Administração Trump

Perspectivas para o comércio Internacional

 

hillaryOs Americanos foram a votos no passado dia 8 de Novembro para escolher o 45º Presidente dos Estados Unidos. Depois das primárias de cada um dos lados, na recta final debateram-se, pelo partido Democrata, a ex-secretária de Estado da Administração Obama e ex-senadora de Nova Iorque, Hillary Clinton e, pelo Partido Republicano, o magnata nova-iorquino Donald Trump.

 

Muito se debateu sobre as razões que levaram à vitória o candidato inesperado, politicamente incorrecto e não raras vezes, embora nem sempre correctamente, identificado como “anti-sistema”. Actualmente, o foco incide sobre os possíveis desejáveis e indesejáveis da nova administração. Quanto a nós, importará acima de tudo alertar para as possíveis consequências da nova liderança para a condução da política externa da maior economia do mundo naquilo que interessa ao comércio mundial e liberalização dos mercados.

 

AMERICA-FIRST“America First” foi um dos motos da campanha de Trump. “Americanismo e não globalismo será o nosso credo,” declarou Trump enquanto candidato. Em matéria de política externa, isto significa que o novo presidente procurará guiar a sua acção pela lógica do realismo dos interesses (nacionais), que obrigará a uma rejeição, ou pelo menos uma reavaliação, dos custosos compromissos do país no e com o exterior. Se esta abordagem parece mais perceptível no plano político-militar, ela não deixará de ter implicações no quadro das relações e compromissos comerciais do país com o mundo. Desde a década de 1980’s que Trump vem alertando para a ineficácia (do seu ponto de vista) das negociações comerciais dos EUA e dos resultados que daí advieram para o tecido empresarial norte-americano.

 

Uma vez presidente em exercício, o que esperar das exigências de Trump no plano do discurso eleitoral (e eleitoralista) no sentido na renegociação do North American Free Trade Agreement (NAFTA)?

Irá a nova administração prosseguir uma guerra comercial com a China que, de acordo com especialistas, poderá levar a uma recessão senão mesmo a uma crise económica global? Que consequências para o comércio mundial de uma alteração naquilo que tem sido a posição dos EUA no quadro da actual tensão no mar do sul da China? Mais concretamente para a Europa e para Portugal, depois dos sete anos de dificuldades, reveses e recuos que quase ditaram a morte do acordo de parceria económica e comercial entre a União e o Canadá, o que esperar do futuro das negociações e da viabilidade da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento entre a Europa e os EUA, sabendo das intenções anunciadas a este respeito do presidente eleito?

 

10-donald-trump-debate.w750.h560.2xOs maiores defensores do internacionalismo liberal encontram algum conforto na ideia de que é possível falar-se de uma vitória de Trump que não passe necessariamente por uma vitória do “trumpismo”. Para eles, o novo presidente será sempre confrontado com as limitações inerentes ao sistema político instituído. O que não deixa de ser verdade. Mas importará lembrar que, pelo menos nos primeiros dois anos de presidência, assegurado que está o controlo republicano das duas camaras, não serão de esperar grandes bloqueios à nova agenda republicana.

 

Acresce, que Trump terá ainda à sua disposição algumas ferramentas imediatas para implementar a sua agenda nacionalista. O recurso à figura das executive orders, tantas vezes utilizado pelo seu antecessor, Barack Obama, em áreas tão diversas como a segurança, energia, clima etc. – e habilmente trabalhadas perante a opinião pública no sentido de uma certa desmistificação e distanciamento face a qualquer ideia de centralização do poder – poderá também ser uma marca da presidência de Trump. Tudo dependerá do equilíbrio de poderes a cada momento encontrado, dos compromissos associados e, importa não secundarizar, do impacto que este exemplo de selfmade man quererá deixar na história do país e do mundo.

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

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