Quénia

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Quénia, uma das principais portas de entrada na África Oriental e Central

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre este mercado que lhe permite ter uma visão geral e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.

 

 

Localizado na costa oriental de África, o Quénia é considerado uma das principais portas de entrada na África Oriental e Central. A capital, Nairobi, é a maior cidade entre o Cairo e Joanesburgo, e o porto de Mombaça o maior e mais importante porto de águas profundas da região, respondendo às necessidades de navegação de dezenas de países.

 

O Quénia é, indubitavelmente, um centro nevrálgico nas redes de transporte, comunicação e circulação de pessoas e mercadorias. Assim foi ao longo da História, assim continua a ser, hoje mais do que nunca, estando o país na vanguarda da inovação e de novas tecnologias e serviços.

 

nairobiPara lá da tradicional imagem turística dos safaris, da imensa diversidade e beleza das suas paisagens e vida selvagem, o Quénia vem afirmando-se como um dos principais centros financeiros, comerciais e logísticos entre os mercados da África Oriental, com Nairobi a surgir, nos anos mais recentes, como verdadeiro epicentro de
inovação na região. Startups, aceleradoras, incubadoras e centros de inovação marcam o atual cenário da capital, e são apenas o indicador mais facilmente percetível do caminho que o país tem vindo a percorrer desde a sua independência do Reino Unido, em 1963.

O Quénia apresenta uma performance económica absolutamente notável: são duas décadas de permanente crescimento, interrompido apenas em 2020, em resultado dos efeitos da crise pandémica mundial. Numa primeira fase (2000-2009) a um ritmo mais moderado (3,4% ano), mas apartir de então entrando em rota de crescimento acelerado (5,8%), e em em 2019 o país já era a 3ª maior economia de toda a África Subsariana, apenas ultrapassada pelos gigantes Nigéria e África do Sul.

Com um PIB estimado em USD 99,287 mil milhões em 2020, o país manteve a sua posição, sendo incontestavelmente a grande potência económica da África Oriental.

 

Mais ainda, o Quénia está no grupo das 10 economias que mais cresceram em toda a África Subsariana nos útimos 5 anos, e as últimas projeções (FMI) apontam para que seja aquela que mais deverá crescer até ao fim de 2021, com uma taxa de 7,6%.

 

Assente nas lógicas do mercado livre, altamente diversificada e com a mais forte base industrial quando comparada com as restantes economias da região, o Quénia tem conseguido atrair empresas e investidores internacionais, muitos nele estabelecendo operações locais, assim como a sua base de expansão regional, aproveitando o ambiente de negócios, a localização estratégica - ainda mais potenciada por importantes rotas de ligação aérea das quais o país é o centro – e uma mão-de-obra qualificada e empreendedora que o Quénia tem para oferecer.

Com previsões de crescimento continuado para os próximos 5 anos em torno dos 6%, o outlook do país permanence altamente positivo.

 

 

Com uma sólida base de crescimento económico, reformas estruturais traduzidas em claras melhorias no ambiente de negócios que têm valido ao país subidas consecutivas em rankings do setor ao longo dos últimos anos, e com um mercado de mais 54,6 milhões de consumidores, dos quais uma parte substancial jovem, o Quénia oferece oportunidades de negócio numa multiplicidade de áreas. Ficam alguns exemplos.

 

Construção e imobiliário

Um dos 4 pilares da estratégia de desenvolvimento lançada em 2017, com especial foco nas infraestrutras e habitação, o setor da construção e imobiliário tem conhecido um rápido desenvolvimento, arrastando com ele setores conexos (máquinas e aparelhos, materiais etc.). O país tem investido bastante em projetos de modernização de estradas, ferrovias, portos e aeroportos, assim como numa maior acessibilidade à habitação, traduzidos em oportunidades de negócio e investimento que beneficiam também empresas estrangeiras.

 

Tecnologias de informação e comunicação 

Outro dos setores onde os negócios mais prosperam, apresentando o país das mais altas taxas de acesso à internet da África Subsariana. O desenvolvimento das tecnologias 4G e 4G LTE e o crescente alargamento do uso de smartphones têm tido um impacto muito positivo no crescimento do e-commerce e em muitos outros serviços de base digital.

 

Turismo 

Tradicionalmente no centro da economia do país, este continua a ser um setor de enorme potencial e com uma possibilidade de oferta das mais variadas na região. Além do tradicional turismo de lazer - onde o segmento do ecoturismo tem vindo a ganhar cada vez mais expressão -, são muitas as oportunidades a explorar associadas ao turismo de negócios.

 

Agricultura e agroindústria

A agricultura (e horticultura) permanece um pilar estruturante da economia queniana, respondendo por cerca de 34% do PIB e empregando diretamente mais de 50% da população. O país já se encontra entre os principais produtores e exportadores mundiais de chá, café, trigo, cana de açúcar etc. Mas o governo está apostado num maior desenvolvimento do setor - tanto mais dada a premência do problema da segurança alimentar - associado a uma maior industrialização do mesmo. Máquinas, equipamentos, sistemas e soluções de irrigação, fertilização de solos etc., poderão ser algumas das áreas a considerar.

 

Energia

O Quénia tem sido alvo de um afluxo crescente de IDE, parte substancial dirido a projetos na área das energias renováveis, que têm conhecido um desenvolvimento significativo e que apresentam margem de crescimento futuro. Mas o país pode vir a tornar-se um produtor de petróleo e gás, à medida que novos depósitos são e forem sendo encontrados. Os investidores estão de olhos postos no setor.

 

Mas como em todos os mercados, existem também dificuldades e riscos a considerar. Corrupção, níveis de desemprego ainda considerados elevados, com parte significativa da população a viver abaixo do limiar da pobreza, condições climatéricas muitas vezes prejudiciais (secas prolongadas) a atividades económicas de peso, como é o caso da agricultura e, consequentemente, a possibilidade de afetação da performance geral da economia do país, são alguns desses riscos.

As condições, a nível interno, em que parte da população vive e que podem tornar alguns segmentos propícios a aliciamentos por parte de grupos criminosos e redes terroristas, aliadas a fatores externos e à proximidade geográfica de países considerados de risco mais elevado, justificam que a evolução do quadro securitário do país deva ser monitorizado.

 

 

O posicionamento do Quénia entre os nossos parceiros comerciais reflete a distância que ainda caracteriza o relacionamento comercial do país com Portugal. No final do ano passado, o Quénia surgia no 99º lugar no ranking dos nossos clientes e no 108º lugar no ranking dos fornecedores, com quotas de comércio pouco expressivas. Posições modestas, mas que poderão melhorar face ao caminho que vem sendo feito no sentido de uma maior aproximação entre os dois mercados. Os números comprovam-no.

 

Entre importações e exportações, as trocas com o Quénia mais do que duplicaram ao longo da última década, tendo atingido, em contexto pré-pandemia (2019), quase EUR 20,5 milhões, o que significou um aumento perto dos 110% face a 2010.

 

Embora com bastantes oscilações de parte a parte, no geral, este crescimento tem sido mais forte do lado das exportações, que no mesmo período considerado registaram uma subida de 114%, para os EUR 11,89 milhões, face a um aumento ligeiramente inferior das importações, abaixo dos 105%, situando-se nos EUR 8,6 milhões.

Não só em termos absolutos as exportações cresceram mais do que as importações, como o ritmo a que isso aconteceu foi também maior, com as primeiras a subir em média 16% ao ano e as segundas 11%. De qualquer modo, entre vendas e compras, o crescimento é inquestionável, o mesmo é dizer, uma maior aproximação comercial entre Lisboa e Nairobi.

Por razões alheias a qualquer uma das partes, o último ano marcou um ponto de viragem nesta trajetória. Em linha com a contração generalizada das trocas a nível mundial, também o comércio bilateral entre Portugal e o Quénia sofreu uma quebra, na ordem dos 13,4%, o que correspondeu a menos EUR 2,75 milhões em bens transacionados.

Sublinhamos, porém, que mesmo em contexto adverso, as exportações continuaram a mostrar a sua resiliência, totalizando EUR 11,7 milhões, o que traduziu uma quebra de apenas 1,6% face a 2019. A descida foi manifestamente superior do lado das importações, que foram pouco além dos EUR 6 milhões, ou seja, quase -30% do que no ano anterior. O saldo da balança comercial foi por isso positivo para o nosso país (maior, até, do que em 2019), tal como vem acontecendo ao longo da última década.

Em 2018, último ano para qual existem dados oficiais disponíveis, eram 112 as empresas portuguesas que exportavam para o Quénia. Tendo em conta os números de crescimento apresentados – à exceção do “ano de exceção” que foi 2020 – arriscamos dizer que hoje deverão ser mais. De qualquer modo, sublinhamos mais um indicador positivo que atesta o reforço das relações comerciais com, e, mais ainda, das exportações para o Quénia: trata-se de um aumento de quase 50% no número de empresas que exportam para este mercado africano face aos cinco anos anteriores (2014).

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Pastas celulósicas e papel (34,5%), matérias têxteis (24,6%), máquinas e aparelhos (14%), químicos (12,6%) e minerais e minérios (3,6%), compuseram o grupo dos produtos mais exportados para o Quénia em 2019. Uma estrutura que se manteve no essencial inalterada no primeiro trimestre de 2020, sublinhando-se apenas a excecional subida de 717% das exportações de máquinas e aparelhos que, por essa razão, passaram para o 1º lugar do ranking em 2020 (jan-mar).

Igualmente de reter, pelo potencial exportador que os números evidenciam, a subida das exportações de peles e couros (+516%), dando continuidade ao que já havia sido registado em 2019 (+124%), dos medicamentos (+562%), dos metais comuns (+39%, depois de em 2019 já terem registado um aumento superior a 105%) e dos minerais e minérios (+99%).

 

Os números são bastante expressivos e reveladores das oportunidades que o Quénia apresenta às empresas portuguesas interessadas em expandir-se para mercados não tradicionais, como também para aquelas que já exportaram para o mercado mas que deixaram de o fazer, em domínios atualmente pouco expressivos, mas que no passado tiveram grande importância no relacionamento comercial com o país, como são os casos dos veículos e outros materiais de transporte, combustíveis minerais ou dos produtos alimentares (com destaque para o vinho), do vestuário e calçado, onde poderá existir potencial exportador a recuperar.

 

 

Localização geográfica: África Oriental, entre o Uganda (oeste) e a Somália (este), a Tanzânia (sul) e a Etiópia e o Sudão do Sul (norte) e com costa marítima para o Índico (sudeste).

Capital: Nairobi

Território: 569.140 Km2 (área terrestre)

População: 54,685 milhões (WFB, est.2021)

Língua: Inglês e Kiswahili (oficiais;) línguas maternas de acordo com o grupo étnico

Moeda: Xelim queniano (KES)

Ranking Doing Business Report 2020: 56/190 (sem alterações)

Global Competitiveness Index 2019: 95/141 (-2 posições)

Index of Economic Freedom – Heritage 2021: 28/180 (-0,4 pontos)

PIB, taxa crescimento real 2021: 7,56% (est. abr 2021, FMI) 

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.