Startups Portuguesas: Os “Novos Descobrimentos”

A crise do subprime iniciada em 2007 nos EUA e que provocou o desmoronamento do sistema financeiro, trouxe consigo uma crise macroeconómica que, em diferentes proporções, se fez sentir por toda a Europa. Portugal não foi excepção. Também o nosso sistema financeiro esteve em risco, o país entrou em recessão, os níveis de desemprego subiram para valores muito superiores aos registados nas últimas décadas e assistiu-se a uma perda generalizada da confiança.

Deste clima de instabilidade e insegurança saiu também a necessidade de se adoptar uma atitude pró-activa face ao tradicional quadro do mercado de trabalho, de ter “coragem para fazer acontecer”, de se ser criativo, de inovar e de criar o próprio emprego. Foram muitos aqueles que gradualmente começaram a transformar pequenas ideias de negócio que, a partir do zero, viriam a gerar emprego, exportações e aumentar os níveis de competitividade.

 

Surgiu uma nova geração de empreendedores e hoje fala-se numa mudança de paradigma, de uma revolução – a revolução do empreendorismo.

 

Na sua devida proporção face à dimensão da sua economia e valor do PIB, Portugal tem vindo a afirmar-se como referência no contexto europeu de startups. A trajectória que as startups portuguesas têm feito é de tal forma positiva que já levou a reconhecida revista Forbes a fazer referência ao cada vez maior empreendorismo português. Segundo a revista norte-americana, Portugal é “famoso pelos descobrimentos marítimos, pela sua riqueza histórica e cultural e, agora, pelo seu investimento no empreendorismo.” Tratam-se dos “novos descobrimentos portugueses.”

 

Existem hoje em Portugal mais de 35 mil startups. Algumas são já exportadoras, principalmente para Espanha, Angola e Brasil. Aliás, estudos revelam que uma em cada dez empresas criadas começa a exportar no seu primeiro ano de vida.

 

Trabalhando na área das novas tecnologias, os produtos ou serviços oferecidos são depois aplicados a uma variedade de áreas: videovigilância; indústria; comércio online; cultura e turismo; desporto; música; imobiliário e decoração de interiores; medicina etc. Também a biotecnologia tem conhecido um desenvolvimento, principalmente na área da indústria farmacêutica, com especial destaque para o sector da cosmética.

São muitas as startups nacionais de elevado potencial de crescimento mas é preciso alavancar o seu desenvolvimento através da angariação de capitais. É necessário mais investimento e aqui os fundos de investimento e as sociedades de capital de risco (venture capitals) serão fundamentais.

Estudos realizados a 40 scaleups (startups que já angariaram financiamento superior a um milhão de dólares) nacionais vêm mostrar que 90% conseguiram angariar um montante que oscila entre 1 a 10 milhões de euros. Para além destas, 8% captaram investimento entre 20 a 50 milhões e os restantes 2% entre 10 a 20 milhões de euros.

Esta revolução do empreendorismo está ainda na sua fase inicial. Os mesmos estudos mostram que 65% das scaleups receberam financiamento apenas nos últimos dois anos. Mais, 75% delas foram criadas a partir de 2010 e destas, apenas 48% depois de 2012. Ainda assim, a capacidade do país produzir scaleups tecnológicas já é bastante significativa. Algumas delas começam a transformar-se em empresas com capacidade para competir à escala mundial.

No início de Março o Governo anunciou como uma das suas prioridades o apoio ao sector das startups nacionais, lançando o projecto “Startup Portugal” do qual faz parte um pacote de 15 medidas para apoiar o sector, desde o financiamento e os benefícios fiscais a um quadro regulatório promotor do investimento, à divulgação das startups portuguesas no exterior e à sua internacionalização.

O sucesso das startups de base tecnológica passa necessariamente pela sua internacionalização e, a par do governo, também o sector privado aposta na internacionalização das empresas nacionais.

No início de Abril a Microsoft Portugal deu a conhecer o seu programa de apoio à internacionalização das startups tecnológicas nacionais. No seguimento de um programa iniciado em 2014, o actual “Programa Activar Portugal Startups” pretende contribuir para a criação anual de 50 mil startups a partir de 2020, das quais 5 a 10 startups geraram mil milhões de dólares.

Tudo isto é ainda muito novo e há um longo caminho a percorrer. Ainda assim, hoje já é possível falar-se de startups portuguesas como um sector de grandes oportunidades, aberto à inovação, a uma maior competitividade e potenciador do crescimento e desenvolvimento do país.

 

Conheça os projectos e iniciativas da Câmara de Comércio neste âmbito:

Projecto Associados UP 

Formação Fundraising Success

 

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