A Internacionalização do Vinho Português

A qualidade do vinho português é conhecida há já muitos anos, quer pela riqueza das castas nacionais, quer pelas excepcionais condições para a sua produção. Contudo, a sua fama dentro do país não era igualada no exterior, não sendo excessivo afirmar que o nosso vinho era mesmo muito pouco conhecido fora das fronteiras nacionais.


Diversos aspectos contribuíam para este cenário, mas uma questão essencial era a falta de divulgação do nosso produto a nível global, pelo que os clientes estrangeiros raramente optavam pelos nossos vinhos.


Felizmente, esta já não é a situação actual e os dados estatísticos do comércio exterior do vinho português mostram um crescimento continuado nos últimos anos. Embora as exportações estejam a aumentar da forma como alguns produtores gostariam, a verdade é que este crescimento ao longo dos anos demonstra a solidez das exportações portuguesas neste sector e a forma como os nossos vinhos começam a conquistar um mercado fiel no exterior. Acresce que os clientes estrangeiros têm vindo a mostrar-se disponíveis para pagar um valor mais elevado pelos vinhos portugueses, reconhecendo-lhe uma qualidade que antes não sabiam existir.


Para esta nova realidade do sector vinícola português contribuíram diversos factores: antes de mais, uma nova geração de enólogos com melhor formação e melhores conhecimentos dos gostos internacionais; também uma nova estratégia de gestão, que levou a uma crescente divulgação dos nossos vinhos no exterior, seja através da presença em feiras internacionais do sector, seja através da participação em concursos com outros produtores estrangeiros, de que resultou a atribuição de numerosos prémios aos nossos vinhos e a uma consequente promoção junto do mercado internacional.


Os dados do INE mostram que o comércio internacional de vinho português tem vindo a crescer sucessivamente nos últimos 5 anos, tendo atingido em 2013 os 725 milhões de euros, um aumento de cerca de 2,4% face ao ano anterior. As previsões de diversos especialistas apontam ainda para um crescimento das exportações entre 2 e 3% para este ano. Também o preço médio sofreu uma melhoria, com um aumento de 13,3%, o que traduz a já referida receptividade do vinho português nos mercados internacionais e a disposição a pagar um valor superior pelo mesmo.


Quanto ao destino das nossas exportações, refira-se que a União Europeia continua a ser a principal região importadora dos nossos vinhos, embora aqui exista uma tendência de ligeiro decréscimo, enquanto os mercados extra-União Europeia estão a crescer rapidamente. Na análise por país, verifica-se que o nosso cliente principal é a França, com 114 milhões de euros, logo seguida de Angola com 94 milhões de euros. Vêm depois o Reino Unido (73 milhões de euros), os EUA (56 milhões de euros) e a Holanda (50 milhões de euros). Outro país que tem vindo a aumentar o consumo de vinho português nos últimos anos é o Brasil, um mercado que se considera poder vir a crescer muito no futuro, fruto das importantes acções de divulgação ali desenvolvidas.


Também é importante referir que 60% das exportações do ano passado correspondem a vinhos com Denominação de Origem Protegida (DOP), com boa qualidade, de entre os quais se destaca o vinho do Porto com uma quota de 45% das exportações.


No que diz respeito à dimensão empresarial do sector, esta traduz o que acontece também noutras áreas de negócio: as empresas são, sobretudo, de pequena dimensão e empregam poucos trabalhadores. Geograficamente, as empresas estão muito concentradas na Zona Norte - 50% localizam-se efectivamente nesta zona – estando 25% na zona centro e 15% no Alentejo (estudo da Informa D&B).


Segundo o influente International Wine and Spirits Record (IWSR), o consumo mundial de vinho está a aumentar, sendo os EUA o maior consumidor mundial. Portugal encontra-se no nono lugar como exportador mundial e está entre os dez países que mais vendem nos EUA.
Outro aspecto importante deste estudo refere-se à importância crescente de países como a China e a Rússia no consumo mundial de vinho, o que constitui uma oportunidade para o nosso país, se tivermos em conta que as nossas vendas para esses destinos estão ainda numa fase bastante embrionária.


Apesar destes excelentes resultados para o sector, há que continuar a apostar na modernização, se quisermos aumentar as nossas quotas de mercado nos diversos países importadores e dar cada vez mais importância à continuidade da divulgação internacional dos nossos vinhos.


Finalmente, é importante referir que esta modernização e mecanização do sector, como noutras áreas, tem levado a uma diminuição do emprego, o que se tem reflectido de forma bastante negativa nalgumas regiões. Reforça-se, assim, a necessidade de investimento em formação para aproveitamento desta mão-de-obra.

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