A lista dos “mais poderosos” na Europa, do Site Politico abria recentemente com Giorgia Meloni.
No texto sobre a presidente do Conselho de Ministros de Itália, este site de inclinação liberal louvava a nacionalista conservadora italiana, que tem assumido a mediação euro-atlântica, graças à sua proximidade com a dupla americana Trump-Vance, mas também com a líder da UE, Úrsula von der Leyen.
Recentemente o tão controverso Acordo Europa-Estados Unidos, assinado em Turnberry, no Sul da Escócia, veio dar razão à líder italiana, que se tem esforçado por manter de pé a solidariedade atlântica. Para Meloni, como para a maioria dos governos europeus, com excepção da França macronista e dos socialistas espanhóis, o acordo pode não ser o ideal mas evita a escalada e incerteza de uma guerra comercial Europa-América. Foi este, aliás, o juízo de Meloni, considerando que acima de tudo havia que evitar a entrada numa espiral de escalada do conflito.
A reacção da primeira-ministra italiana ao acordo, veio com ela em Adis Abeba, capital da Etiópia, onde se encontrava numa missão ligada ao “Plano Mattei”, a iniciativa estratégica italiana para uma política estrutural de combate à imigração ilegal.
O conceito é relativamente simples: os africanos – do Norte, do Centro e do Sul – emigram porque não têm, no seu continente e nos seus países, boas condições de trabalho e expectativas de vida. Portanto, a melhor maneira de os fixar será desenvolver as economias do continente e dos países africanos, para que os seus filhos não tenham que sair dele para viver.
Foi esta a ideia base do “Plano Mattei”, que Giorgia Meloni lançou em 2022; o nome é de Enrico Mattei, resistente e democrata cristão, fundador do ENI, (Ente Nazionale d’Industria) e um pioneiro da cooperação da Europa com países da África e do Médio Oriente, visando usar os recursos financeiros e a capacidade tecnológica do Norte desenvolvido para explorar, de modo justo e equilibrado, os recursos naturais das “periferias”.
Em Junho de 2024 a cimeira do Grupo dos Sete (G7) que reuniu o núcleo duro “ocidental” das grandes economias mundiais – Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Reino Unido, mais o Japão – dedicou, por iniciativa italiana, a sua sessão de abertura à África, para o que foram convidados vários presidentes e líderes africanos e árabes.
Mais recentemente, em 31 de Julho, Meloni esteve, pela quinta vez desde 2022 em visita oficial à Tunísia, para rever, com o presidente tunisino, Kaïs Saïed, um dos seus parceiros do outro lado do Mediterrâneo, nesta operação de lutar contra as causas económico-sociais da emigração o andamento do Projecto. Segundo o diário francês Le Monde, a Tunísia por esta cooperação estratégica com a União Europeia recebe 350 milhões de Euros da EU e da Itália para distribuir pelas suas pequenas e médias empresas.
Meloni anunciou, no final de Junho, que a Itália tem disponíveis 5,5 mil milhões de Euros com investimentos destinados a 14 países-piloto do continente africano; embora o ministério das Finanças de Roma, por enquanto, só tenha concedido garantias para dois mil milhões.
Em 23 de Julho, o presidente argelino Abdelmadjid Tebboune esteve em Roma, para assinar uma série de acordos bilaterais, entre os quais, a criação em Sidi bel Abbès, de um Centro Enrico Mattei para a Pesquisa e Inovação Agrícola.
Porque uma das preocupações de Meloni tem a ver com o problema da autossuficiência alimentar do continente africano, razão da sua presença na Etiópia na ocasião dos Acordos EUA-EU.
Pensando no passado das relações Itália-Etiópia não deixa de ser interessante e importante este esforço na cooperação realista para o desenvolvimento. Um dos próximos beneficiados, com uma dotação de 320 milhões de Euros, será o Corredor do Lobito, em Angola.
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