Irão: Enquadramento económico

A plena implementação do acordo abrirá a porta ao levantamento total das sanções até Março deste ano. Se este cenário se concretizar, as implicações para a economia e bem-estar das populações serão muito significativas.

Embora o acordo alcançado respeite apenas ao programa nuclear, pode também abrir um novo capítulo na história do Irão no plano das suas relações políticas e económicas internacionais.  

O potencial de crescimento do país é bastante elevado. O Irão é a 2ª maior economia do grupo MENA (Middle East and North Africa), com um PIB estimado em 396,9 mil milhões de dólares (2015), apenas ultrapassado pela Arábia Saudita. É o segundo país mais populoso da região (depois do Egipto) com dados de 2015 a apontarem para cerca de 79 milhões de habitantes. O país encontra-se na 7ª posição no ranking mundial de produtores de petróleo, na 4ª posição enquanto detentor de reservas provadas de petróleo e no 2º lugar tratando-se de reservas de gás natural.

A economia do Irão é caracterizada pelo peso significativo do sector dos hidrocarbonetos e, em muito menor escala, a agricultura e apenas depois o sector dos serviços. Uma vez que a economia e as receitas do Estado assentam na sua esmagadora maioria na exploração do petróleo, acabam por estar perigosamente sujeitas a grandes volatilidades.

Existem outros indicadores que revelam as fragilidades da economia iraniana. O ambiente de negócios é ainda bastante restritivo, o que leva o Banco Mundial a colocar o Irão no 118º lugar no seu ranking Doing Business Report para 2016. A taxa de inflação é elevada, tendo rondado os 15% em 2015 (ainda assim bem inferior aos 35% de 2013). Os níveis de desemprego são igualmente altos. Com uma população activa de apenas 37,2%, o desemprego é uma das maiores vulnerabilidades da economia iraniana (taxa média de 11,44% entre 2011 e 2015). As taxas são particularmente elevadas tratando-se da população feminina (20,3%), da população dos 15 aos 29 anos (aqui é esmagadora a maioria feminina – 39%) e nos grandes centros urbanos. A par do desemprego, o fenómeno do subemprego é também cada vez mais preocupante, principalmente se considerarmos que a sua esmagadora maioria incide sob a população jovem.

Mas o governo iraniano liderado pelo presidente Hassan Rouhani (no poder desde Julho de 2013) está apostado em alterar este quadro e reestruturar a economia. Desde logo, através da sua diversificação, tornando-a menos dependente do petróleo e aumentando as fontes de receita não petrolíferas. Mais, reformas no ambiente de negócios visando, entre outros objectivos, a diminuição dos requerimentos de autorização e licenciamento, a diminuição do peso das empresas públicas na economia, melhorar a saúde do sistema financeiro e bancário, são fundamentais para acelerar o crescimento do sector privado, estimular a concorrência e a criação de emprego.

A remoção das sanções poderá por isso significar uma melhoria no panorama macroeconómico do país. Depois do intensificar das sanções em 2011 que levaram a uma desaceleração económica logo nesse ano (com o PIB a crescer apenas 3,8% em 2011 depois de ter crescido 6,6% em 2010) e a uma forte contracção nos anos seguintes, (-6,6% em 2012 e – 1,9%, em 2013), o outlook parece positivo apesar da continuação da descida do preço do petróleo no mercado internacional. De acordo com o FMI a economia iraniana deverá crescer 4,4% em 2016 e a uma média anual de 4,2% entre 2017 e 2020.

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