Ao longo da última década, Macau tem-se afirmado como uma plataforma importante para a promoção do empreendedorismo e das relações de cooperação económica e comercial entre os países lusófonos e a República Popular da China e, neste contexto, Portugal tem apresentado vantagens competitivas face aos demais parceiros da lusofonia. Mas os acontecimentos mais recentes – a 5ª Conferência interministerial do Fórum Macau em Outubro e a visita a Lisboa do governante de Macau, Lionel Leong, entre 5 e 8 de Dezembro, altura em que se reuniu com três secretários de Estado do governo português (Indústria, Comércio e Internacionalização) – parecem revelar uma nova estratégia por parte de Portugal visando alargar o âmbito deste relacionamento a países europeus, sempre via Lisboa, concretamente na área das novas tecnologias e do universo das startups. Por outras palavras, Portugal quer apostar em Macau como plataforma de acesso a mercados da China interior para a exportação de startups nacionais e europeias.
É certo que esta estratégia – assente na centralidade de Portugal e Macau e numa base, já existente, destinada aos empreendedores em Macau que passa por acordos assinados entre a região administrativa e três áreas da Zona de Comércio Livre da província chinesa de Guangdong (adjacente à região de Macau) – representará sempre uma via de duplo sentido, pelo que também empresários chineses e macaenses beneficiarão dos mecanismos de cooperação para os seus investimentos em Portugal e na União Europeia. Ainda assim, as vantagens para Portugal e para as empresas portuguesas parecem evidentes. Vejamos.
Desde logo, há um longo caminho a percorrer para a concretização deste objectivo, nomeadamente se olharmos à necessidade de melhoramento das infra-estruturas dos serviços de internet de Macau, por forma a que estes possam ser equiparados com os níveis de serviços internacionais nesta área. Logo aqui poderão surgir oportunidades de negócio e investimento para as empresas portuguesas.
Estão também em cima da mesa das negociações, possíveis facilidades de exportação na área da tecnologia ambiental, serviços e produtos susceptíveis de aplicação ao sector da protecção ambiental, com especial atenção ao sector automóvel e à indústria chinesa.
Uma outra área que poderá ser incluída é a dos produtos alimentares. Neste caso através do CEPA – Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o Interior da China e Macau, no qual estão previstas isenções de taxas aduaneiras.
Estes são apenas alguns exemplos de sectores com potencial exportador que Portugal pretende potenciar, usando para o efeito a centralidade que o país ocupa não apenas no relacionamento entre Macau e a Lusofonia mas, agora também e no futuro ainda mais (pelo menos esse parece ser o objectivo), no relacionamento entre Macau e a Europa. Fica para ver como será feita a passagem do plano do discurso e das intenções para o plano da prática empresarial.

