Marrocos: o caminho de uma nova vaga de internacionalização

Num contexto de mudança de paradigma das relações internacionais, em que na sua vertente económico-comercial o eixo das relações sul-sul se intensificou e ganhou relevância acrescida, desde cedo que os mercados africanos assumiram particular importância para as empresas portuguesas nas suas estratégias de internacionalização.

 

Se num primeiro momento os mercados da lusofonia, nomeadamente Angola e Moçambique, ocuparam lugar cimeiro nas lógicas de internacionalização, hoje, principalmente dado o actual quadro de dificuldades por que passam algumas destas economias, existem oportunidades para lá do mundo lusófono. Senegal, Costa do Marfim, Nigéria, entre alguns outros, parecem surgir paulatinamente nos radares das empresas e investidores portugueses. O mundo de influência francófona surge cada vez mais como alternativa a tradicionais mercados africanos.

 

Neste novo quadro são muitas as empresas portuguesas que olham para Marrocos - por si só um mercado de elevado potencial - como palco privilegiado de acesso a novos mercados africanos. Existem oportunidades interessantes de parcerias com instituições financeiras e em mercados africanos onde Marrocos já se encontra, pelo que, perante algumas dificuldades em chegar a mercados de expressão francesa, muitos empresários portugueses começam a olhar para Marrocos como rampa de lançamento. Tal como apontado pelo Ministro da Economia português, “há um espaço muito interessante para parcerias com empresas e fundos de investimento marroquinos que podem colaborar com empresas portuguesas que já estão nesses mercados e que também podem encontrar nas instituições marroquinas um parceiro interessante e abrir mais mercados africanos às empresas exportadoras portuguesas.”

 

Reconhecendo o actual interesse de Marrocos em entrar e/ou reforçar a sua presença em países da África subsaariana, esta ligação entre Lisboa e Rabat oferece vantagens mútuas que não devem ser descuradas na análise das dificuldades, riscos e oportunidades associados a processos de internacionalização para estes mercados e sobre eventuais colaborações ou parcerias.

 

Existem, naturalmente, obstáculos a ultrapassar. A necessária adaptação à cultura local, alguma desconfiança por parte dos marroquinos em negociarem com empresas que desconhecem, tornando essencial a figura do intermediário local, custos de entrada, lentidão burocrática e jurisdicional, algumas questões a nível de recebimentos… Ainda assim, Marrocos não deverá deixar de ser considerado como destino natural e estratégico junto das empresas portuguesas na concepção das suas estratégias de internacionalização orientadas para os mercados africanos.

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.