Nesta última década, em que muito se discutiu o tema da internacionalização e a necessidade de aumentar a capacidade de exportação das empresas portuguesas, foi crescendo o número daquelas que olham para o design como o elemento que faltava para vender mais, mais caro e mais longe.
Ao longo do ano que passou, destacámos o aparecimento de “Uma Nova Dinâmica Exportadora”, em marcha desde a crise de 2008-2009, assente na criatividade, na inovação, na modernização e no investimento tecnológico no quadro de estratégias de crescimento, orientadas para consumidores e mercados externos.
Neste contexto, fizemos referência ao “Mobiliário Made in Portugal”, que já em 2014 começava a conquistar o seu lugar nos mercados internacionais, reinventando formas e materiais, numa aposta que se traduzia em peças de design único, repletas de glamour e inovadoras. Peças que faziam a diferença, algumas verdadeiras obras-de-arte. Mobiliário urbano, iluminação, concepção de ambientes e decoração de interiores com nome português começaram a ser vistos em hotéis de luxo, museus internacionalmente reconhecidos, usados pela indústria cinematográfica norte-americana, ou até mesmo pelo Palácio do Eliseu e pela Casa Branca. Tudo isto pela mão de empresas que fizeram e fazem do design o fio condutor da sua actividade e o elemento central das suas estratégias de diferenciação na conquista dos mercados internacionais. Empresas com design especificamente orientado para responder às particularidades de cada mercado, desde a Europa Central aos países nórdicos e até mesmo ao Médio Oriente. Os resultados estão à vista e a performance exportadora destas empresas é hoje digna de se tornar um verdadeiro case study nacional: aumento em cerca de 71% das exportações em sete anos e uma melhoria da balança comercial de 176 milhões de euros em 2009 para 900 milhões em 2016.
Fizemos também referência aos “Sapatos Portugueses (que) Dão a Volta ao Mundo”, como mais um exemplo de que o investimento no design compensa. Um sector que continua a conquistar os mercados externos apostando em sapatos de moda e de luxo, entre outros nichos de mercado, mas, acima de tudo, sapatos de alta qualidade, com estilo e, sobretudo, de design. As histórias de sucesso multiplicam-se, contam-se e ouvem-se em vários sectores: desde os tradicionais aos de base tecnológica.
Um outro exemplo é o Têxtil e Vestuário, onde o design foi crucial para a recuperação de um sector fortemente em crise e que nos últimos sete anos viu as suas exportações crescerem quase 50%, com o valor por peça exportada a subir mais de 40%. A moda nacional é cada vez mais conhecida além-fronteiras, com designers portugueses a mostrarem as suas colecções nas mais prestigiadas passarelas mundiais: Paris, Londres, Milão e Nova Iorque.
Naquela que já é considerada uma época de ouro para a joalharia portuguesa, o design das suas peças é também hoje uma referência internacional.
Pela mão de uma nova geração de criadores que brilham lá fora, as exportações registaram um espectacular aumento de 500% desde 2008 e as perspectivas são muito promissoras quanto à crescente internacionalização do sector.
Procurando entrar em segmentos mais qualificados da procura, a pedra portuguesa também olha para o design como via privilegiada de afirmação das suas potencialidades. Muitas vezes aliando-se a grandes nomes da arquitectura, tem procurado marcar presença nos maiores certames internacionais de design como palco privilegiado de lançamento e exposição.
A cortiça é outro exemplo de sector que se tem reinventado através do design, com consequências muito positivas ao nível da internacionalização dos seus vários produtos, muitos deles já aliados aos sectores das novas tecnologias.
Mais uma prova desta verdadeira revolução do design em Portugal, é o aumento significativo na última década (138%) do número de pedidos de registo de design próprio, através do qual se impede que terceiros produzam, fabriquem, vendam ou explorem economicamente um produto de design protegido, sem a autorização do titular do registo. Dados do Instituto da Propriedade Intelectual da UE apontam para que as empresas detentoras de design próprio facturem mais 38% por trabalhador de que as suas concorrentes. Mais uma vez, investir no design compensa.
Durante muito tempo, empresários e designers estiveram de costas voltadas. Hoje a realidade é diferente. Mas, se é já longo o caminho de aproximação entre indústria e design, está longe de ter chegado ao fim se o objectivo for garantir uma efectiva consolidação do design na indústria. É fundamental que as empresas tomem consciência da necessidade e das vantagens da articulação entre inovação, design e negócio, desde a elaboração do conceito à comunicação do produto, passando pela própria produção.
O futuro passará também por abraçar novas metodologias como o human centered design ou design thinking, analisando o mercado, pensando nas necessidades e problemas das pessoas e antecipando tendências, de modo a conceber e definir conceitos, produtos e serviços que irão chegar ao utilizador-consumidor.

