Turquia

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TURQUIA

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal. 

     

Com uma situação geográfica única, com parte do território na Europa e parte na Ásia, a Turquia serve simultaneamente de ponte e de barreira entre os dois continentes. Situa-se na encruzilhada dos Balcãs, do Cáucaso, do Médio Oriente e do Mediterrâneo Oriental. É um dos maiores países da região em termos de território e população, com uma área terrestre superior à de qualquer Estado europeu. A Turquia é limitada a norte pelo Mar Negro, a sudoeste e a oeste pelo Mar Mediterrâneo e pelo Mar Egeu, a noroeste faz fronteira com Grécia e a Bulgária, a nordeste com a Geórgia e a Arménia, a leste com o Azerbaijão e o Irão, e a sudeste com o Iraque e a Síria. A capital é Ancara e a sua maior cidade e principal porto marítimo é Istambul.

Através das águas do Bósforo e das ferrovias da Rota da Seda, a Turquia facilita o fluxo de mercadorias entre a China, o Médio Oriente e a Europa. O Estreito de Bósforo é uma das passagens marítimas mais icónicas do mundo. Com 32 km de extensão, liga o Mar Negro ao Mar de Mármara (e daí ao Mediterrâneo), dividindo Istambul entre os dois lados, europeu e asiático. É a única saída marítima para países como a Rússia e a Ucrânia, crucial para o comércio de petróleo, gás e outras mercadorias entre a Ásia e a Europa. É uma das rotas marítimas estrategicamente mais importantes e congestionadas e do mundo, com um tráfego de cerca de 48.000 navios por ano, superando significativamente o número de passagens anuais do Canal do Panamá (15.000). Devido a este elevado fluxo e aos riscos de segurança na travessia de Istambul, o governo turco tem promovido o projeto do Canal de Istambul como uma alternativa para aliviar o estreito.

 

1914-2026

Foi nos primeiros meses da Grande Guerra de 1914-1918, que o Império Otomano entrou no conflito geral europeu ao lado dos Impérios Centrais da Alemanha e da Áustria-Hungria. A ligação vinha de longe, de 1898, quando o Kaiser Guilherme II, em visita a Damasco, declarara o seu apoio aos “trezentos milhões de muçulmanos, espalhados pela face da terra”. E em 2 de Agosto de 1914, entre Berlim e Istambul foi assinado um tratado secreto.

No Império Otomano reinava oficialmente Maomé V, 35º e penúltimo sultão da Turquia, mas o poder real estava com o Comité da União e Progresso, dos “Jovens Turcos”, dirigidos por Enver Pachá e Talât Pachá.
Assim Instambul ficou do lado dos vencidos e, em 1918, pagou a factura da derrota e também dos excessos cometidos durante a guerra contra as populações cristãs do Império, nomeadamente os Arménios e os cristãos do Oriente.

Por isso, pelo Tratado de Sèvres (10 de Agosto de 2020) o território do império otomano ficou seriamente reduzido, perdendo, para os aliados anglo-franceses, grande parte dos seus domínios do Médio Oriente.
Estas perdas e a humilhação resultante geraram uma reacção nacionalista e republicana liderada por Mustafa Kemal Ataturk (1880-1938), um militar que, em 1907, criara em Damasco a associação republicana e revolucionária Pátria e Liberdade, que rapidamente ganhou influência entre a oficialidade otomana, desencadeando em 1908 a revolução dos Jovens Turcos. Na guerra Ataturk ilustrou-se em Gallipoli, onde derrotou os contingentes ingleses e australianos e neozelandeses, sendo promovido por distinção a general.

Elevado a “herói nacional”, Mustafa Kemal recebeu muito mal a humilhação de Sèvres. Na sequência, os seus partidários derrubaram Maomé VI, irmão de Maomé V; depois bateu-se contra os gregos e acabou por derrubar o sultão. A República é proclamada em Outubro de 1923, sob o modelo da República Francesa. E Mustafa Kemal é sucessivamente eleito e reeleito presidente em 1923, 1927, 1931 e 1935. O seu governo criou uma rede de caminhos de ferro, milhares de quilómetros de estradas, projectos de industrialização acelerada com fábricas de açúcar e cimento, centrais eléctricas, siderurgias, indústrias químicas. O domínio político cabe ao Partido Popular Republicano.

Depois de um breve período de bipartidarismo, em 1932 Ataturk volta ao monopartidarismo, enviando delegações em visita de estudo à Itália fascista e à Rússia comunista. Hitler chamou então ao líder turco “estrela cintilante”.

Ataturk morreu em 10 de Novembro de 1938 e o seu sucessor, Ismet Inönu, foi eleito no dia seguinte, por unanimidade, pela Grande Assembleia Nacional. Entretanto veio a II Guerra Mundial, em que a Turquia ficou neutral. Mas os resultados da guerra e a pressão dos Estados Unidos levaram a uma liberalização do regime, com a constituição do Partido Democrata como partido de oposição; até 1950, o modelo de dois partidos funcionou. Mas em 1950 e 1954 foram os democratas de Celâl Bayar, depois de Adnan Menderes, os vencedores; e como tal trataram de flexibilizar o kemalismo. Mas o poder militar manteve-se como uma realidade poderosa, sob a égide de Ismet Pachá e Ismet Inonu também, outro companheiro de armas de Mustafa Kemal.

Entretanto, crescia no país a influência norte-americana. A Turquia aderiu à NATO em 1952 e enviou um grande contingente de tropas para a Coreia, em 1957 Eisenhower declarara o propósito de Washington de proteger o Médio Oriente “contra a ameaça do comunismo internacional”. Em 27 de Maio de 1960 veio novo golpe de Estado militar, assumindo o Exército o governo do país, em nome de um Comité de Unidade Nacional, reunindo várias facções com um “Junta” de 38 membros. Os próprios justificaram o golpe, invocando a corrupção do governo dos Democratas.
Mas os autores do golpe estavam longe da perfeita identidade político-ideológica, pelo que se seguiram lutas internas em que, numa primeira fase, os “moderados” neutralizaram os “radicais”. Entretanto, um grupo de académicos preparou a nova constituição de 1961, em que o presidente da República passava a ser eleito por sete anos pela Grande Assembleia Nacional, por uma maioria de 2/3, e era criado um Conselho Nacional de Segurança (CNS), onde se integravam os chefes militares.

Foi aprovado um Plano Quinquenal para a Economia (1963-67), que nos anos 1960 cresceu a uma média anual de 7%, o que levou a uma profunda transformação do país, com a indústria a igualar a agricultura no PNB, passando a Turquia a produzir automóveis, rádios, frigoríficos e outras máquinas.

Entretanto eclodira a crise do Chipre, simultaneamente com os acontecimentos da chamada crise dos mísseis de Cuba. O presidente americano Lyndon Johnson proibiu Ancara de intervir na defesa dos cipriotas turcos, ameaçados por Makarios.

Tudo isto à mistura com crescente caos entre os principais partidos políticos e protestos laborais, ia levar a nova intervenção militar em 12 de Março de 1971, em nome da “restauração da lei e da ordem”, passando a reprimir violentamente os elementos da esquerda revolucionária, como o Exército de Libertação Popular da Turquia, organização claramente terrorista.

Foi extrema a degradação da vida política e social na Turquia durante a segunda metade dos anos 1970, com uma confrontação quase permanente entre radicais de esquerda e direita que levaram a quase 4 mil mortos, uma média de mais de 10 assassinatos/dia. A luta partidária e os governos, entre Suleyman Demirel e Bülent Ecevit, não conseguiram domesticar a violência. Eucevit e Demirel foram-se sucedendo. Por outro lado também, nesta época, os separatistas curdos passaram à acção directa.

O golpe militar de 1980 teve como sequência uma dura repressão, justificada pela situação caótica de segurança a que chegara o país: mais de 650 mil detidos e cerca de 230 mil processados; os tribunais militares pediram 7 mil sentenças de morte para os acusados de terrorismo; destas saíram 517 sentenças de morte, e destes, 50 foram enforcados. Mas calcula-se que mais de 300 presos morreram nas prisões.
A “operação Bandeira”, que derrubou o governo de Suleyman Demirel, foi conduzida pelo então chefe de Estado Maior General, o general Kenan Evren. A classe política foi afastada do poder e uma parte dela exilada; a repressão abrangeu activistas da direita e da esquerda, acusados de terrorismo. Até 12 de Setembro tinham acontecido no país 9 mil actos de violência, com 4 mil mortos e mais de 10 mil feridos graves. A seguir ao período ditatorial da eleição de 1983, saía vencedor o Partido da Pátria, de Turgut Özal. A representação parlamentar abrangeu dois outros partidos, o Partido Nacional Democrático (próximo dos militares) e o Partido Popular. O Partido da Pátria voltou a ganhar as eleições de 1987, mas em 1991 perdeu para o partido de Demirel.

Em 28 de Fevereiro1997 houve outro golpe militar a partir do Conselho Nacional de Segurança, que forçou a demissão do primeiro-ministro islamista Necmettin Erbakan, repetindo o ciclo golpe militar / transição civil democrática / degeneração / novo golpe militar. Mas em 2002 tudo mudou com a vitória do Partido da Justiça e Desenvolvimento (Partido AK) de Recep Erdogan.

A Era de Erdogan
O século XXI turco é, politicamente, dominado pela figura de Recep Tayyip Erdogan. Este foi, entre 1994 e 1998, presidente da Câmara de Istambul e chegou ao poder no fim de 2002, liderando o seu partido, o Partido da Justiça e Desenvolvimento. Na sua primeira década de governo, entre 2003 e 2014, o país conheceu um tempo de desenvolvimento económico que foi muito importante para Erdogan conseguir um amplo apoio popular. Em consequência deste apoio, Erdogan avançou, em termos políticos e geopolíticos, para uma estratégia “neo-otomana”, ou seja, de recuperação da influência nos espaços do ex-Império liquidado no pós-Grande Guerra, uma política em que foi acompanhado pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Ahmet Davutoglu. Foi uma política a favor de grupos pró-islâmicos, como os Irmãos Muçulmanos, do Egipto e os inimigos de Bashar al-Assad, um militar e político xiita da Síria.

Em 2016, Erdogan foi alvo de uma revolta militar inspirada pelos partidários de Fethullah Gülem. Erdogan conseguiu neutralizar a rebelião dos militares. Esta estalou a 15 de Julho de 2016, com os sublevados a invocarem como razão para o golpe a tendência do governo de Erdogan para restaurar o secularismo e combater a progressiva linha autoritária.

Erdogan conseguiu vencer os golpistas, coordenando forças militares e militantes do seu partido. Na sequência, houve uma repressão de grande dimensão, com dezenas de milhares de presos e saneados. Apesar de tudo isto e de alguns problemas com os aliados ocidentais, Erdogan veio a ganhar as eleições presidenciais de 2023 contra o seu mais directo rival, Ekrem Imamoglu.

Somando o seu tempo como primeiro-ministro, 11 anos – de 2003 a 2014 – com os 13 anos como Presidente da República, Erdogan ultrapassou o tempo do grande Ataturk à frente do país. A sua última decisão foi de participar no trumpiano Board of Peace.

 

O ano de 2026 é marcado pela comemoração do centenário das relações diplomáticas entre Portugal e a Turquia o que veio impulsionar e intensificar a cooperação económica, que ultrapassa já os 2,1 mil milhões de euros em trocas bilaterais. A Turquia consolidou-se como um dos principais parceiros comerciais de Portugal fora da União Europeia, funcionando como um ponto central de ligação das empresas nacionais aos mercados do Médio Oriente e da Ásia Central.

 

Investir na Turquia em 2026 oferece vários benefícios para as empresas portuguesas, agora intensificados pelo recente reforço das relações bilaterais.

Sectores como o automóvel, o têxtil e os minerais continuam a liderar o intercâmbio, mas nota-se um crescimento acentuado na exportação de tecnologias de energia limpa e soluções de engenharia avançada de Portugal para o mercado turco.

A realização da COP31 (31.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) na Turquia este ano abriu também janelas de oportunidade ímpares para as empresas portuguesas especializadas em infraestruturas sustentáveis e economia circular. Esta cooperação é reforçada pelas regras da União Aduaneira que permite às empresas nacionais integrar cadeias de valor turcas com elevada competitividade, transformando a Turquia num parceiro industrial importante para a competitividade global de Portugal.

O governo turco oferece programas de incentivo competitivos, especialmente para sectores de Investigação e Desenvolvimento (I&D), automóvel e energia. O país oferece ainda uma mão de obra qualificada e custos de produção competitivos em comparação com a média da Europa Ocidental.

 

Nome oficial: República da Turquia
Área: 783 562 km²
Capital: Ancara
Idioma: Turco
População: 87. 807 000 (worldometer)
Religiões: Islamismo (98% - 99%) predominantemente sunita; pequenas minorias de ortodoxos, católicos e judeus.
Governo: República unitária presidencialista
Moeda: Lira turca (TRY)
Index of Economic Freedom Heritage: pontuação: 56.1; rank : 111ª em 184

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa nacional»

 

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