Indicadores e outlooks macroeconómicos, ratings da dívida, flutuações perigosas nos mercados cambiais, a volatilidade dos mercados financeiros, rácios de uma ou outra ordens… ocupam normalmente o centro das preocupações dos investidores internacionais nas suas análises de risco e de internacionalização. Não sem razão, é certo. Mas igualmente certo é a importância, senão o carácter determinante para algumas daquelas vertentes da análise, do risco político do mercado de destino do investimento ou exportação.
Instabilidade e violência política, desordem social, criminalidade transnacional organizada, a ameaça do terrorismo, contribuem de forma inequívoca para o surgimento de cenários de volatilidade e para um clima de incerteza nos negócios internacionais, que não deixarão de afectar a internacionalização das empresas. E hoje é inquestionável que nem os países ocidentais estão livres deste risco.
Segundo o relatório “2017 Risk Maps for Political Risk, Terrorism and Political Violence” apresentado pela Aon, o número de atentados terroristas nos países ocidentais disparou 174% no último ano e o risco da ameaça terrorista é crescente, afectando um cada vez maior número de sectores em cada vez mais países. Os impactos fazem sentir-se desde a perda de vidas, à interrupção de negócios e distúrbios nas cadeias de abastecimento.
As empresas que operam no sector energético (petróleo e gás) têm sido as mais afectadas, representando mais de 40% dos alvos terroristas de interesse comercial. Em 2016, Colômbia e Nigéria – mercados para onde exportam mais de 600 empresas portuguesas – foram, a este propósito, mercados de particular risco. Arábia Saudita, EUA, Irão, Rússia e Venezuela são outros mercados vulneráveis e de risco, pelo grau de exposição das suas economias ao sector.
A par de ameaças de natureza securitária, a instabilidade política e a instabilidade de políticas são também cruciais na análise de risco que interessa às empresas nas suas estratégias de internacionalização. Este factor de risco pode ser mais evidente em mercados como a Venezuela (para onde exportam 169 empresas portuguesas, muito longe de números de anos anteriores), mas não deixa de estar presente em mercados tradicionalmente considerados como de baixo risco. A viragem nacionalista e proteccionista da Administração Americana, por exemplo, no que interessa ao comércio internacional, não deixará de afectar empresas exportadoras de países altamente expostos ao risco político considerado, em virtude da dependência das suas trocas comerciais com o país. Entre os mais expostos contam-se o Chile, a Colômbia, Hong-Kong, Malásia, Singapura, Taiwan e México para onde exportam cerca de 3.350 empresas portuguesas, além das 2.853 que vendem directamente para o mercado norte-americano.
Cenários de golpes, de conflitos intra e inter-estatais, rebeliões, contribuem para o actual aumento de risco político em vários mercados.
As actuais mudanças no ambiente internacional, alimentadas por diferentes tipos de ameaças, pelo proteccionismo comercial, por movimentos populistas, deverão ter um impacto importante em vários mercados emergentes, mercados de fronteira e, até mesmo, em mercados desenvolvidos. É por isso fundamental às empresas estarem atentas à mudança em curso, apercebendo-se e mitigando o seu grau de exposição ao risco político.

