A Agência Internacional de Energia já declarou que a guerra do Irão desencadeou “a maior crise de abastecimento da história do mercado petrolífero mundial”.
Os preços subiram em flecha, de 65 US Dólares/barril antes do conflito para, em 1 de Abril, oscilarem entre 97 e 100 Dólares o barril de tipo West Texas International e 101 e 103 o barril de tipo Brent .
Além da interrupção da produção de gás natural pelo Qatar e dos danos causados em várias áreas de produção dos países da região pelas represálias iranianas, o principal constrangimento vem dos riscos do bloqueamento do Estreito de Ormuz, por onde passavam diariamente antes da guerra, cerca de 20 milhões de barris de crude.
O estreito não foi minado, nem o Irão estabeleceu um bloqueio. Mas, com os seus drones baratos, tem danificado ou afundado alguns petroleiros. Embora haja possibilidade de algum escoamento alternativo através da Arábia Saudita, calcula-se que, cada ponto percentual caído na oferta se traduza em mais 10 dólares americanos no preço.
Outro aspecto importante da questão tem a ver com as importações alimentares dos países da região. Cerca de 1/3 dos fertilizantes mundiais – potássio, amónia, e fosfatos – passa pelo Estreito de Ormuz; e como Março e Abril são os meses da sementeira do Hemisfério Norte, há o risco de toda a estação agrícola ser perturbada.
Países como o Paquistão, Taiwan, a Zâmbia e o Sri Lanka serão dos mais lesados pela interrupção da passagem dos fertilizantes.
Outros sectores como medicamentos, baterias, semicondutores plásticos, são afectados. Deste modo, com 20.000.000 de barris de crude e 30% dos fertilizantes em jogo, levando à respectiva subida de preços, o sector agrícola é dos mais afectados. Isto inclui vários países do continente americano, como o Brasil, a Argentina e os próprios Estados Unidos que precisam de fertilizantes.
Máximo Torero, chefe economista da ONU, sublinhou perante os jornalistas em 26 de Março, a urgência de encontrar uma solução que pare o conflito.
O cenário de três meses de conflito vai impactar com os agricultores, cuja situação vai ser agravada pela subida do combustível. No Golfo, importadores de comida como o Qatar e os Emirados, vão enfrentar dificuldades. Sem falar nos milhões de trabalhadores migrantes da região.
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, numa entrevista, referindo-se às consequências económicas da guerra, falou em “auto-infligida recessão global” afirmando que os custos da guerra no Médio Oriente podem ultrapassar os da Covid-19.
E isto porque, acrescentou na entrevista ao POLITICO, “Tudo está ligado a tudo: o preço do petróleo ao preço do gás, ao preço da comida, ao preço dos fertilizantes, ao preço dos medicamentos”.
Stubb, habitualmente um optimista e companheiro de “golf” de Donald Trump, conhece bem o presidente americano. Mas desta vez o seu modo é diferente, mostra-se receoso e preocupado com a situação mundial, a braços com duas guerras quentes – a da Ucrânia e a do Irão; a primeira está longe de se resolver e a segunda está a escalar, quer entre os intervenientes, quer para além deles.
Deste modo, como sublinha o relatório da McKinsey Economic Conditions Outlook, March 2026, de 27 de Março passado, a instabilidade geopolítica acaba por ensombrar e dominar todos os outros riscos económicos e a sua análise em termos correntes e futuros é a principal preocupação dos responsáveis das empresas.
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