
Colômbia
Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.
A Colômbia apresenta uma grande diversidade territorial, de recursos naturais e energéticos. Uma das suas principais atividades económicas e de exportação é a exploração de petróleo, mas também o gás natural, o carvão (de que é o maior produtor regional) e a energia hidroelétrica. Tem uma produção agrícola importante e reservas de ouro, esmeraldas, ferro, níquel e cobre. Cerca de 80% da população activa está empregada em micro e pequenas empresas que representam mais de 90% do sector produtivo nacional.
A posição geográfica da Colômbia continua a ser o seu motor económico mais poderoso e um incalculável activo geopolítico. Localizado estrategicamente no extremo noroeste da América do Sul, o país funciona como uma placa giratória do continente, unindo as Américas do Sul e Central e servindo de ponte entre os dois grandes oceanos. No Pacífico, abre canais directos, rápidos e eficientes para as economias da região Ásia-Pacífico. Já na vertente atlântica (Mar das Caraíbas), são as trocas com a Europa e a América do Norte que são agilizadas. A sua vizinhança com o Canal do Panamá optimiza e reduz o tempo de trânsito nas rotas marítimas internacionais.
A Colômbia funciona ainda como uma espécie de cruzamento logístico das Américas, actuando como um elo fundamental para a integração de mercados entre a América Latina e as Caraíbas. A proximidade do mercado norte-americano e das grandes rotas globais transforma o país num ponto de paragem obrigatório para o tráfego de mercadorias e cadeias de abastecimento.
Esta capacidade de articulação estende-se também ao nível continental, através das fronteiras terrestres com o Brasil, a Venezuela, o Equador, o Peru e o Panamá, posicionando a Colômbia como um centro de trânsito vital para o escoamento de mercadorias, ligando a região andina e a bacia amazónica aos principais polos de consumo internacionais.
A História da Colômbia moderna começa com a conquista espanhola nos princípios do século XVI. Em 1538 Gonzalo Jimenez de Quezada funda Santa Fé de Bogotá e cerca de dois séculos depois Madrid estabelece ali o vice-Reinado de Nueva Granada, criado em 1717 pelo rei Filipe V de Borbón. Em 1810 rebenta a revolta independentista, chefiada por Simón Bolívar que, depois de doze anos de luta, em 25 de Maio de 1822, obtém a capitulação das autoridades espanholas.
O vice-reinado de Nueva Granada, com capital em Santa Fé de Bogotá, era muito maior que a Colômbia actual, estendendo-se aos territórios que são hoje a Venezuela, o Equador e o Panamá e que formavam então a Grande Colômbia. Nos anos imediatos à independência e depois da morte de Bolívar houve conflitos entre os centralistas – conservadores defensores da unidade Estado-Igreja Católica – e os federalistas, liberais e secularizantes. Estas facções viriam a integrar os partidos que iriam moldar a história política da Colômbia: o Partido Conservador e o Partido Liberal, que funcionariam num rotativismo em permanente oscilação entre competição eleitoral e violência e guerra civil.
A abrir o século XX, entre 1899 e 1902, dá-se a chamada guerra dos Mil Dias. A guerra acaba em 21 de Novembro de 1902 com o “Tratado do Wisconsin”, assim chamado por ter sido assinado a bordo do couraçado norte-americano Wisconsin.
No ano seguinte, em 1903, a influência dos Estados Unidos estimula o secessionismo do Panamá, que se torna independente, pondo fim à Grande Colômbia. Nos anos seguintes, também graças à afluência económica trazida pelo café, o país conhece um relativo período de tranquilidade e paz, com alguma trégua entre conservadores e liberais, geralmente sob o governo dos primeiros. Mas, em 1946, inicia-se um período de grande conflito interno que, muito justamente, vai ficar conhecido como “La Violencia” e que, para alguns historiadores, se irá prolongar por quase vinte anos.
A Colômbia já tinha passado, no século XIX, por revoluções e guerras civis e, no início do século XX, pela Guerra dos Mil Dias. Depois, até aos anos 1930, sob o governo dos conservadores, houve um tempo de paz civil e de desenvolvimento económico, com a exportação de café e o princípio da industrialização.
Se bem que o conflito e o recurso à violência armada nunca tenham estado ausentes da vida colombiana, não restam dúvidas de que a partir de 1946, ou mais exactamente a partir de 1948 e do assassinato do dirigente liberal Jorge Gaitán, a conflitualidade e a violência subiram de intensidade.
Embora o clima já estivesse preparado para tal, foi a morte de Gaitán – antigo alcaide de Bogotá e ministro da Educação e do Trabalho com fama de grande tribuno político depois do famoso massacre de “Las Bananeras” – que desencadeou “La Violencia”. À morte de Gaitán sucedeu o linchamento popular dos suspeitos do crime e uma série de actos de violência na capital – o chamado “Bogotazo” – com mais de mil mortos.
E foi a guerra civil entre liberais e conservadores, uma guerra que durou quase vinte anos e que terá feito entre 200 mil e 300 mil mortos. Tempos vindouros de acirrada violência política tiveram origem neste período e o assassinato de Gaitán em Bogotá, num dia em que o Secretário de Estado americano, George Marshall, ali estava também, foi o inequívoco rastilho de uma violência que não mais parou.
A “Violência” foi um fenómeno com raízes e manifestações políticas, sociais e económicas que atingiu as cidades e o campo colombianos. Em Bogotá, no “Bogotazo”, os incêndios foram muitos e parte da capital ardeu. E houve até tiroteio entre deputados liberais e conservadores no Parlamento.
O conflito alastrou-se, variando em intensidade de região para região. Em 1953 o general Gustavo Rojas Pinilla tomou o poder em nome das Forças Armadas; na ocasião, o jornal conservador El Siglo chamou-lhe “El Segundo Libertador”. O golpe militar vinha na vaga autoritária e ditatorial anticomunista na região – com Perez Jimenez na Venezuela, Trujillo na República Dominicana, Somoza na Nicarágua, Baptista em Cuba e Stroessner no Paraguai.
Em 1957 Rojas abandonou o poder, exilando-se na Espanha de Franco; e em 1958 o conflito terminou com um acordo entre conservadores e liberais, com os liberais assustados com as consequências sociais da guerra.
Mas ao mesmo tempo que terminava “La Violencia” começava um conflito armado interno entre guerrilhas esquerdistas e o governo apoiado por grupos paramilitares. O mais grave é que nessa luta, e também para se financiarem, os beligerantes associaram-se a actividades criminosas, como a produção e tráfico de droga e o sequestro de notáveis ou seus familiares.
Nos anos 1960, o aumento do consumo de drogas como a cocaína nos Estados Unidos e na Europa levou à intensificação da produção e da distribuição de droga na Colômbia – e ao enriquecimento rápido de traficantes que se tornaram famosos, como Pablo Escobar. Pablo Emílio Escobar Gaviria (1949-1993), natural de Medellín, fundou o cartel de Medellín, um cartel com vocação monopolista, associando-se a outros chefes criminosos e desafiando o Estado, ou melhor, os Estados – colombiano e norte-americano. Em 1984, mandou assassinar o Ministro da Justiça, Rodrigo Lara Bonilla; e em 1986 Guillermo Cano, Director do El Espectador que empreendera uma guerra na imprensa contra o chefe narco. Na morte de Escobar estiveram envolvidos, não só elementos da Polícia e da Segurança colombianas e os “Pepes” (Perseguidos por Pablo Escobar), mas também rivais do cartel de Cali. A guerra contra a droga tornara-se um assunto de Estado e a questão-chave da política colombiana.
Entretanto, a violência político-militar prosseguia. Grupos armados como as FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo) e o ELN (Exército de Libertação Nacional) continuaram a luta. Estas organizações armadas, de ideologia marxista radical, mantiveram uma guerrilha no terreno, combatida por sucessivos governos colombianos também através da negociação. Um dos governos que tentou a via negocial foi o de Juan Manuel Santos. Santos, eleito sob a sigla de um novo Partido, o Partido de Unidade Nacional, teve quase 70% dos votos em 2010 e foi reconduzido em 2014. Foi o homem dos acordos com as FARC-EP pelo que foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz. Em 26 de Setembro de 2016, ao cabo de quatro anos de negociações, o Presidente assinou com o Exército Popular um acordo em Havana, Cuba.
Celebrando o acordo, o semanário inglês The Economist, na sua edição de 24 de Dezembro de 2016, nomeou a Colômbia “país do ano”. Só que o acordo foi sujeito a referendo nacional e os defensores do “Não” contaram com dois ex-presidentes, Andrés Pastrana e Manuel Uribe. E o “Não” acabou por vencer por uma pequena margem de 53 mil votos.
No entanto, a seguir aos acordos, 7000 guerrilheiros das FARC-EP entregaram as armas e a própria guerrilha renunciou à violência, transformando-se em partido político. Este abrandamento do conflito permitiu a continuação de um esforço de construção de infraestruturas que já começara a sentir-se durante a presidência de Álvaro Uribe, entre 2002 e 2010.
O sucessor de Santos, Ivan Duque, eleito em 2018 por uma coligação de centro-direita, enfrentou movimentos sociais grevistas, bem como recontros esporádicos, mas significativos, com os elementos intransigentes da guerrilha do Exército de Libertação Nacional.
O seu sucessor, Gustavo Petro, tem uma biografia diferente dos seus antecessores próximos, todos eles vindos da boa sociedade colombiana. Petro foi, na juventude, membro do movimento de guerrilha M-19. Foi capturado, condenado e ficou preso por mais de dois anos. Libertado, entrou na carreira político-partidária como deputado e senador, defendendo causas da Esquerda, especialmente na denúncia dos grupos armados paramilitares e suas ligações aos poderes conservadores. Estes, por sua vez, acusaram Petro de ser o representante na Colômbia da linha “Castro-chavista”.
Mas em 2022, Petro foi eleito presidente, por uma coligação de forças de esquerda – Colômbia Humana, União Patriótica e Partido Comunista Colombiano, unidas na coligação Pacto Histórico. Ganhou a eleição em 19 de Junho contra o candidato conservador, Rodolfo Suarez, por uma escassa margem de 700 mil votos. A sua eleição causou algum descontentamento entre as altas patentes militares. Já presidente, Petro negociou o apoio do Partido Liberal nas duas câmaras, depois de ter prometido moderar o seu programa e não proceder a expropriações e nacionalizações.
Mas o que se ganha de um lado, perde-se pelo outro. Os partidos da esquerda queixaram-se da imobilidade de Gustavo Petro em matéria de reformas económico-sociais. Deram-se também vários escândalos, como o que atingiu o filho mais velho do presidente, Nicolás Petro, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, em negociações com os narcotraficantes. Nicolás fez um acordo com os tribunais e conseguiu ser posto em liberdade, por colaboração com a justiça, documentando a contribuição do crime organizado para o financiamento da campanha do seu pai, e abandonando o lugar de deputado.
Para além destes escândalos o governo Petro tentou impôr uma agenda de esquerda progressista, encontrando uma oposição forte dos partidos da direita e centro-direita, ao mesmo tempo que o investimento estrangeiro directo baixava significativamente, em cerca de 33% enquanto a dívida pública subiu exponencialmente.
Mas o problema mais sério da Colômbia é, de há muito, a questão da segurança, perturbada pelos guerrilheiros esquerdistas do ELN (Exército de Libertação Nacional) que desde os anos 1960, actua no país e na Venezuela. O outro grupo guerrilheiro, as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) uma das mais antigas guerrilhas marxistas-leninistas das Américas, já tinham assinado em 2016 um acordo em Havana para pôr fim à guerra. Mas o projecto “Paz Total” não funcionou, porque o ELN não se rendeu.
Este fracasso pode ser uma das explicações para o resultado das eleições presidenciais colombianas de Junho de 2026. A actual constituição determina que os presidentes só podem estar no poder um mandato de quatro anos, pelo que Petro não se podia reapresentar.
Assim, o Pacto Histórico, a coligação de esquerdas que o elegera, realizou “primárias” em Outubro de 2025: delas saiu vencedor, o senador Ivan Cepeda, comunista, que escolheu como sua parceira de lista, como vice-presidente a senadora Aida Quilcué. Pela direita e centro surgiram várias candidaturas mas a vencedora que disputou uma renhida segunda volta com Cepeda foi a de um recém-vindo na política, advogado e empresário, Abelardo de la Espriella que ficou em primeiro lugar na primeira volta, com 43,7% dos votos; Cepeda ficou em segundo com 40,9%. Na segunda volta, de la Espriella venceu, com 49,66% dos votos entrados ficando Cepeda com 48,7%. A diferença em número de votos, foi apenas de 250 mil para de la Espriella, que foi expressamente apoiado por Trump.
As relações económicas entre Portugal e a Colômbia em 2026 encontram-se num ponto de viragem e consolidação, impulsionadas pela plena aplicação do Acordo Comercial entre a União Europeia e a Colômbia. Esta parceria estratégica e comercial tem facilitado a internacionalização de empresas portuguesas num dos mercados mais dinâmicos da América Latina:
O desmantelamento tarifário atingiu a maturidade total neste ano. A quase totalidade dos produtos industriais e uma vasta gama de bens agrícolas portugueses entram na Colômbia com taxa zero. O Acordo garante também um quadro normativo estável para os exportadores nacionais face à incerteza global.
As exportações de Portugal para a Colômbia totalizaram 81,81 milhões de dólares durante o ano de 2025 e, no mesmo período, as importações de Portugal vindas da Colômbia foram de 81,63 milhões de dólares, de acordo com a base de dados de comércio internacional COMTRADE das Nações Unidas, actualizada em Junho de 2026.
A Colômbia enfrenta sérios desafios de estabilidade energética devido à volatilidade dos preços da electricidade e a secas prolongadas que afectam as centrais hidroeléctricas. Assim, há agora uma forte procura e incentivos governamentais para projectos de energia solar, eólica e biomassa, o que pode ser uma oportunidade para as empresas portuguesas com tecnologia de ponta e experiência consolidada em engenharia, instalação e gestão de redes de energias limpas. Em termos de Infraestruturas de Transporte e Engenharia Civil, o governo colombiano mantém um programa de investimento público para modernizar ligações internas, portos e eixos ferroviários. O historial do sector de engenharia português na América Latina dá-lhe grande credibilidade competitiva face aos concorrentes regionais, o que pode ser uma vantagem no que diz respeito a contratos públicos para a construção de estradas, reabilitação de vias e fornecimento de materiais de construção técnicos.
Há também oportunidades no desenvolvimento de aplicações de software, cibersegurança, inteligência artificial aplicada à banca e soluções de governação digital (e-government), pois a digitalização do sector público e privado é neste momento considerada uma prioridade absoluta para aumentar a produtividade das empresas locais. Portugal tem a vantagem competitiva de se destacar no mercado global pela qualidade do seu polo de inovação digital, distanciando-se de mercados rivais focados exclusivamente em mão de obra barata.
A forte expansão de marcas ibéricas como as Lojas ARA (Grupo Jerónimo Martins) e a implantação logística de redes de retalho com ADN português no território, abrem portas directas para fornecedores nacionais exportarem mais facilmente marcas próprias e produtos de nicho, vinhos, azeites, conservas e produtos alimentares diferenciados, com preços competitivos para a classe média .
Há ainda oportunidades no sector do mobiliário, têxteis-lar, cerâmica de mesa e artigos decorativos de gama média-alta, além de soluções de mobilidade individual sustentável (como bicicletas).
Nome oficial: República da Colômbia
Área: 1.141.748 km²
Capital: Bogotá
Idioma: Espanhol
População: 53.958.739 (Worldometer)
Religião: Cristã: Católica-79%; denominações evangélicas-10%;
Governo: República presidencialista unitária
Moeda: Peso Colombiano
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,788 (alto); 89ª posição no ranking mundial.
Index of Economic Freedom Heritage: 59,8, 91ª posição no ranking mundial;
Ease of Doing Business: 69ª entre 190 economias
A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:
Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa nacional»
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