
Canadá
Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.
O Canadá é o maior país do hemisfério ocidental, com 9.984.670 km2, e só superado em extensão territorial pela Rússia. Tem o litoral mais extenso do mundo e o seu território é banhado por três oceanos: Ártico (norte), Atlântico (leste) e Pacífico (oeste). Tem uma localização estratégica entre a Rússia e os EUA através da rota polar norte. A sua fronteira comum com os Estados Unidos, no sul e no noroeste, é também a mais longa fronteira terrestre do globo.
Considerado um dos países mais desenvolvidos e a 15ª maior economia do mundo (referência: PIB de 2021), o Canadá tem uma economia diversificada, próspera e estável, dependente dos abundantes recursos naturais – petróleo e gás natural, energia hidroeléctrica, minério de ferro, cobre, zinco, urânio, diamantes, prata, potássio, entre outros – e do comércio (é uma das principais nações comerciais e uma das mais ricas), particularmente com os Estados Unidos, país com que tem um relacionamento longo e complexo. As indústrias tecnológicas, automobilística, petroquímica e de máquinas, bem como as exportações de produtos manufacturados – veículos e peças, maquinaria industrial, aviões, equipamentos de telecomunicações, etc. – têm um peso muito importante na economia do país.
A população canadiana tem um elevado padrão de vida e de renda, tornando o mercado consumidor interno bastante forte, com o consumo privado em contínuo crescimento. O Canadá tem feito um grande investimento no desenvolvimento de tecnologia de ponta, impulsionado por conceituados centros de pesquisas e universidades. A região mais industrializada do país é o Sudoeste da província de Ontário, onde está localizada a cidade de Toronto.
A História do Canadá tem muito a ver, no seu início, com a competição europeia pelos domínios do Novo Mundo, das Américas; enquanto a sul do Rio Grande, acabaram por ser os Espanhóis e os Portugueses os competidores, na América do Norte, foi a rivalidade franco-britânica que dominou e perdurou.
Esta rivalidade começou bem cedo: em 1497, o inglês John Cabot, desembarcou na costa norte-americana e reclamou-a em nome do rei Henrique VII. Mas não foi estabelecida nenhuma feitoria, e só em 1535, Jacques Cartier fundou ali uma colónia a que chamou Canadá ou Nova França, reclamando a soberania em nome de Francisco I, Valois. Nova França e Canadá foram as designações alternativas para esta colónia.
Estes territórios ficaram franceses até à Guerra dos Sete Anos, da qual os Ingleses saíram vitoriosos e pelo Tratado de Paris (1763) tomaram posse do Canadá, que então tinha uma população europeia de cerca de 65.000 colonos. A estes foi garantida pela Coroa britânica a liberdade religiosa – a prática da religião católica – bem como a continuação das leis civis francesas.
Com a guerra da independência americana e no seu rescaldo, muitos “lealistas” – americanos partidários da ligação a Londres – fixaram-se na colónia inglesa do Canadá. Na primeira metade do século XIX houve também um grande afluxo de imigrantes – cerca de 800 mil – vindos das ilhas britânicas.
Em 1867, foi aprovado o Constitution Act, a carta constitucional do “domínio” do Canadá. Por ele as três províncias – New Brunswick, Nova Scotia e Province of Canadá – asseguravam a formação de um Domínio com uma constituição idêntica nos princípios à constituição do Reino Unido. Havia uma Câmara dos Comuns – com 308 membros; a Segunda Câmara não era, como faz sentido, a Câmara dos Lordes hereditários, mas um Senado com 105 senadores. O monarca do Reino Unido mantinha-se como chefe de Estado, representado por um Governador-Geral.
Nos primórdios da História do Canadá, a economia assentou na pesca de longa distância e no tráfico das peles, uma economia como todos as economias das possessões europeias na América, baseada na exploração dos recursos naturais.
Estes recursos foram inicialmente explorados de acordo com as teorias mercantilistas, em regime de monopólios atribuídos a companhias majestáticas que tratavam da produção e exportação de matérias-primas como peixe, peles, trigo, madeiras; os destinatários das exportações inicialmente foram a França e, a partir de 1763, o Reino Unido.
A população também cresceu a um ritmo condicionado pela economia e pelas migrações. Os cerca de 65 mil habitantes em 1763, eram perto de meio milhão nos princípios do século XIX e mais de 3.500 000 em 1871; 50 anos depois, no censo de 1921 eram perto de 8.800 000, e no censo de 2005 eram 32.500 000.
Como um Domínio da Coroa, o Canadá seguiu e serviu a política de Londres, contribuindo com grandes contingentes de tropas na Grande Guerra e na Segunda Guerra Mundial. Como nação integrada no mundo Euro-atlântico, foi também passando, económica e socialmente, pelas suas fases de expansão e crise económica e social. Isto significou um boom no primeiro pós-guerra e nos Roaring Twenties, seguido da crise a partir de 1930.
Os Partidos
A cena política do Canadá mostra um parlamentarismo bipartidário, com o poder disputado entre os dois partidos principais, o Liberal e o Conservador, partidos que ocupam um centro político-ideológico, respectivamente o centro-esquerda e o centro-direita. A maioria pertence aos liberais, com 156 lugares; os conservadores têm 115 deputados; também há um Bloc Quebecois com 32 lugares; e, à esquerda, os Novos Democratas, que neste momento apoiam os liberais numa coligação que tem 181 deputados.
À direita dos Liberais, embora com diferentes designações, há um partido conservador, mais identificado pela sua identidade pró-britânica, o que levou a choques sérios com os Liberais em momentos históricos, como na Grande Guerra de 1914-18, em que uma parte dos Quebequenses eram relapsos ao serviço militar obrigatório.
Ideologicamente, o primeiro-ministro Justin Trudeau, filho do antigo primeiro-minsitro Pierre Trudeau, tem-se apresentado com uma linha de centro-esquerda ou “liberal-chique”, progressista. O que não é de admirar, pois o próprio líder da oposição conservadora é partidário de políticas ditas progressistas em matéria de costumes – casamento de pessoas do mesmo sexo, agenda LGBT e controlos de imigração. E o país foi, com Portugal, dos poucos na área Norte Euro-atlântica que não experimentou uma viragem à direita, com o aparecimento e crescimento de forças nacionais conservadoras. Isto depois de um longo governo conservador de Stephen Harper; mas o sucessor de Harper e actual líder da oposição, Pierre Poilievry, apesar de se descrever como um “verdadeiro conservador” é, quanto às questões fracturantes, pró-aborto, pró-casamento entre pessoas do mesmo sexo e pró-imigração.
O separatismo do Quebeque
Mas a grande questão na história política do Canadá, uma história relativamente pacífica e no respeito da soberania da Lei e das soluções legais para os conflitos políticos, foi a questão do Quebeque e da identidade político-constitucional dos “Franco-Canadenses”.
A persistência de uma identidade histórico-cultural francesa foi sempre uma realidade no Canadá; daí nasceu um problema do estatuto político-constitucional dessa identidade. Em Setembro de 1960 foi fundado o Rassemblement pour L’Independence Nationale que, de seguida, publicou um manifesto reclamando a independência do Quebeque. O partido, em 1966, nas eleições para a Assembleia da província, teve 8,8% dos votos populares.
Mas o movimento independentista do Quebeque ganhou força em 1967, quando René Levésque, que tinha sido ministro liberal, deixou o partido liberal e fundou o Mouvement Souverainité Association que, em 1968, se fundiu com o Parti Liberal du Québec, formando o Parti Quebecois. Seguiram-se anos de discussão, sempre no plano político-legal e, em 1980, deu-se um referendo constitucional, em que à pergunta se queriam ou não um Quebeque independente do Canadá, cerca de 60% dos eleitores responderam “Não” e os restantes 40% “Sim”. Ganharam assim os partidários da unidade.
Mas os independentistas do Quebeque não desistiram e em 1995 voltaram à carga. Os nacionalistas, soberanistas ou separatistas do Quebeque, invocam a existência histórica de uma “nação” do Quebeque, à qual deveria corresponder um Estado do Quebeque independente. Esta seria a reivindicação da parte francófona dos Quebequenses que, em 1995, conseguiram um novo Referendo. O movimento pró-independência que preconizava o “Sim” era dirigido pelo primeiro-ministro do Quebeque, Jacques Parizeau.
Mas outra vez os unionistas venceram, embora desta vez por uma pequena vantagem. A participação foi intensíssima (93,5% dos eleitores votaram) mas o “Não” acabou por ganhar percentualmente com 50,58% contra 49,42%; mais de cinco milhões de votos, uma vantagem de 54.000 votos, isto é, menos de 1% dos votos contados.
Depois destas duas votações populares, o Parlamento do Canadá aprovou em Otawa, em Novembro de 2006, por 266 votos contra 16, uma moção em que se reconhece que os “Quebecois form a nation within a United Canada”; esta decisão do parlamento federal foi ratificada por unanimidade pela Assembleia do Quebeque e desde então a situação tem-se mantido estável.
O Canadá é um destino de emigração portuguesa, estando actualmente a residir no país uma comunidade de cerca de 450 mil portugueses e lusodescendentes.
O comércio continua a ser a pedra angular das relações bilaterais, que tem ultrapassado anualmente os mil milhões de dólares em bens e serviços. Apoiando-se nas indústrias tradicionais que criaram a base das relações comerciais entre o Canadá e Portugal, os dois países estão empenhados agora em desenvolver novas parcerias em indústrias de ponta, através do comércio e da investigação que envolvem o hidrogénio e as energias renováveis. As comunidades tecnológicas de ambos os países colaboram também em áreas como a inteligência artificial, aeroespacial e cibersegurança. E reconhecendo a importância dos oceanos para ambas as economias, foram desenvolvidas parcerias na investigação científica, tecnológica e comercial para um crescimento sustentável dos recursos costeiros, exploração, preservação e regeneração do ambiente marinho.
Em 2017, o governo canadiano estabeleceu o Canada Infrastructure Bank com o objectivo de utilizar fundos federais para alavancar investimentos privados e financiar grandes projetos de infraestruturas, como os transportes coletivos; até agora apenas uma parte dos fundos dedicados foram utilizados, tendo, a partir de Julho de 2021, aumentado os investimentos bancários aprovados, em capital privado e institucional. O banco faz parte de um plano abrangente do governo para investir cerca de 100 biliões de Dólares Canadianos nas infraestruturas obsoletas do país. Foram definidas três áreas como alvos de investimento: transporte público, comércio e transporte, e infraestrutura verde. Para empresas de engenharia e construção, isto é uma grande oportunidade. Um exemplo do investimento proposto é o projeto Réseau express métropolitain, a construção de uma nova rede automatizada de veículos leves sobre trilhos para servir a área da grande Montreal e tem custo estimado em 6.3biliões de Dólares Canadianos.
Nome oficial: Canadá
Área: 9,984,670 Km2
População: 39.2 milhões
Capital: Otawa
Governo: Democracia parlamentar federal (Parlamento bicameral) sob uma monarquia constitucional;
Chefe de estado: Rei Carlos III, representado pelo Governador-Geral Mary Simon
Chefe de governo: Primeiro-Ministro Justin Pierre James Trudeau (Partido Liberal)
Idioma oficial: Inglês (87%) e Francês (29%)
Religião: Católica (39%); Protestante (20.3%); outras Rel. Cristãs (6,3%); Muçulmana (3,2%)
Moeda: Dólar Canadiano
PIB: USD1.99 (trillion) Dez 2022.
PIB per Capita: USD 51 987,94
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,936; Ranking:15º
Index of Economic Freedom: 73.7, (16ª no index de 2023)
Ease of Doing Business Index: 23ª em 190 economias
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