Exportar 2022

"As empresas perspetivam um acréscimo nominal de 6,5% nas suas exportações de bens em 2022 face ao ano anterior". É assim que, no seu boletim de 11 de janeiro de 2022, o INE abre a sua primeira previsão para as exportações portuguesas para o ano que agora começou. Acrescenta, "a confirmarem-se estas perspetivas, em 2022 os valores de exportações de bens serão superiores aos registados no período pré-pandemia." Boas notícias de que queremos fazer eco. É sempre bom começar com boas notícias.

O aumento em causa será mais fortemente alavancado pelas vendas com destino aos mercados fora do espaço comunitário europeu (+7,7%), uma vez que o crescimento das exportações para os parceiros da UE deverá ser menor (+6). Por grandes categorias económicas, os maiores aumentos estão previstos para as exportações de máquinas e outros bens de capital (à exceção do material de transporte) e os seus acessórios (+9,3%) e os produtos alimentares e bebidas (+5,3%).

Os números resultam do Inquérito sobre Perspetivas de Exportação de Bens (IPEB), realizado em novembro de 2021 - envolvendo 3227 empresas localizadas em Portugal e que, em 2020, representaram 90% das exportações nacionais de bens superiores a € 250 mil - e constitui a primeira previsão das empresas para a evolução esperada das exportações de bens para 2022. Números encorajadores, apresentados no seguimento da divulgação das estatísticas de comércio internacional referentes ao mês de novembro e que davam conta de um aumento de 16% nas exportações nacionais naquele mês. Olhemos, então, os números.

As previsões agora conhecidas para 2022, não apenas vêm em linha, como reforçam a revisão em alta (em +6,3 p.p.) que havia sido feita na segunda previsão para 2021 para uma variação global espectada de 13,5%, face aos inicialmente esperados 7,2%. Mais ainda, elas vão ao encontro da informação disponível relativa ao comércio internacional e que aponta para uma variação nominal ainda mais expressiva de 17,6% (jan-nov 2021).

Tratam-se de variações muito positivas e encorajadores e que resultam não só de um aumento de quantidade exportada, mas, acima de tudo, do valor da exportação.

O forte aumento dos preços verificado ao longo de 2021 teve um impacto muito significativo na subida do valor das exportações. Dados do INE dão conta de uma enorme diferença na variação dos preços antes e depois do contexto de pandemia. Se entre janeiro e dezembro de 2019 a taxa de variação homóloga dos preços se situou entre -1% e +1,5%, em 2021 a amplitude dessa variação foi muito maior, situando-se entre 1% (no início do ano) e os 12% (set-out).

Quanto aos mercados de destino, não conseguimos apurar dados mais detalhados a este respeito na perspetiva das empresas. No entanto, dados do INE relativos ao comércio internacional de 2021 (jan-nov) revelam variações importantes face a igual período pré-pandemia (2019) e que podem ser reveladores de possíveis tendências de exportação para 2022.

Entre alguns dos mercados para onde as empresas portuguesas duplicaram ou triplicaram as suas exportações encontram-se o Turquemenistão (+682%), o Benim (+264%), a Libéria (+255%), a Rep. Dem do Laos (+225%), o Jibuti (+171%), a Tanzânia (+168%), a Rep. Centro Africana (+157%), o Sahara Ocidental (+144%), o Usbequistão (+ 143%), o Sri Lanca (+140%), a Gronelândia e a Argentina (+114%), e a Moldávia (+107%). Com variações menores, mas ainda assim bastante significativas (entre os 50% e os 100%) destacam-se as Honduras, o Japão, a Nova Zelândia, o Burundi, a Austrália, a Coreia, a Islândia, a Costa Rica, Israel e um conjunto de Estados insulares não tradicionalmente considerados entre os nossos exportadores, mas que evidenciaram especial potencial.

Os números falam por si e são reveladores. A maioria destes mercados está longe de integrar os lugares cimeiros entre os mais relevantes para as nossas exportações. Mas num contexto de enorme dificuldade em que, à semelhança do passado, as nossas empresas tiveram de se adaptar e reinventar, muitas delas procurando novos mercados para continuar a vender, ou até mesmo sobreviver, foram aqueles mercados os que apresentaram maior crescimento. Boas notícias de que queremos fazer eco. É sempre bom começar com boas notícias.

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