O Futuro feito em Portugal

A Internacionalização da Investigação Portuguesa

Num contexto de mudança acelerada em que a competitividade das empresas e das economias passa cada vez mais pela capacidade de inovação com base em I&D, Portugal tem vindo a ganhar relevância como fonte de soluções empresariais. As empresas portuguesas parecem apostar cada vez mais na especialização e inovação, sendo já líderes em alguns nichos de mercado na área das telecomunicações, tecnologias e serviços.

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Desde há muito que soluções “made in Portugal” são aplicadas internacionalmente. A NASA ou a Agência Especial Europeia utilizam programas informáticos criados por portugueses. Também os Países Baixos, a Dinamarca, a Finlândia e Reino Unido compram a empresas portuguesas o seu software de gestão ferroviária. A “via verde,” sobejamente conhecida pelos portugueses que utilizam este sistema de portagem electrónica desde os anos 1990’s, foi criada por técnicos portugueses, da Universidade de Aveiro, e ainda hoje é um dos produtos mais cobiçados pelos parceiros internacionais. Foi também em Portugal que surgiram os cartões pré-pagos nas comunicações móveis. E muitos outros exemplos poderiam ser dados.

 

Desde a década de 90 do século XX que se assiste a um aumento significativo do número de empresas portuguesas com actividades de I&D. São empresas de base tecnológica com recursos humanos de elevada qualificação na área da I&D, capazes de competir internacionalmente nas áreas da inovação, do marketing, design, saúde, transportes…

 

Publicado em 2014, o último Community Innovation Survey – instrumento estatístico que mede e caracteriza as actividades de inovação das empresas, quer seja inovação de produto, de processo organizacional ou inovação de marketing – mostra que 54,5% das empresas portuguesas realizaram actividades de inovação e destas, 41,2% focou-se na inovação de produto e/ou processo. Analisando os resultados por sector, o estudo mostra também que é na área dos serviços que as actividades de inovação mais se fazem sentir.
O crescimento do número de doutorados tem sido um dos factores que contribuem para a performance portuguesa, garantindo a massa crítica para o desenvolvimento científico. As publicações científicas portuguesas são também cada vez mais referenciadas internacionalmente, o que demonstra o reconhecimento a nível mundial da investigação nacional. Mais, o aumento da colaboração internacional na produção científica em Portugal é igualmente revelador da internacionalização da investigação portuguesa. Existem, aliás, parcerias com importantes instituições de investigação de renome mundial: a parceria MIT-Portugal no domínio dos sistemas de engenharias; o programa CMU-Portugal focado nas tecnologias de informação e comunicação, abrangendo áreas mais específicas como redes de nova geração, engenharia de software, sistemas ciber-físicos para inteligência ambiental… Ou ainda o Programa UT Austin-Portugal, vocacionado para as áreas de conteúdos digitais, formas avançadas de computação e matemática.

 

A inovação tecnológica é crucial para garantir a competitividade das empresas. Mas o processo de conversão da ciência desenvolvida em inovação tecnológica empresarialmente competitiva é longo e bastante complexo. Ora, parece claro o estímulo que tem sido dado às actividades de comercialização de ciência e tecnologia, no entanto, mesmo em Portugal, há muito mais a fazer. Estudos revelam que é ainda reduzida a percentagem da comunidade científica e de investigação que está directamente ligada ao sector privado e às empresas. Para esta passagem da ciência aos produtos inovadores ser economicamente relevante é essencial que ela se operacionalize através de uma articulação entre as instituições de ensino e investigação e as empresas que actuam nos sectores de actividade em que as inovações tecnológicas serão aplicáveis. Partindo do conhecimento científico, há que escolher as diferentes tecnologias a desenvolver e definir quais os produtos e serviços em que essas “inovações tecnológicas” devem ser aplicadas. Apenas trabalhando directamente com o tecido empresarial é que a inovação tecnológica poderá levar a um aumento da competitividade económica. Se Portugal deu já passos muito importantes no âmbito da inovação, muitos terá ainda que dar nesta ligação “inovação-empresa”, para que os recursos e capacidades que Portugal detém possam ser utilizados em toda a sua potencialidade.

 

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

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