
Namíbia
Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.
De 24 a 28 de abril, a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa vai realizar a primeira Missão Empresarial à Namíbia.
A Namíbia, situada na costa sudoeste de África, faz fronteira com Angola a Norte, com a Zâmbia a Nordeste, o Botsuana a Leste, a África do Sul a Sudeste e Sul, e o Oceano Atlântico a Oeste, com uma linha costeira de 1.500 km de comprimento. Apesar da grande extensão de território (825 418 km²), a sua população é diminuta, apenas cerca de 2,660 milhões (Worldometer 2023). É o país mais seco da África Subsaariana, mas rico em recursos minerais, incluindo diamantes e urânio.
Cerca de metade da população total vive no extremo norte, e mais de um terço vive em áreas urbanas. A população da Namíbia é jovem – cerca de dois quintos têm 16 anos ou menos - e está a crescer a um ritmo relativamente modesto em comparação com os de outros países africanos.
Até 2015, a economia da Namíbia registou um forte crescimento, com uma média anual de quase 5%. Desde a sua independência em 1990, com estabilidade política e boa gestão económica, a Namíbia fez progressos na redução da pobreza, reduzindo para metade a proporção de namibianos que vivem abaixo da linha de pobreza nacional - para 28,7% em 2009-10 e para 17,4% em 2015-16 (World Bank).
Mas o crescimento estagnou a partir de 2016; este abrandamento foi causado por uma seca severa, diminuição dos preços de venda das matérias-primas, investimento público reduzido, crescimento mais fraco nos países vizinhos, e rigidez estrutural persistente. Os últimos cinco anos foram marcados pela recessão, agravada em 2020, na crise da COVID-19. O investimento público tem sido um importante motor de crescimento, mas os elevados níveis da dívida limitam o espaço fiscal, pelo que será importante encorajar um maior investimento e participação do sector privado.
Os responsáveis pela maior parte da actividade bancária são o, First National Bank of Southern Africa e o Standard Bank Namibia (filiais das empresas-mãe sul-africanas). A reorganização dos bancos de terrenos, habitação e desenvolvimento foi iniciada após a independência. O Banco Central da Namíbia lançou uma moeda independente, o dólar namibiano, para substituir o rand sul-africano em meados da década de 1990.
As exportações constituem até 90% dos bens produzidos. Diamantes, óxido de urânio, carnes, peles e outros produtos animais, metais de base, peixe e ouro são enviados para a África do Sul, outros países vizinhos, e Europa Ocidental. As importações têm origem predominantemente na África do Sul em resultado de laços comerciais de longa data, proximidade, e, até 1992, a adesão da Namíbia à União Aduaneira da África Austral. As principais importações incluem alimentos, bens de consumo, combustíveis e bens de capital.
A nível internacional, a Namíbia aderiu a organizações regionais (Conferência de Coordenação do Desenvolvimento da África Austral e a Organização de Unidade Africana, actualmente a União Africana) bem como a organismos globais (o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, as Convenções de Lomé da CE, e a Commonwealth). As suas relações com a África do Sul têm sido pragmáticas e não contenciosas (também do lado sul-africano).
A Namíbia, país independente desde 21 de Março de 1990, tem uma longa história: foi o navegador português, Diogo Cão, em 1485, o primeiro europeu a pôr o pé no território, na hoje chamada Skeleton Coast, Costa dos Esqueletos, onde ergueu um padrão; seguiu-se o nosso compatriota Bartolomeu Dias, que chegou a Walvis Bay e a Angra Pequena.
Mas o extenso deserto que se estendia a perder de vista tirou o apetite aos navegadores portugueses de explorarem o interior. Mais tarde no final do século XVIII princípios do século XIX vieram missionários ingleses e alemães no intuito de cristianizarem as tribos locais. E depois, ingleses e alemães, já não missionários disputando almas, mas negociantes e políticos disputando recursos, espaços, interesses e território.
Foram os Alemães que ganharam: Adolf Luderitz comprou Angra Pequena a um chefe tribal por 10 mil Marcos e 260 espingardas; depois pôs o seu próprio nome à Angra Pequena e convenceu Bismarck a criar ali em 1884 uma colónia – Deutsch-Sudwest Africa - a que depois anexou a chamada Faixa de Caprivi.
Os Hereros, uma importante tribo local, revelaram-se contra o Protectorado alemão, mas foram derrotados por uma poderosa força expedicionária alemã, em 1904, comandada pelo general Lothar von Trotha. Von Trotha ficaria tristemente famoso pela repressão que se seguiu, uma das primeiras tentativas de genocídio dos tempos modernos.
Com a Grande Guerra, os Sul-Africanos venceram os Alemães e ocuparam o Sudoeste Africano, mas tiveram que enfrentar a resistência dos povos locais - dos Hereros e dos Ovambos. A partir de 1920, a recém formada Liga das Nações entregou à África do Sul, um mandato, para administrar o Sudoeste Africano.
Depois da Segunda Guerra Mundial, as Nações Unidas, como sucessoras da Liga das Nações, tentaram revogar, sem êxito, o Mandato dos Sul-Africanos. Com o clima anticolonial do pós-guerra, os Namibianos iniciaram a luta contra o regime de minoria branca de Pretória: a SWAPO, fundada em 1960, iniciou a luta armada em 1966 e, em 1972, foi reconhecida pela ONU como a única representante legítima do povo namibiano. Os sul-africanos conseguiram controlar a rebelião, mas, em 1975, depois da independência de Angola a situação alterou-se profundamente com Luanda a apoiar a SWAPO; em resposta, as tropas de Pretória, em aliança com a oposição armada da UNITA, passaram a fazer incursões em Angola, onde a SWAPO, entretanto estabelecera bases.
Foi também devido a esta ligação e integração no conflito geral da África Austral, que a partir de 1987-88, quando a guerra em Angola entrou numa espécie de empate técnico, permitindo negociações substanciais, que a Namíbia vai alcançar a independência, graças aos Acordos de Nova Iorque, que levaram a um trade-off - retirada dos Cubanos de Angola contra a retirada dos sul-africanos e independência da Namíbia.
A SWAPO ganhou as eleições de 1989 e o seu líder Sam Nujoma foi eleito presidente em sucessivos três mandatos até 2004, quando foi sucedido por Hifikepunye Pohamba; este, por sua vez foi substituído por Hage Geinegob, o actual presidente.
A SWAPO da luta armada declarava-se, até por necessidade de apoios internacionais soviéticos, um “partido socialista marxista-leninista”; mas o governo namibiano mostrou-se sempre muito pragmático e descendentes dos colonos alemães que compõem ainda hoje 5% da população do país, a minoria branca, continuaram a viver e a trabalhar ali depois da independência.
Esta atitude pragmática e o facto de a população branca ter permanecido, assegurando a continuidade da produção e dos negócios, ao contrário das rupturas em países vizinhos é apontada como uma das características da relativa estabilidade da Namíbia.
O país é rico em diamantes (25% das exportações), urânio, chumbo, zinco, estanho e prata. Produtos alimentares e carne são também exportações importantes. Nos últimos anos a Namíbia atravessou as consequências da crise pandémica, apesar de, como outros países africanos o clima a proteger dos efeitos mais mortíferos.
De qualquer modo houve por ocasião da Covid 19, uma natural queda no turismo e nos investimentos, com cerca de 8% de quebra do PNB, em 2020. Mas este cresceu – segundo o FMI - 2,7% em 2021 e o crescimento deve ter atingido 3% em 2022. Para este ano de 2023 espera-se uma forte recuperação na produção de diamantes, de ouro e de urânio bem como no importante sector turístico.
Como todos os países do mundo, que importam comida e energia, a Namíbia tem sofrido os efeitos da alta dos preços destes produtos, causando pressões inflaccionárias que atingiram 5,8% no fim de Setembro de 2022. Também neste momento 1/4 da população namibiana de mais de dois milhões e meio de habitantes, está na linha de risco de insegurança alimentar. Cerca de 60% do trigo importado vem da Rússia.
As trocas comerciais de bens transacionáveis entre Portugal e a Namíbia representam um total de 4,5 milhões de Euros em exportações e uma média de 23 milhões de Euros em importações, no período de 2017-2021, correspondendo a um saldo negativo da balança comercial de cerca de -18,5 milhões de Euros (INE). No que respeita aos produtos dos sectores agrícola e agroalimentar, mar e florestas, Portugal exportou para Namíbia, no mesmo período, 0,6 milhões de Euros em média anual. O país ocupa assim a 145ª posição em relação ao total dos países, enquanto as importações totalizaram 22,9 milhões de Euros (41ª posição), com um saldo negativo de -22,3 milhões de Euros. Estes sectores representam perto de 14,3% do total de exportações de bens transacionáveis e 99,7% das correspondentes importações.
As áreas potencias de investimento na Namíbia são:
- Minas e Energia (Depósitos minerais extensos - Diamantes, urânio, ouro, cobre, chumbo, zinco e outros metais comuns - Pedras semi-preciosas e diversos tipos de rochas ornamentais, fabrico de jóias);
- Agricultura e Agroindústria (criação de avestruzes, produção agrícola e processamento de alimentos, produção hortícola - uva, azeite, jojoba e flores cortadas, algodão);
- Pesca (Abundantes recursos marinhos e pesqueiros; maricultura e aquacultura; processamento de peixe e conservas);
- Turismo (Paisagens e vida selvagem; boas infraestruturas; Oportunidades no desenvolvimento do mercado da restauração, centros de conferências internacionais, pousadas, parques de diversões, lodges, etc.).
Nome oficial: República da Namíbia
Capital: Vinduque
Idiomas oficiais: Inglês, Línguas regionais: Africâner, Alemão, Damara/Nama, Herero, Kwangali, Ovambo, Tswana e Lozi
Extensão territorial: 825.418 km².
População: 2,666 habitantes (Worldometer2023).
Moeda: Dólar namibiano.
PIB: US$ 23 mil milhões (world economics, 2022).
PIB per capita: US$ 4 865,56 (2021).
Governo: República presidencialista. Presidente: Hage Geingob
Religiões: 65.1% Protestantes (43.7% Luteranos, 4.4% Adventistas do 7º dia, 17.0% Anglicanos e outras denominações protestantes); 22.8% Católicos Romanos; 10.5% religiões não cristãs (principalmente religiões tradicionais africanas, islamismo sunita, budismo); 1.5% não filiados ou não religiosos.
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0.615 - 139º ranking mundial.
Index of Economic Freedom- Heritage: Overall score 59.2; ranking global 95º; ranking África Subsariana 11º (em 47 países).
Ambiente de Negócios: 106-190 (Doing Business Banco Mundial).
A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:
Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067 «Chamada para rede fixa Nacional»

