Ao longo da última década, o comércio bilateral entre Portugal e os Estados Unidos tem sido marcado por oscilações entre períodos de maior dinamismo e fases de abrandamento ou mesmo retracção, ainda assim, com uma taxa média de crescimento de 6,3% entre 2009 e 2017. O pior ano foi o de 2009 quando se registou uma quebra nos fluxos comerciais de quase 21%, em muito explicada pela crise financeira iniciada em 2008 e que não deixou de se fazer sentir no plano comercial. Em 2016 registou-se novo crescimento negativo (-5,4%), mas o último ano foi mais encorajador, com as trocas a subirem quase 15%, atingindo um total de 3,844 mil milhões de euros: cerca de 2,85 mil milhões em exportações (+15,5%) e 998 milhões em importações (+13,7%), assim se verificando mais um saldo positivo para Portugal, à semelhança do que foi acontecendo na última década.
O maior ritmo de crescimento das exportações (10%) face ao das importações (0,8%) entre 2009 e 2017 ajuda a esta posição superavitária para Portugal. Igualmente importante terá sido a evolução do número de empresas a exportar para os Estados Unidos que de 2.015 passou para mais de 3.100 entre 2009 e 2016.
Dados relativos a 2018 (Jan-Fev) vêm reforçar este quadro, com um claro predomínio das exportações (441,7 milhões €) quando comparadas com as importações (173,2 milhões €), permanecendo os Estados Unidos um mercado mais relevante enquanto cliente (5º lugar) do que enquanto nosso fornecedor (11º lugar).
No último ano as exportações nacionais com destino ao mercado norte-americano foram lideradas pelos combustíveis minerais (23,6%) e pelas máquinas e aparelhos (10%). Seguiram-se as exportações de produtos químicos (8,1%), matérias têxteis (7,8%) e metais comuns (6,7%). Mas os dados disponíveis relativamente a 2018 (Jan-Fev) mostram uma ligeira alteração nesta estrutura, com os veículos e outros materiais de transporte e a madeira e a cortiça a subiram para o top 5 das exportações para este mercado, denunciando um maior dinamismo destes sectores, fruto das oportunidades de negócio aqui encontradas.
Neste contexto, as necessidades em termos de importação com capacidade de resposta portuguesa em termos de produção e exportação fazem com que o grupo dos instrumentos de óptica e precisão, dos plásticos e borrachas e dos produtos agrícolas se revelam também particularmente pujantes, podendo aqui encontrar-se outras oportunidades de negócio a explorar. Deverá também ser equacionado o potencial exportador de segmentos como o das roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha, o dos pneumáticos novos de borracha, dos móveis e suas partes e o dos vinhos, especialmente o segmento dos vinhos de uvas frescas.

