Os riscos associados à internacionalização e a exportação

1. Quais os principais riscos associados à exportação e à internacionalização das empresas?
Os principais riscos, e considerando-os por grupos, são os que se seguem: Legais e Regulatórios, Continuidade do Negócio, Colaboradores, Crédito e Protecção do negócio e Político, Responsabilidades diversas e os Globais.

 

2. Quais são aqueles que preocupam mais as empresas nacionais? Porquê?
De uma forma geral, e atendendo à especificidade do negócio, países de acolhimento ou de destino, entre outros, os riscos podem ser diversos e serem foco de maior ou menor preocupação precisamente pelas particularidades já referidas. No entanto podemos realçar os 5 riscos que são transversais e preocupam unanimemente as empresas, e que são:

 

Ao nível das Responsabilidades:
A Responsabilidade Civil dos administradores, Directores e Gerentes de empresas na medida em que operam num ambiente cada vez mais complexo, hostil, desafiante e concorrencial. Este facto conduz a uma maior exposição dos próprios e das respectivas empresas a reclamações decorrentes das suas decisões e acções ou omissões. Os alegados ou efectivos erros de gestão podem passar, entre outros, pela quebra de confiança, violação do dever profissional, negligência e comunicação inexacta de informações.
A responsabilidade e a preocupação aumenta quando estes gestores têm de tomar decisões, e que muitas vezes passa pela realização de contractos complexos, em economias que lhe são desconhecidas, no que respeita por exemplo às leis aplicáveis, regulação, praticas de mercado, entre outros.
A Responsabilidade Civil Exploração da empresa e dos seus produtos e eventual retirada do produto em consequência de produto defeituoso. Nesta medida existe uma grande preocupação por responsabilidade civil legal da empresa, que lhe venha a ser imputada, decorrente do exercício da sua actividade comercial e ou industrial nos países de acolhimento ou de destino, das suas operações e instalações e ou dos seus produtos e ou trabalhos prestados no mercado doméstico e ou internacional.
No âmbito da exportação e ou internacionalização o risco inerente ao defeito de produto e ao prejuízo que o mesmo possa causar tanto a terceiros, como ao nível reputacional da empresa, representa uma preocupação substancialmente maior por parte do gestor e da empresa. Numa situação como esta os custos inerentes à reparação e substituição do produto defeituoso e reputação, e atendendo ao facto de se tratarem de economias internacionais com legislações e regulamentos muito próprios, podem ser francamente onerosos e complexos de resolver.

 

Ao nível dos Colaboradores:
Os colaboradores de uma empresa são considerados como um dos activos mais importantes e, quando se considera a deslocação destes activos para mercados externos que podem, inclusivamente, ser sujeito a riscos diferenciados, uma boa e eficiente protecção torna-se obrigatória. É manifestamente uma preocupação das empresas e dos seus gestores garantir que os colaboradores que se desloquem ou estejam expatriados com as suas famílias possam usufruir de uma protecção ao nível de Acidentes Pessoais e Doença e que se caracterize pela excepcionalidade de serviços de valor acrescentado.
Porque os imprevistos acontecem nas deslocações, no trabalho e ou mesmo durante os períodos de descontracção e lazer, e tendo em consideração que muitas vezes o acesso aos cuidados de saúde, nos países de acolhimento e ou destino, são de acesso complexo e oneroso, a garantia de módulos de sensibilização ao perigo e segurança para ajudar as empresas a cumprirem com as suas obrigações de assistência, assistência médica, e o acesso remoto a serviços de enfermagem e evacuação médica de emergência são de extrema importância e prioridade dos gestores das empresas para não comprometer o bem-estar dos seus activos humanos e respectivas famílias.

 

Aon Nível dos Riscos de Crédito e Protecção do Negócio e Politico:
A entrada em novos mercados, que comportam realidades destintas do mercado doméstico, com riscos diferenciados e um profundo desconhecimento dos eventuais parceiros e clientes, as especificações legais e práticas locais, são um dos grandes motivos de preocupação face aos riscos de não conformidade, não pagamento e ou atraso nas vendas, acesso ao crédito bancário e factoring, e o risco politico que possa existir dependo do pais em análise.


Naturalmente que uma decisão que não considere todos os recursos disponíveis e especificidades inerentes á análise dos riscos da entrada em novos mercados, portanto uma decisão menos cuidada, pode levar facilmente a uma estratégia falhada e por conseguinte a um prejuízo podendo, inclusivamente, colocar em causa a continuidade do negócio no mercado doméstico.


Ao nível dos Riscos Globais:
O risco do Transporte de Mercadorias é claramente uma preocupação das empresas quando estas se encontram, sobretudo, no processo de exportação. Á medida que as mercadorias atravessam fronteiras pela via marítima, terrestre ou aérea, o controlo das mesmas torna-se cada vez mais difícil. A globalização fez com que o comércio com países, por exemplo, menos desenvolvidos com infra-estruturas logísticas mais frágeis se tenha tornado uma realidade do dia-a-dia, constatando-se que o risco de roubo e ou desvio das mercadorias em transito continue a aumentar significativamente.


Por outro lado, e fruto do avanço tecnológico a que os mercados se encontram expostos, existe a expectativa, pelo lado dos clientes, para que o prazo médio de recebimento das mercadorias seja cada vez menor e o risco perfeitamente controlado. A possibilidade da falta de entrega de uma mercadoria no prazo estipulado, constitui a possibilidade de um dano ao negócio e que pode passar, para além do impacto financeiro (perda de mercado, diminuição de vendas, interrupção de cash-flow e aumento de custos administrativos) importantes impactos operacionais na empresa tais como a interrupção da cadeia de fornecimento, danos na reputação dentro da indústria e, não menos importante, com os clientes.


Uma má gestão da cadeia do transporte de mercadorias pode, facilmente, colocar em causa todo o investimento e recursos alocados ao negócio doméstico e internacional. Nesta medida, a forma como se segura o transporte, os danos que dai possam advir e a capacidade para gerir o sinistro em território internacional é fulcral para o sucesso da operação.


O risco Cibernético é, actualmente, um novo risco cada vez mais presente e a causar grandes danos ao património electrónico das empresas e instituições pelo mundo fora.


Estes riscos são actualmente uma das principais preocupações de muitas empresas, cada vez mais consciencializadas para temas como o armazenamento de informação em serviços “cloud”, o seu impacto ao nível dos meios de comunicação social, a política de utilização de dispositivos móveis pessoais, a actual dimensão das bases de dados, o crescente envolvimento político em acções de espionagem e, especialmente, os recentes ataques cibernéticos que têm atingido diversas empresas.


Num ambiente gradualmente mais exigente ao nível da regulamentação e com sanções mais severas, no qual se tem vindo a tornar mais frequente a obrigação contratual de subscrição de apólices específicas para riscos cibernéticos, as empresas começam a dar importantes passos no processo de análise e transferência desta componente de risco.


Desde a espionagem industrial, à extorsão e clonagem cibernética, bem como a outras formas de ataques cibernéticos maliciosos, o fim é comum: a perda ou apropriação de dados confidenciais (próprios e/ou de clientes).


Constatando os elevados custos associados às falhas na segurança da informação, com particular destaque nos que resultam de exigências regulamentares (e.g.: cada pais de acolhimento e ou destino terá uma regulação diferente), fundamental se torna PREVENIR o ataque e MITIGAR os riscos que lhes estão associados. Ciente desta necessidade e da compreensão real dos riscos associados a Aon internacional desenvolveu uma ferramenta – Aon Cyber Diagnostic Tool (https://www.aoncyberdiagnostic.com/pt/) que permite às empresas desde logo acederem e verificarem os riscos que possam estar expostas e assim poderem de facto tomar decisões mitigando e prevenindo os riscos.


A ampla variedade e sofisticação dos riscos cibernéticos, a sua feroz evolução e metamorfose, e uma maior exposição na conquista de mercados internacionais, torna difícil encontrar uma única solução que garanta a cobertura de todos os potenciais danos.

 

3. Apresentaram recentemente o Mapa de Risco Político 2014, um guia para os riscos políticos nos mercados emergentes. Que tipo de riscos são analisados e quais as principais conclusões do estudo?

O Mapa de Risco Político mede um conjunto de riscos em 163 países e territórios e assume-se como um instrumento ao serviços das empresas para apoiar na avaliação dos níveis de risco político, particularmente no que se refere a riscos de:

  • Transferência de divisas – ruptura de cadeia logística
  • Jurídicos e regulatórios
  • Interferência política
  • Violência política
  • Não pagamento da dívida soberana

A Classificação de Risco é o resultado do trabalho da Aon Risk Solutions com a parceria da Roubini Global Economics (RGE), com a participação de entidades de referência e resseguradoras globais.

Principais conclusões de 2014:

  • Deterioração dos níveis globais de risco com 6 países a incrementar o seu perfil de risco, 16 a melhorarem e com 22 a registarem alterações face ao ano de 2013
  • Países dos BRICS enfrentam aumento de Risco Político.
  • Estabilização da situação no Norte de África
  • Melhoria do perfil de risco na África Subsaariana

Pode descarregar toda a informação no site www.aon.pt e também descarregar a aplicação para smartphones scanneando o QR code que está no mapa.


4. O portfolio dos estudos que anualmente publicam inclui também o Mapa Anual de Terrorismo e Violência Política. Qual a importância desta ferramenta para a tomada de decisão de uma empresa que está a planear a sua expansão internacional? Onde se situam os principais riscos?
O Mapa Anual de Terrorismo e Violência Política, é de facto uma ferramenta muito importante para ajudar as organizações a avaliar os níveis de risco de terrorismo e violência política em todo o mundo.


O Mapa da Aon mede os níveis de violência política e terrorismo em 200 países e territórios, de forma a ajudar as empresas a avaliar o risco de transferência de dinheiro, violência política e terrorismo. Três abordagens de risco indicam classificações de risco de violência política encontrados pelas empresas:

  • Terrorismo e sabotagem;
  • Greves, motins, agitação popular/distúrbios civis e danos maliciosos à propriedade privada;
  • Insurreição, revolução, rebelião, amotinação, golpe de Estado, guerra e guerra civil;

O Mapa está também disponível em versão interactiva que inclui quatro anos de informação, na qual é possível identificar padrões de risco e, desta forma, tomar decisões de gestão rigorosas relativamente à internacionalização de uma empresa. Paralelamente, são também enviados relatórios mensais com atualização dos ratings e, caso haja alteração de indicadores relevantes, é feito um enquadramento da situação.


Elaborado pela Aon em colaboração com a consultora global de gestão de risco The Risk Advisory Group plc, o Mapa de Terrorismo reflecte as conclusões dos dados recolhidos pelo Terrorism Tracker, Aon WorldAware e a avaliação de especialistas de segurança sobre a situação dos países. A cada país é atribuído um nível de ameaça, que vai do negligenciável, até ao grave, passando pelo baixo, médio e alto risco.


A ameaça terrorista é definida com base numa avaliação da intenção e capacidade de grupos terroristas da região em levar a cabo ataques bem sucedidos.


O Mapa Anual de Terrorismo e Violência Política 2014 da Aon indica que o Brasil foi o único país da América Latina a ver o seu risco aumentar de ‘médio’ para ‘grave’, devido aos violentos protestos antigovernamentais generalizados e em larga-escala, durante o ano de 2013. A análise indica ainda que esta agitação irá provavelmente continuar em 2014 face ao Campeonato do Mundo e às eleições gerais de Outubro. Apesar de algumas melhorias na classificação – oito descidas e apenas uma subida nos 37 países que cobrem a África Subsaariana em 2014, o continente Africano continua com um risco elevado de terrorismo e violência política, com 22 países a registarem risco ‘grave’.


Empiricamente, o Médio Oriente é a região do mundo mais atingida pelo terrorismo, com 28% de todos os ataques terroristas durante 2013 a serem registados naquela região. A nova vaga do jihadismo salafista surgiu no Médio Oriente e na África do Norte, como evidenciado pelo aumento dos níveis de terrorismo. Esta é uma causa e efeito da limitada recuperação política dos países pós-Primavera Árabe e tem contribuído para o aumento dos riscos generalizados de ‘altos’ para ‘graves’ em toda a região.


Ao olharmos para os ataques a negócios por sectores, o do retalho e o dos transportes foram significativamente afectados em 2013, com 33% dos ataques terroristas a afectar o sector do retalho e 18% o sector dos transportes. O sector do retalho inclui locais como mercados públicos que continuam vulneráveis a ataques, conforme confirmado no ano passado, no Quénia. O terrorismo continua a ser uma ameaça variável na Europa e na Ásia, tendo sido a Rússia e a Turquia os países mais afectados durante 2013. Para além disso, os Jogos Olímpicos de Inverno na Rússia, que vão envolver movimentos de transporte significativos de pessoas, são vistos como potenciais alvos terroristas.


Mais, o Japão, Moçambique e o Bangladesh viram também aumentar as suas classificações, com o Bangladesh a testemunhar agitação civil com mais de 70 dias de greves e protestos, particularmente contra os salários baixos e condições de vida na indústria do vestuário, a somar aos problemas que enfrenta o sector do retalho.


No Mapa de Terrorismo e Violência Política 2014, os dados demonstram ainda que:

  • 34 países reduziram a sua classificação de riscos;
  • Quatro países aumentaram a sua classificação de riscos – Brasil, Japão, Moçambique e Bangladesh;
  • A Europa registou melhorias significativas com 11 países a verem removidos os riscos de perturbação;
  • O Brasil foi o único país da América Latina a registar um aumento do risco de ataque;
  • As classificações gerais dos países da Ásia Pacífico e Oceânia permanecem estáveis, com apenas quatro mudanças em 29 países e territórios – Coreia do Sul, Malásia e Samoa a reduzirem a sua classificação de risco - enquanto que o aumento dos gastos militares e as tensões geopolíticas no Japão fizeram aumentar o rating do país;
  • 33% dos países com riscos ‘elevado’ e ‘grave’ encontram-se na África Subsaariana.

Neil Henderson, líder da equipa de Gestão de Crise associada ao Terrorismo da Aon Risk Solutions, disse que “o Mapa mostra que, enquanto que a ameaça terrorista no Ocidente diminuiu, outras regiões estão a testemunhar aumentos significativos na violência e actividade terrorista. Ter acesso a informação regional e baseada em factos permite aos nossos cientes começar a planear o futuro dessas tendências, realizando a necessária identificação de riscos e considerando soluções preventivas de gestão de risco. Esta visão permite aos nossos clientes planear a expansão no estrangeiro ou o crescimento internacional e apoiá-los nos seus esforços para serem resistentes a uma ameaça de violência terrorista ou política."

 

5. Como é que as empresas podem mitigar os riscos associados ao seu crescimento internacional e à procura de novos mercados para expansão do negócio?
Numa altura em que a estratégia de diversas empresas portuguesas assenta cada vez mais na aposta em novos mercados, em que as exportações assumem uma importância crescente no balanço, é fulcral para os decisores nacionais terem um conhecimento aprofundado sobre os desafios e riscos específicos que cada realidade, pais de acolhimento e ou destino, comporta e assim poder conceber um plano estratégico para a mitigação e transferência desses mesmos riscos.


Naturalmente, e inerente ao facto de se tratarem de países, na sua grande maioria, longínquos e desconhecidos com legislações, práticas de mercado, regras e costumes diferentes, ser complexo e muitas vezes impossível a obtenção desse conhecimento.


No entanto a decisão deverá sempre passar pela análise de um conjunto de factores envolvendo a avaliação de diferentes opções em diferentes momentos e, nesta medida, conhecer quais as ferramentas e soluções mais adequadas para apoiar tão importante decisão.
Ciente desta necessidade, a Aon, alicerçada numa rede de mais de 120 países nos quais está directamente presente, concebeu um serviço/produto – o Export Pack - que protege o negócio da empresa durante todo o processo de exportação e ou internacionalização independentemente do sector de actividade. Esta protecção e garantida através de uma solução integrada que não só tem em conta as especificidades, riscos e desafios de cada país (todo o mundo) mas que também é customizada e adaptada às necessidades particulares do negócio de cada cliente. Cada caso é um caso.


Uma das grandes características e valias deste serviço/produto, e em comparação como que é oferecido pelo mercado doméstico tradicional da consultadoria e corretagem de seguros, é conseguir ajudar o cliente, desde o inicio do processo na definição do plano estratégico, com uma informação muito precisa acerca dos riscos que cada local comporta, fruto de uma presença e conhecimento efectivo dos riscos em cada país, e assim poder, desde logo, apresentar uma solução para a mitigação e transferência dos riscos que vá efectivamente ao encontro das necessidades da empresa cliente e em função dos riscos diferenciados em cada mercado.

 

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.