Arábia Saudita

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Arábia Saudita, um dos principais players energéticos do mundo!

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permitem ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.

 

 

Detentor das segundas maiores reservas, segundo maior produtor e primeiro exportador mundial de petróleo, a Arábia Saudita é inquestionavelmente um dos mais importantes players energéticos do mundo, condição que esteve na base do crescimento e desenvolvimento do país ao longo dos anos, e que permitiu ao reino saudita afirmar-se como principal economia do Médio Oriente.

Com um PIB calculado em 680,897 mil milhões de USD (2020), o país é responsável por quase 21% da economia da região, com o petróleo ainda a figurar no centro da estrutura económica do país. O sector petrolífero responde por quase 80% das exportações sauditas, 70% das receitas governamentais e por mais de 40% do PIB. Embora estes números já revelem uma certa diminuição face a anos anteriores, o peso do petróleo na economia do país é ainda muitíssimo significativo, razão pela qual a palavra-chave na economia continue a ser “diversificação”. Um imperativo estratégico para os sauditas que representa também uma oportunidade para os investidores e parceiros internacionais.

Depois de um início de década (2010-2015) particularmente favorável à economia saudita, com um crescimento médio superior a 5%, tendo mesmo aproximando-se dos 10% em 2011 - devido ao aumento da produção e exportação de petróleo na sequência das “Primavera Árabes” e dos seus efeitos em outros países da OPEP -, os anos mais recentes foram de abrandamento. Os cortes de produção da OPEP no âmbito da crise do petróleo, a crescente concorrência resultante da produção de óleo de xisto por parte dos EUA, e o ataque de drones às refinarias sauditas já em 2019, resultaram em mais uma fase de contração económica, com aquele ano a fechar com um crescimento de apenas 0,3%, depois dos 2,4% registados em 2018. De acordo com as últimas previsões do FMI (Out 2020), devido ao surto de Covid-19, o crescimento do PIB deverá ter caído ainda mais para os -5,4%. No entanto, a recuperação deverá chegar já em 2021 (3,1%), devendo manter-se em torno dos 2,8% a 3% nos anos seguintes, sujeito à recuperação económica global pós-pandemia.

Os números poderão não ser particularmente expressivos, mas apontam para uma retoma que certamente beneficiará de outros trunfos que esta economia apresenta: um sistema bancário e financeiro sólido; a continuação de políticas de atracção de investimento estrangeiro que vêm sendo postas em prática nos últimos cinco anos; um mercado interno de mais de 33 milhões de consumidores, com um dos mais altos padrões de vida em todo o Médio Oriente e com uma clara apetência para o consumo; estabilidade política interna e um ambiente de negócios cada vez mais atrativo para investidores e empresas internacionais.

De sublinhar, a espetacular subida de 30 posições no ranking do Doing Business Report de 2020, para o 62º lugar, com destaque para as enormes melhorias em áreas como a “facilidade em se iniciar um negócio”, “protecção aos investidores”, “registo de propriedade”, entre outras áreas nas quais a Arábia Saudita actualmente concorre com as economias mais avançadas e competitivas do mundo.

Fruto de uma trajectória orientada para uma crescente modernização do país, a Arábia Saudita é hoje uma economia desenvolvida, moderna, tecnologicamente avançada e com boas perspectivas de recuperação económica.

 

 

O objetivo estratégico de diversificação da estrutura económica do país, que na sua expressão mais recente tomou forma através do ambicioso programa “Visão 2030”, tem passado por um enorme investimento público em infra-estruturas. Um dos principais sectores visados tem sido o dos transportes, através do alargamento da rede de transportes, com destaque para os caminhos-de-ferro e portos. O sector da construção associado a estes grandes projetos tem por isso conhecido um enorme desenvolvimento. Ainda no sector dos transportes, deverão também ser consideradas oportunidades nas áreas dos transportes de carga a nível interno, aéreo e marítimo.

Em paralelo com esta política de grandes obras públicas, é também objetivo do governo aumentar os níveis de participação privada e de investimento estrangeiro no sector da energia e da água, nomeadamente no que respeita às respetivas redes de distribuição. De notar, igualmente, a aposta que vem sendo feita no desenvolvimento dos subsectores da energia eólica, solar e nuclear.

O sector petroquímico é outro em expansão e que pode oferecer oportunidades de negócio, quer pela procura de novas refinarias, quer pela tendência para investir em químicos diferenciados.

As tecnologias de informação e comunicação estão igualmente em franca expansão e o crescimento verificado tem sido acompanhado por um processo de liberalização do sector, com aumentos significativos de competitividade.

Outro sector a destacar é o da saúde, onde a procura tem vindo a aumentar consideravelmente – tanto no sector público como no privado – levando o Governo a recorrer cada vez mais a parcerias público-privadas e os grupos de saúde e farmacêuticas a procurarem cada vez mais parceiros estrangeiros.

Habitação, turismo, plásticos e metais, cimento e fertilizantes são outras áreas/indústrias que têm registado um importante desenvolvimento a que não é alheio o sector privado.

De um modo geral, e considerando a transversalidade do programa de diversificação económica, espera-se uma continuidade da procura face à importação de máquinas, matérias primas e outros bens intermédios necessários aos grandes investimentos nacionais.

Fruto de condicionalismos geográficos e climatéricos, a Arábia Saudita importa uma parte substancial dos produtos agrícolas e alimentares de que necessita, podendo aqui surgir oportunidades para as empresas com capacidade de produção, exportação ou implementação no mercado saudita. Ainda ao nível das importações, o sector automóvel merece ser analisado em várias das suas vertentes (partes, componentes etc.).

Este não é, porém, um mercado isento de riscos.

No plano macro, apesar dos esforços encetados com vista à diversificação económica, o país permanece fortemente dependente do petróleo, estando por isso vulnerável a flutuações de preço, choques e “guerras petrolíferas” que podem ter impactos muito negativos na economia do país.

A nível geopolítico, tratando-se de um mercado do Médio Oriente e, mais ainda, de uma das duas grandes potências da região, em paralelo com o Irão (país com o qual a Arábia Saudita tem um histórico de relações frequentemente conflituosas), deverá ser sempre tida alguma cautela na análise de perspetivas e riscos de investimento. O país está inserido numa região historicamente conturbada, onde fatores políticos, securitários, estratégicos e até religiosos podem elevar o nível de tensão com os países vizinhos, com repercussões negativas ao nível da flutuação de preços de várias commodities essenciais às economias do sec. XXI, turbulência nos mercados financeiros, estabilidade do ambiente de negócios etc.

 

 

Apesar das transformações que vêm sendo operadas, do potencial e das oportunidades que apresenta, as relações comerciais de Portugal com a Arábia Saudita vêm registando uma tendência de diminuição desde, sensivelmente, o início da década. Um dos sinais que assim o atesta, é a descida do país no ranking dos nossos parceiros comerciais: atualmente (Jan-Mai 2020) 45º cliente e 19º fornecedor, o que significa uma descida de 9 e 6 posições, respetivamente, quando comparado com o ano de 2011.

Os últimos anos (2017-2019) trouxeram sinais animadores, registando-se um crescimento médio anual das trocas acima dos 15%. Ainda assim, o valor dos fluxos comerciais permaneceu abaixo dos valores registados no início da década. Se entre 2011 e 2012 as trocas com o reino saudita conseguiram manter-se acima dos mil milhões de euros, nos últimos três anos esse valor (médio) ficou-se pelos 810,5 milhões de euros. Acresce, que este quadro mais recente de recuperação foi, no essencial, suportado pelas importações (maioritariamente de combustíveis minerais), que entre 2017 e 2019 cresceram a uma média de 20,1% ao ano, contra um crescimento das exportações de -6,2%, no mesmo período considerado.

Reflexo direto desta trajetória, foi o agravamento do já tradicional défice da nossa balança comercial, que em 2019 ficou muito perto dos -706 milhões de euros, em resultado dos 800,07 milhões de euros em importações e apenas 94,1 milhões de euros em exportações.

Dados disponíveis relativos ao último ano (Jan-Mai 2020), continuam a revelar um maior protagonismo das nossas importações face às exportações, com as primeiras a atingirem 195,5 milhões de euros e as segundas 39,3 milhões de euros. Valores que representam quebras face a igual período de 2019 e que vieram inverter o ciclo de recuperação das relações comerciais com o país que vinha sendo registado desde 2017. Quadro ao qual não serão certamente alheios fatores sistémicos e conjunturais e que devem ser interpretados no âmbito da contração generalizada do comércio mundial que marcou o último ano.

Mas há notas positivas a registar. Desde logo, se é certo que os primeiros cinco meses de 2020 revelam uma contração dos fluxos de comércio de quase -42%, é igualmente certo que essa contração foi significativamente mais pesada do lado das importações (-45,9%) do que das exportações (-9,8%), com estas a mostrarem-se bem mais resilientes do que aquelas. Igualmente encorajador, é o aumento do número de empresas portuguesas a exportar para a Arábia Saudita e que em 2019 contavam-se em 545, i.e., mais do dobro do que no início da década, altura em que não chegavam às 250. Não menos relevante, é a evolução verificada nos números desde 2011 até aos anos mais recentes (2019) e que mostra que, pese embora a já referida tendência de contração das trocas com o país, as exportações cresceram 1,22% enquanto as importações -12,5%. Por outras palavras, ainda que o valor global das trocas com a Arábia Saudita esteja aquém do verificado no passado, estamos hoje a exportar mais do que exportávamos e a importar menos do que importávamos há cerca de dez anos.

De um dos lados desta equação, torna-se muito claro: há potencial exportador a explorar e importa clarificar em que sectores. Desde logo, tratando-se dos produtos alimentares que em 2019 representaram 20,6% do total das nossas exportações para o mercado saudita, fruto de um crescimento de 19,4%. Seguiram-se os minerais e minérios (17,4%), as máquinas e aparelhos (10,9%), as pastas celulósicas e papel (10,2%) e os produtos químicos (7,4%). Uma estrutura que no essencial se manteve durante os primeiros cinco meses de 2020, à exceção das pastas celulósicas e papel que desceram no ranking das nossas exportações, sendo substituídas no top five pelas exportações de produtos agrícolas, em resultado de um importante crescimento de quase 140% face ao verificado em 2019. Mais significativa ainda, foi a subida das exportações de veículos e outros materiais de transporte (481%) e dos instrumentos de ótica e precisão (131%) que, ocupando posições mais modestas entre os produtos mais exportados, revelam indubitavelmente grande potencial exportador.

Tomate preparado ou conservado, arroz, águas (minerais, gaseificadas, adicionadas de açúcares), vestuário, roupas de cama e de mesa, peles e couros, plásticos e borrachas, móveis etc. são outros nichos com grande potencial a explorar pelas empresas portuguesas. 

 

Localização geográfica: Médio Oriente, entre o Golfo Pérsico (a Este) e o Mar Vermelho (a Oeste), fazendo fronteira com o Iémen e Omã (a Sul), os EAU e o Qatar (a Este), a Jordânia, o Iraque e o Kuwait (a Norte)

Capital: Riad

Território: 2.149.690 Km2 (área terrestre)

População: entre 34,17 milhões (WFB est.2020) e 34,27 milhões (BM est. 2019)

Língua: Árabe (oficial)

Moeda: Rial (SAR)

Ranking Doing Business Report 2020: 62/190 (+ 30 posições)

Global Competitiveness Index 2019: 36/141 (+ 3 posições)

Index of Economic Freedom-Heritage 2020: 83/180 (+1,7 pontos)

PIB taxa crescimento real: 3,1% (FMI, est.2021)

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

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