Irão: overview

Com diferentes configurações fronteiriças ao longo dos séculos, fruto de avanços e recuos territoriais, conquistas, perdas e reconquistas por parte de diferentes tribos e povos que se movimentavam ao longo de uma vasta área que chegou a ir do Mediterrâneo (englobando o Egipto) ao Indo (o maior rio do actual Paquistão e um dos mais importantes do subcontinente indiano), o actual Irão é comummente associado ao antigo império persa, embora também este tenha sido, por si só, alvo de diversas redefinições territoriais ao longo do tempo.

Sob o comando de diferentes dinastias de Xás, a última das quais inaugurada por um oficial do exército persa, Reza Khan, que no rescaldo da I Guerra Mundial tomou o poder dando início à dinastia Pahlavi - a última que o reino veria nascer – a Pérsia foi progressivamente afirmando-se como actor de enorme relevância estratégica no Médio Oriente.   

Com a dinastia Pahlavi o reino entrou numa fase de grande desenvolvimento, de uma cada vez maior industrialização, melhoria de infraestruturas – principalmente em termos de circulação, transportes e comunicação – e reformas nos domínios da saúde e educação.

Esta trajectória de crescimento e desenvolvimento seria continuada pelo filho de Reza Khan, Mohamed Reza Pahlavi, o último Xá da Pérsia.

Esta foi também uma fase de grande centralização do poder na figura do Xá, que, em meados da década de 70, se tornou particularmente evidente. A oposição política, composta por defensores da democracia e a oposição religiosa, exercida por parte do clero xiita, era duramente oprimida enquanto o poder do Xá permanecia intacto. Com um forte poderio militar apoiado, numa primeira fase, pelo Reino Unido e a União Soviética que invadiram o reino durante a II Guerra Mundial e, mais tarde, por sucessivos governos norte-americanos, o país reafirmava a sua importância estratégica na região, chegando mesmo a tornar-se um dos mais importantes aliados dos EUA no Médio Oriente. Naturalmente que nada disto era alheio ao enorme potencial energético do país.  

Este quadro foi profundamente alterado com a revolução de 1979 que pôs fim a uma monarquia autocrática pró-Ocidente, substituindo-a por uma república teocrática islâmica sob a liderança dos aiatolas, o primeiro sendo o aiatola Khomeini. A mudança de regime e a colocação dos aiatolas no poder levou a uma enorme alteração na correlação política de forças na região, que não deixou de afectar os interesses de aliados ocidentais, nomeadamente os EUA. A instauração da República Islâmica do Irão traria consigo uma série de políticas radicais, fundamentalistas e claramente anti-ocidentais que levariam ao isolamento do país.

A deterioração das relações entre o Irão e os EUA foi-se intensificando com a ocupação da embaixada norte-americana em Teerão e a detenção dos seus diplomatas em 1979. A partir de 1995 o Irão passou a ser alvo de um bloqueio comercial e económico por parte dos EUA, mais tarde seguido por demais actores políticos do mundo ocidental. Iniciava-se, assim, um longo período de isolamento do país no palco internacional que perdurou até hoje.

Ao longo de mais de 30 anos depois da revolução, as actividades políticas, militares e internacionais do Irão foram continuadamente desafiando os seus vizinhos (como Israel e até mesmo a Arábia Saudita) e as democracias ocidentais. O início e subsequente desenvolvimento do programa nuclear  iraniano é disto um exemplo.

Mas depois de décadas de isolamento e conversações fracassadas, a 23 de Novembro de 2015 o grupo P5 + 1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas mais a Alemanha) e o Irão concluíram um acordo histórico consubstanciado no Plano de Acção Conjunto Integrado (PACI). Trata-se de um acordo cujo principal objectivo é limitar o programa nuclear iraniano, de modo a evitar que o país se torne uma potência nuclear. Em contrapartida, a comunidade internacional compromete-se a levantar faseadamente as sanções económicas e comerciais impostas pelos EUA, União Europeia e Nações Unidas e que vêm asfixiando a economia iraniana.

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