Surpresa na Argentina

Javier Milei, um economista partidário da liberdade económica radical, ficou à frente nas primárias das eleições presidenciais argentinas de 13 de Agosto. Milei, que tem posições políticas conservadoras – é contra o aborta e a eutanásia e olha com desconfiança a legislação pró-clima – bateu, quer o candidato peronista, Sergio Massa, da Unión por la Patria (27%), quer a candidata da direita tradicional do Juntos por el Cambio, a ex-ministra da Segurança Patricia Bullrich (28,3%). As esquerdas trotskistas não passaram dos 5%.

Estes três favoritos das primárias, que estão muito próximos, reúnem perto de 90% dos votos para as eleições de Outubro.

O voto em Milei, um claro candidato anti-sistema, simpatizante de Jair Bolsonaro e de Donald Trump, revela o descontentamento e a revolta dos argentinos perante o empobrecimento radical do país e uma inflacção de 12% que as duas forças principais – a esquerda peronista, actualmente no poder, e a direita, representada pelo ex-presidente Mauricio Macri, patrocinador de Particia Bullrich – não conseguem resolver.

As primárias são obrigatórias. As eleições disputar-se-ão a 22 de Outubro, com segunda volta a 19 de Novembro, caso seja necessário.

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