O chanceler alemão Olaf Scholz, na reunião de 6 de Abril do Partido dos Socialistas Europeus em Bucareste, capital da Roménia, avisou sobre os riscos, para a União Europeia, da subida da direita populista, nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, previstas para 9 de Junho.
Aquilo ou aqueles que Scholz designa por “direita populista” são os dois grupos de partidos europeus de Direita – os Reformistas e Conservadores Europeus e o grupo Identidade e Democracia – que, segundo todas as sondagens devem vir a aumentar os seus representantes na eleição. Uma recente projecção do Político dava o grupo centrista do Partido Popular Europeu com 175 eleitos (o Parlamento Europeu, depois da saída do Reino Unido tem 705 lugares) continuando como primeiro grupo da assembleia legislativa de Bruxelas; em segundo lugar ficam os socialistas e sociais democratas dos Socialistas e Democratas Europeus com 139; em terceiro, sempre segundo a mesma sondagem do Politico, a Identidade e Democracia. Identidade e Democracia é o grupo onde estão os franceses do Rassemblement National de Marine Le Pen, os alemães da Alternativa para a Alemanha, os italianos da Liga de Salvini; é o grupo onde está também o Chega de André Ventura. Espera-se que o ID chegue aos 87 deputados, com um ganho de quase 20 lugares. Em quarto lugar ficarão os nacionais conservadores, os Reformistas e Conservadores Europeus. Este grupo tem como principal partido os Fratelli d'Itália, o partido da primeira-Ministra italiana Giorgia Meloni; e também o Vox espanhol, o Lei e Justiça polaco e, de França, o Reconquête de Éric Zemmour. A expectativa são 76 lugares, passando a ser o quarto grupo. Seguem-se os Verdes (45), os Não Inscritos (39) e a Extrema Esquerda (33).
O Fidesz húngaro, do primeiro-ministro Viktor Orban, que até 2021 esteve no PPE, está nesta altura, fora de qualquer dos grandes grupos. As eleições vêm num momento de grande tensão internacional com os conflitos na Europa Oriental – Rússia contra Ucrânia – e no Médio Oriente – Israel versus Hamas.
Estes conflitos, sobretudo aquele que se passa às portas da Europa, têm aumentado as tensões entre os países membros da UE, com alguns políticos em dificuldades internas, tentando explorar a situação internacional para atacar os seus rivais. É o que vem acontecendo com Macron, o Presidente da França, que adoptou uma retórica belicista (ao ponto de considerar um envolvimento directo da França na guerra) como argumento para atacar o Rassemblement de Le Pen, acusando-a de simpatias pró-russas.
Outro aspecto complicado são os ataques a Úrsula von der Leyen, a Presidente da Comissão, que se quer candidatar a um segundo mandato. Só que, segundo os seus inimigos e rivais, von der Leyen estaria envolvida num caso suspeito de corrupção, a propósito das vacinas anti-Covid, que a Presidente teria negociado com o CEO da Pfizer, Albert Bourla. O caso arrastou-se desde que em um lobista belga, intentou uma acção contra a Presidente da Comissão, num tribunal belga em 2022.
Agora, quando von der Leyen se candidata a um novo mandato à frente da Comissão, o caso sobe de importância e gravidade, com quatro colegas da Presidente, Thierry Breton, Paulo Gentiloni, Joseph Borrel e Nicolas Schmit a levantarem dúvidas e interrogar von der Leyen sobre a nomeação de Markus Pieper, um parlamentar europeu membro da CDU alemã, nomeado para se ocupar das pequenas e médias empresas.
Isto deu-se ao tempo em que, sempre segundo o Politico, investigadores da Procuradoria Pública Europeia iniciaram uma investigação em conexão com as negociações entre von der Leyen e o CEO da Pfizer. O marido da Presidente Heiko von der Leyen é director científico de uma farmacêutica, a Orgeneris e não da Pfizer. A investigação nessa matéria foi concluída, dando como provado não haver conflito de interesses. O caso Pfizer não tem a ver com isso, mas com uma suposta omissão das mensagens entre Úrsula e o CEO da empresa.

