Repercussões energéticas da Guerra do Irão

O estalar da guerra no Médio Oriente, com os ataques dos israelitas e dos americanos que decapitaram a liderança iraniana e as respostas do Irão visando uma série de países da região, assumidos como cúmplices dos Estados Unidos, lançou extrema perturbação nos mercados da energia.

Um dos mais severos golpes foi o ataque por drones do Irão às instalações da Qatar Energy em Ras Laffan e Mesaieed. A empresa emitiu na Segunda-Feira, 2 de Março, um comunicado anunciando que, em consequência dos ataques sofridos, “cessava a produção de gás natural liquefeito e produtos associados”.

Para ter uma noção do que isto significa para os mercados energéticos, é útil traçar o panorama do sector no passado ano de 2025, em que o Qatar exportou 81 milhões de toneladas de LNG. Isto significa uma paragem, por tempo indefinido, de 20% da exportação mundial de gás natural.

É uma quebra radical no mercado derivada de um conflito geopolítico que pode, tudo indica, prolongar-se. O destino de 80% destas exportações de gás natural do Qatar são as grandes economias asiáticas – China, Índia, Japão e Coreia do Sul. As instalações de Ras Laffan, destruídas ou seriamente danificadas pelos drones iranianos de retaliação (Qatar tem uma importante base militar norte-americana) onde se processava o gás extraído do North Field, um campo que o Qatar partilha com o Irão. O Qatar é, há cerca de uma década, o maior produtor e exportador mundial de LNG, “o pilar fundacional” do comércio do gás natural.

Daí o pânico, com os preços a subirem mais de 50%, na sequência das notícias. E a Europa é a principal atingida, e vai com certeza registar grandes altas de preços na electricidade e nos custos de produção industriais.

Israel encerrou por razões de segurança, o seu campo de gás Leviathan. E a Arábia Saudita também suspendeu a produção em Ras Tanura. Por outro lado, a circulação dos petroleiros no vital Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, está em causa também, num conflito em que o Irão e a sua incerta hierarquia podem, contra a parede, escalar a resposta.

E as alternativas não são muitas, com a Rússia sob sanções e a Austrália longe dos mercados consumidores europeus.

Convém também lembrar que a principal razão da eleição de Donald Trump e do seu apoio pelo movimento MAGA teve a ver com a sua promessa de acabar com as guerras no exterior e o recurso à força para o chamado “regime change” que levou às impopulares e mal-sucedidas guerras do Iraque e do Afeganistão. E muitas críticas ao ataque ao Irão vêm, precisamente, do campo conservador. Três sondagens, do Washington Post, da CNN, e da Reuter-Ipsos mostram que a maioria dos eleitores reprova a iniciativa da guerra. No inquérito do Post, 52% contra, versus 39% pré, e 9% neutros. No da CNN, 59% contra e 41% pró.

É certo que tudo vai depender da sorte da guerra e, sobretudo, da sua duração. Se Washington conseguir um conflito curto, destabilizar o regime de Teerão e conseguir um cessar-fogo em condições vantajosas e que afaste do poder os religiosos radicais, tudo isto com poucas perdas, será uma vitória para Trump e o restabelecimento da normalidade dos mercados. De outro modo, e por causa dos síndromas do Vietname, do Iraque e dos Afeganistão a popularidade e a imagem do Presidente e do Partido Republicano irão sofrer desgaste e os Democratas poderão reconquistar o Congresso em Novembro.

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