, o valor das exportações foi de 22 milhões de euros e o das importações de 4 078 mil euros, o que representou um excedente do nosso país de 18 milhões de euros.

 

Na Guatemala estão identificados alguns sectores fulcrais para o desenvolvimento do país, apresentando oportunidades de negócios: o sector da construção de infraestruturas de transportes, energia e telecomunicações, o sector industrial, agrícola e de turismo, e ainda em BPO (Business Process Outsourcing). O Plano Nacional de Desenvolvimento de 2022-24 prevê para estes sectores o desenvolvimento de importantes parcerias público-privadas. A Guatemala tem os impostos mais baixos da América para empresas e investidores estrangeiros.

 

Nome oficial: República da Guatemala
Área: 108,889 Km2
Capital: Cidade da Guatemala
Idioma oficial: Espanhol
População: 17.6 milhões
Religiões: Católica romana (52,7%); protestante (30,4%)
Governo: República Presidencialista
Presidente: Bernardo Arevalo
Moeda: Quetzal Guatemalteco
PIB: 95 mil milhões USD$ (2022 World Bank)
PIB per capita: 4.504 USD$ (2022 World Bank)
Ambiente de negócios: Transparência- 150º/180; Risco Geral-BB; Risco Económico-BB (AAA risco menor- D risco maior); facilidade - 64º/176
Index of Economic Freedom- Heritage 2022: 62.7, (64ª no Index 2023).
Ease of Doing Business Index: 96ª em 190 países; 62.6 pontos (World Bank)

 

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