Cazaquistão

Cazaquistão Mapa Globo

Cazaquistão, um mercado com múltiplas oportunidades a explorar, com nichos de enorme potencial exportador.

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.

 

 

O Cazaquistão é uma república independente situada no coração da Eurásia; o país tem uma enorme extensão, cerca de 2.700 000 Km2 de território, mas uma pequena população de 19 milhões de pessoas, sendo por isso um dos recordistas mundiais de baixa densidade populacional: 6 habitantes por Km2. Desta população, 72% são muçulmanos sunitas, 25% cristãos (maioria de 20% ortodoxos e cerca de 5% católicos e protestantes). Estendendo-se de Oeste a Leste (do Norte do Mar Cáspio à China) por quase 3.000 Km, e de Norte a Sul (da Rússia ao Uzbequistão) por cerca de 1.000 Km, tem longas fronteiras a Norte com a Rússia, a Leste com a China, a Sul com várias Repúblicas (Turquemenistão, Uzbequistão, Quirguistão) da antiga Ásia Central Soviética. É o maior país interior do mundo.


O Cazaquistão declarou a independência a partir da fragmentação da URSS em dezembro de 1991. No século XIII, o território foi dominado pela Horda Dourada, o império mongol, que se dividiu com a morte de Gengis Kahn, em 1227. Durante séculos, o que é hoje o Cazaquistão foi teatro de conflitos e razias cruzadas, comuns nestas grandes planícies. Não poucas vezes as hordas tártaras avançaram para Oeste até à Rússia, Ucrânia, Lituânia e Polónia, que invadiram e saquearam.


Mas a partir do século XVI os movimentos invasores inverteram o sentido e foram os Russos que iniciaram a conquista do território para Oriente: o czar Ivan IV tomou Kazan em 1552. Iniciou-se então uma campanha de cristianização e russificação da região, que no século XIX foi teatro do conflito de influência anglo-russo, conhecido por “Grande-Jogo”. Este conflito, uma espécie de “Guerra Fria” ao longo do século XIX, terminou pela Convenção Anglo-Russa de 1907, que regulou as pretensões dos dois poderes quanto à Pérsia, Afeganistão e Tibete. Os Russos, na sua marcha para o Oriente, intensificaram a “colonização” ao longo do caminho de ferro do Trans-Aral. Neste movimento, cerca de meio milhão de Russos e um milhão de Alemães, Judeus e outros eslavos, foram ocupando o território, originando a resistência, por vezes violenta, dos Cazaques. Com a vitória comunista na Rússia e a fundação da URSS em 1922, veio a estabelecer-se um período de grande violência e perturbações. O Cazaquistão, República Socialista Soviética Autónoma do Cazaque, nos anos 30 e 40 do século passado, foi também um destino de povos deportados, como foi o caso de cerca de meio milhão de alemães do Volga a seguir à Segunda Guerra.


No regime comunista, o Cazaquistão albergou instalações pioneiras de armamento nuclear, o que causou algum descontentamento na população, que ainda hoje manifesta sentimentos de defesa ambiental.


Em 1991, o Cazaquistão foi a última das Repúblicas Soviéticas a declarar-se independente. À semelhança do que aconteceu noutras repúblicas da Ásia Central, Nursultan Nazarbayev, que tinha sido o Secretário Geral do QKP (Partido Comunista do Cazaquistão) e Primeiro Ministro no tempo da URSS, fez-se eleger Presidente do país por 98% dos eleitores, e como Presidente ficou durante cinco mandatos, até março de 2019. Aí, perante sérias manifestações de descontentamento, foi substituído por Kassim-Jomart Tokayev que fora Primeiro Ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros durante a presidência de Nazarbayev, e que não parece ter alterado substancialmente o regime.


De acordo com os dados do Banco Mundial, o Cazaquistão sofreu, como todos os países da Eurásia Central, o impacto negativo da Covid-19, com uma contração de 2,6% da sua economia em 2020. Mas já em 2021 recuperou e cresceu 3,2% e este ano espera-se que alcance o crescimento de 3,7%.


A recuperação começou na segunda metade de 2020 e parece estar a confirmar-se. Como país, é um importante produtor de matérias primas de energia, minérios e alimentação, e dada a recuperação das economias vizinhas da China e da Rússia, o Cazaquistão tem vindo a ganhar com as subidas dos preços agrícolas e das commodities. As exportações para a China, sobretudo, registaram uma forte subida.


Quanto à evolução da Covid-19, que nestes tempos é sempre um fator a ter em conta, registaram-se altos e baixos, e a situação complicou-se nas grandes cidades como Almaty. O programa de vacinação, entretanto, segundo o relatório do Banco Mundial, atingiu em meados de fevereiro de 2022 cerca de 9 milhões de pessoas inteiramente vacinadas, perto de metade da população.


As exportações do país – de energia (petróleo, cerca de 1700.000 barris/dia), minérios (metais ferrosos, minério de ferro, cobre, zinco e alumínio) – em grande parte destinadas à China, continuaram a subir e há boas expectativas para as exportações agrícolas e animais.

 

 

O recomeço das atividades domésticas, com o aumento da procura do petróleo e de matérias primas minerais e agrícolas, bem como com um plano de vacinação que parece estar a resultar permite algum otimismo quanto à evolução da economia. Também se espera uma redução da taxa de inflação.


Mesmo assim, na análise que faz ao país, o Banco Mundial identifica alguns riscos: a Pandemia não está vencida, e já se percebeu que funciona com altos e baixos. A ameaça da inflação nas economias mais avançadas pode levar a um aperto do financiamento das atividades e contrair a expansão e a retoma das economias dos países clientes das exportações do Cazaquistão.


Internamente, mantêm-se os riscos de falências de sociedades ou suspensão de emprego em muitas empresas e negócios, que podem disparar com o fim dos programas especiais de ajuda. O sector bancário pode também sofrer com tal retração.


O país é muito dependente da Rússia e também da China, que é o seu primeiro parceiro comercial (20%) e o principal cliente de urânio, já que no programa geral de descarbonização a RPC vai recorrer ao nuclear.


A economia é pouco diversificada, muito dependente das commodities e da flutuação dos seus preços. A infraestrutura nacional de transportes e elétrica é pouco desenvolvida. O sistema bancário é frágil. É um país sem abertura ao mar.


A corrupção é muito significativa, com grandes desigualdades sociais. Em janeiro de 2022 houve manifestações populares sérias por todo o país, motivadas pela subida dos preços do combustível. Há acusações de que a centena e meia de oligarcas ligados ao poder familiarmente ou por razões de negócios e família, dominam 55% da riqueza do país.


Mas há aspetos positivos a considerar.


O Cazaquistão tem grandes reservas de petróleo, gás e recursos mineiros. É nomeadamente o maior produtor mundial de urânio (35%). O país tem sido capaz de atrair substancial Investimento Estrangeiro Direto (FDI). Graças às receitas dos hidrocarbonetos, o Estado tem um fundo soberano de reservas financeiras considerado significativo. Uma taxa de câmbio flutuante é outro dos fatores a considerar.


Localizado entre a Rússia, a China e a Europa, o país pertence à EAEU (União Económica Euro-Asiática) e à BRI (Iniciativa da Rota da Seda – China).

 

 

Durante muito tempo um mercado quase desconhecido para as empresas portuguesas, o Cazaquistão tem paulatinamente vindo a surgir no radar de muitas delas, que começam a explorar as oportunidades de negócio numa região tradicionalmente pouco considerada nas suas estratégias de internacionalização: a Ásia Central. Com efeito, o conjunto dos cinco mercados que compõem esta região, tem ainda um peso muito reduzido no comércio internacional português (0,04% em 2021).


Mas o cenário tem vindo a alterar-se e o Cazaquistão é disso um caso paradigmático. A comprová-lo, está, por exemplo, o aumento do número de empresas portuguesas a exportar para o país: das apenas 28 de que havia registo em 2010, os dados relativos a 2019 apontam para 113. Numa primeira leitura, principalmente considerando o número significativamente maior de empresas a exportar para tantos outros mercados, este número pode não causar especial entusiasmo. Sublinhe-se, porém, que se trata de um aumento superior a 403%, o que é verdadeiramente revelador da crescente perceção por parte das nossas empresas das oportunidades que oferece o mercado cazaque.


Os números do comércio internacional com o país parecem contrariar este quadro. No último ano, os fluxos comerciais entre Portugal e o Cazaquistão rondaram os €32,254 milhões. Tendo isto representado uma subida de 260% face a 2020 – um crescimento que deve ser cuidadosamente analisado face ao contexto excecional do ano de pandemia marcado por uma quebra de 96% das trocas –, a verdade é que, no quadro geral do relacionamento com o país, a tendência é de diminuição. Retirando o ano de 2021 da equação, a taxa média de crescimento do comércio com o Cazaquistão ao longo da última década é de -8,3%. Mais ainda, comparando os valores de 2010 com os de 2019, a quebra é ainda mais acentuada: - 66,2% no valor das trocas.


Importa, no entanto, esclarecer que o que explica esta tendência de diminuição é a trajetória das importações e não das exportações. Vejamos.


Retirando uma vez mais o ano de 2021 da análise – ano marcado por uma expectável recuperação tando das exportações (6,5%) como das importações (519%) face à tendência generalizada de contração das trocas do ano anterior –, todo o período que lhe antecedeu, desde 2010, revela uma tendência de diminuição das importações (-8,6%), contra um crescimento das exportações, em média de 17,7% ao ano, ao longo dos últimos dez anos. Mais ainda, de 2010 para 2019, as importações caíram 67%, ao passo que as exportações registaram uma espetacular subida superior a 258%. Por outras palavras, até ao eclodir da crise pandémica, Portugal estava a comprar menos ao Cazaquistão do que comprava no início da década e a vender substancialmente mais.


O caminho tem sido, por isso, altamente encorajador. No entanto, ainda não o suficiente para reverter a balança comercial com o país, tradicionalmente negativa para Portugal. Na mesma linha deve ser entendida a maior preponderância do Cazaquistão enquanto nosso fornecedor (78º lugar em 2021) do que enquanto cliente (127º lugar).


Num ano em que as exportações com destino ao Cazaquistão superaram os €4,827 milhões, o grande destaque em 2021 foi para as vendas de matérias têxteis: não apenas por terem ocupado o 1º lugar no ranking de produtos mais exportados (22%), como, acima de tudo, pelo facto de terem registado uma subida de 265% face a 2020 e de 257% face a 2019. O dinamismo deste setor e o seu potencial exportador são evidentes. Seguiu-se, de muito perto, o grupo das madeiras e suas obras, do carvão vegetal e da cortiça (21,5%), embora evidenciado uma muito menor taxa de crescimento; e em 3º lugar, o calçado, chapéus e artefactos de uso semelhante (12,2%). No 4º lugar do ranking surgem as exportações de material de transporte (6,5%) que, embora com menor peso no total exportado, revelaram também um potencial de crescimento verdadeiramente notável: 1051% face a 2020 e 140% face a 2019. Finalmente, os instrumentos e aparelhos de ótica e precisão (6,3%) que em 2021 superaram os valores de exportação pré-pandemia.


Fora deste “top 5”, merecem ainda destaque as exportações:

  • de metais comuns, que não só recuperaram de forma notável face a 2020, como em 2021 já haviam superado em mais de 150% os valores de 2019, e aqui o maior destaque vai para o alumínio (+955%);
  • de produtos alimentares e bebidas (+213,5%), em grande parte devido ao aumento das exportações de preparações de produtos hortícolas e de frutas (+638%);
  • de produtos farmacêuticos (+380%)
  • de produtos cerâmicos (+331%), vidros e suas obras (+184)
  • de instrumentos musicais e acessórios que nem tão pouco eram exportados e que passaram ser.

Ainda geralmente percecionado como distante e de menor relevância para as empresas portuguesas, o Cazaquistão é um mercado com múltiplas oportunidades a explorar, com nichos de enorme potencial exportador, e que por isso importa conhecer e desmistificar.

 

 

Localização geográfica: Ásia Central, entre a Rússia (a Norte), a China (a Este), o Uzbequistão e o Quiguistão (a Sul), o Turquemenistão (a Sudoeste) e o Mar Cáspio a Oeste
Capital: Nur-Sul-Tan (antiga Astana)
Território: 2.699.700 Km2 (área terrestre)
População: 19,246 milhões (CIA WFB, est. Jul 2021)
Língua: Cazaque (oficial), Russo (cooficial), Inglês (disseminação entre alguns grupos etários)
Moeda: Tenge cazique (KZT)
Ranking Doing Business Report 2020: 25/190 (+3 posições)
World Competitiveness Ranking 2021 (IMD Business School): 35/64
Index of Economic Freedom – Heritage 2022: 64/177 (-6,7 pontos)
PIB, taxa crescimento real: 3,9% (est.2022, FM

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

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