Peru

peru

Peru, a "estrela em ascenção"

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre estes mercados que lhe permite ter uma visão geral sobre este mercado e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.

 

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera o Peru uma “estrela em ascensão”. Vejamos alguns factos (que não exclusivamente macroeconómicos) que nos permitem perceber porquê:

  • São duas décadas de crescimento ininterrupto a uma média superior a 4,6% ao ano (1999-2019);
  • Segundo maior crescimento em toda a América do Sul ao longo dos últimos dez (4,5%);
  • Fluxos crescentes de investimento estrangeiro dirigidos ao país – e que, de acordo com World Investment Report de 2020 da UNCTAD, terão passado dos USD 6,5 mil milhões em 2018, para USD 8,9 mil milhões em 2019, significando isto uma subida de 37%. Trata-se do 4º maior recetor de IDE na região, depois do Brasil, Colômbia e Chile;
  • Taxas de inflação controladas e estabilidade das taxas de câmbio;
  • 4ª economia mais competitiva da região (2019);
  • Um posicionamento estratégico na costa oeste do continente sul-americano que, aliado ao porto marítimo de Callao (o 2º principal porto no índice de conectividade de transporte marítimo regular da UNCTAD para toda a região da América Latina e Caraíbas), permite que o país se venha afirmando como hub para a região este do Pacífico e ponte entre os mercados da América do Sul, da Ásia e dos EUA (situação que tenderá a consolidar-se com a ampliação do referido porto prevista para os próximos 2 anos e nove meses);
  • Crescente abertura ao comércio externo;
  • Vasta riqueza em recursos naturais com potencial de exploração económica - cobre, ferro, chumbo, zinco, estanho, bismuto, fosfatos, manganês, ouro e prata (ocupando lugares cimeiros nos rankings de produção de muitos destes minerais), petróleo, recursos piscatórios e hídricos etc…
Estes são alguns dos trunfos que o Peru apresenta e que têm ajudado a colocar o país na rota dos negócios e do investimento internacional. Reformas estruturais implementadas desde o virar do milénio e políticas macroeconómicas prudentes ajudaram a construir este quadro e a melhorar o ambiente de negócios do país desde então. De notar, a boa gestão que vem sendo feita da dívida pública e a redução da dívida externa.

Francisco-SagastiA estabilidade política que vinha marcando a história mais recente do Peru – outro dos fatores centrais para a trajetória positiva que o país vinha traçando - parece ter conhecido um revés com a crise que assolou o país em 2017, na sequência do escândalo de corrupção em torno da construtora brasileira Odebrecht e da operação Lava Jato. Um megaprocesso que se estendeu a vários países vizinhos, entre eles o Peru, levando ao levantamento de dois processos de impeachment ao então presidente Pedro Kuczynski, que acabaria por renunciar ao cargo em março de 2018. Desde então, o país tem vivido episódios de alguma turbulência governativa, com o afastamento de uns e/ou renúncia ao cargo de outros que, entretanto, se foram sucedendo na presidência. Desde novembro de 2020 que Francisco Sagasti comanda interinamente os destinos do Peru, até que sejam conhecidos os resultados da segunda volta das eleições presidenciais, previstas para junho deste ano. Sublinhe-se, no entanto, que ao longo de toda esta crise política o país continuou a crescer, ainda que a um menor ritmo, evidenciando o caráter sustentável e a resiliência da sua economia.

O último ano foi especialmente penoso para o Peru que, a braços com a crise política descrita, se viu confrontado com a mais grave crise sanitária da sua história em virtude da pandemia de Covid-19, cujas consequências económicas foram particularmente severas. A trajetória de mais de 20 anos de crescimento foi interrompida, com o PIB a registar um crescimento negativo de -11,1% e o desemprego disparou dos 6,5% em janeiro de 2020 para perto dos 16,5% em julho desse ano (encontrando-se nos 15,3%, abril 2021).

Mas as expectativas são otimistas, prevendo-se uma recuperação robusta já para este ano. O último Outlook do FMI (abril) avança uma estimativa de crescimento de 8,5% até ao final do ano, muito acima dos 4,3% previstos para a região e dos 3,7% estimados para o gigante económico brasileiro. Mais ainda, estima-se que o Peru seja a segunda economia que mais deverá crescer nos próximos cinco anos (4%) e poderia, até mesmo, ser a primeira, não fosse o momento excecional que a Guiana atravessa, em virtude do início da exploração petrolífera no país em 2019 e que exponenciou sobremaneira o crescimento desta pequena economia.

Um PIB avaliado em USD 203,772 mil milhões (2020), coloca o Peru no 6º lugar entre as doze economias da América do Sul, o que poderá ser interpretado como um indicativo de que o país está aquém do seu verdadeiro potencial. Mas, tal como em edições anteriores, voltamos a sublinhar que “parecem estar reunidas todas as condições para que o Peru continue a sua rota de crescimento e afirmação, enquanto uma das economias de maior potencial e centro económico e comercial privilegiado da América do Sul.”

 

 

Caracterizado por um forte aumento da procura interna ao longo dos últimos anos, este mercado de mais de 32 milhões de consumidores – o 4º maior da América do Sul –, tem beneficiado de uma política de contínua abertura comercial, integrando, atualmente, importantes blocos regionais como o Mercosul, a Comunidade Andina, a ALADI, a SELA, a ALCA e a Aliança do Pacífico.

Esta última, onde também se encontram o México, a Colômbia e o Chile, é considerada por muitos, a organização de comércio mais dinâmica e eficaz na região, com alto potencial e projeção de negócios, representando um mercado de aproximadamente 225 milhões de consumidores, com um pib/per capita médio de USD 18.000. Uma organização da qual Portugal faz parte enquanto membro-observador desde 2013, um estatuto conseguido em larga medida devido ao apoio do Peru, no quadro de um crescente estreitamento das relações diplomáticas (políticas e económicas) e comerciais com o país. Relações também potenciadas pelo Acordo de Livre Comércio EU-Peru, em vigor há 8 anos, assim como pela convenção para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Imposto, sobre o rendimento, que vigora desde 2014.

Tem-se, por isso, desenhado um novo quadro regulatório, encorajador dos negócios com e investimento no país, ao qual as empresas portuguesas devem estar atentas.

A maioria dos sectores económicos estão abertos à iniciativa privada e entre as áreas de maior potencial de crescimento estão o sector da exploração dos recursos naturais, com especial destaque para as energias renováveis, o sector financeiro, as telecomunicações (bens e serviços) e tecnologias que, juntos, são o grande pilar do sector dos serviços. No último caso, é notória a procura peruana por parcerias internacionais potenciadoras de mais negócios.

O sector das obras públicas continua a apresentar grande potencial, especialmente tratando-se de infraestruturas de transporte, terminais portuários e de carga. Que o diga a empresa portuguesa a quem foi recentemente entregue a ampliação do porto de Callau (desenho e construção), numa obra orçada em mais de 165 milhões de euros que se espera estar concluída em menos de três anos. Há igualmente fortes lacunas em infraestruturas do ambiente (saneamento, ETARs etc.) da saúde e da educação, entre tantas outras necessárias à continuação do desenvolvimento da economia do país.

Agricultura e agroindústria são outros setores nos quais o Peru tem vindo a apostar assim como no desenvolvimento do seu potencial hídrico.

Olhando a estrutura das importações peruanas em 2020, poderá haver potencial de negócio para as empresas portuguesas com capacidade de produção e/ou exportação no grupo das máquinas, reatores, caldeiras, aparelhos e instrumentos mecânicos, aparelhos e materiais elétricos, aparelhos de gravação ou de reprodução de som, combustíveis e óleos minerais, veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, plásticos e artigos derivados, produtos que no seu conjunto perfizeram mais de 45% do total das compras do país ao exterior.

Mas se há oportunidades, há também riscos a considerar. Desde logo, os resultantes dos fatores internos que estiveram na base do crescimento económico mais modesto dos últimos 5-6 anos e que importará acompanhar: vulnerabilidade da economia aos preços das commodities nos mercados internacionais; a elevada dependência do setor primário em matéria de exportações; a desaceleração do investimento público e um mais baixo crescimento do consumo interno.

Os níveis de corrupção no país são ainda considerados elevados – como atestado pelos episódios mais recentes que levaram ao afastamento de altos governantes – prejudicando o ambiente de negócios.

Há também vulnerabilidades a desastres naturais a considerar. Mas atualmente, na ótica do investidor, talvez os maiores riscos surjam da incerteza quanto ao futuro político do Peru. A segunda volta das eleições presidenciais, agendada para junho, colocará frente-a-frente a candidata Keiko Fujimori, e Pedro Castillo, representante da esquerda radical, ambos, com agendas económicas substancialmente diferentes. No caso do segundo, a reforma constitucional anunciada, as ameaças dirigidas à mais alta instância judicial e ao Congresso fazem temer reviravoltas institucionais. Por outro lado, o seu discurso de pendor nacionalizante/estatizante dirigido a parte do tecido empresarial são motivo de desconfiança por parte dos investidores. Adivinha-se um reforço do papel do estado na economia, especialmente em setores como mineração, óleo, hidroelétricas e comunicações, e os mercados já começaram a reagir.

 

 

Com oscilações, umas vezes mais, outras vezes menos significativas, alternando entre anos de crescimento e outros de contração, a última década salda-se, no final, numa aproximação entre Portugal e o Peru, com os fluxos comerciais a registarem um crescimento ligeiramente superior a 23% de 2010 para 2020 (a uma taxa média anual de 3,1%), ano em que o comércio bilateral com o país terá ultrapassado os EUR 52,6 milhões de euros (previsões). Valores que se tornam mais expressivos se, atendendo à excecionalidade do último ano - caracterizado por uma contração generalizada das trocas a nível mundial à qual Portugal não escapou e que, no caso do comércio com o Peru se traduziu numa quebra de 24,7% –, analisarmos a evolução somente até 2019.

Neste cenário, o estreitamento das trocas é ainda mais evidente e consubstancia-se num crescimento de quase 64%. Encorajador!

Mais ainda, uma década de relações comerciais em que, no cômputo geral, apesar de alguns anos com saldos comerciais negativos para o nosso país, as exportações parecem demonstrar maior dinamismo do que as importações, aumentando 70,5% de 2010 para 2020, face a um crescimento negativo de -7,8% das importações entre os mesmos anos considerados.

Poder-se-á argumentar que o valor registado do lado das importações se deveu, sobretudo, à queda acentuada verificada no último ano em virtude da conjuntura pandémica (-40,9% face ao ano anterior). Ainda assim, e uma vez mais retirando o último ano da equação, considerando apenas os fluxos comerciais em contexto pré-pandemia (até 2019), as exportações continuam a registar um crescimento superior (75,8%) ao das importações (56%). Encorajador também.

Igualmente encorajador, são os dados de 2020. Ainda que em ano de contração, esta foi significativamente mais acentuada do lado das importações do que das exportações: os suprarreferidos -40,9% contra -3%, respetivamente, evidenciado a maior resiliência destas face àquelas. De notar, também, que foram EUR 29 milhões em exportações contra quase EUR 23,6 milhões em importações, o que significou um saldo comercial positivo, invertendo-se a tendência registada nos dois anos anteriores.

Finalmente, e talvez o mais encorajador dos sinais, é o crescimento do número de empresas portuguesas a exportar para o mercado peruano, que de 93 em 2010 passou para quase 300 em 2019 (último ano para o qual temos dados disponíveis), representando isto um espetacular aumento de mais de 221%. O potencial exportador está lá, e as nossas empresas parecem estar atentas.

Mas a posição que o Peru ocupa entre os nossos parceiros comerciais – 73º cliente e 76º fornecedor em 2020 – é revelador do quanto ainda há a fazer para reforçar o relacionamento comercial com este mercado da América do Sul.

A estrutura das nossas exportações com destino ao Peru tem conhecido poucas alterações, com as máquinas e aparelhos tendencialmente a liderarem os grupos de produtos mais exportados. O último ano parece não ter sido exceção (a julgar pelos dados de jan-jul) e as máquinas e os aparelhos representaram 20,8% do total das nossas vendas ao país nos primeiros sete meses do ano. Seguiram-se os produtos químicos (16%), as pastas celulósicas e papel (14,3%), os metais comuns (13,6%) e a madeira e a cortiça (7,8%). Este último grupo é a grande novidade face a 2019, tendo registado um aumento de quase 67% - com especial destaque para as exportações de lenha, serradura e desperdícios de madeira que subiram mais de 265% - o que lhe permitiu subir ao top 5 dos produtos mais exportados, em detrimento das exportações de produtos alimentares que desceram no ranking.

Outros nichos a explorar aparentam ser os geradores de gás de ar/água e outros geradores semelhantes, cujas exportações aumentaram 323%, os plásticos e borrachas (+31%) e os veículos e outros materiais de transporte, recuperando a predominância que tiveram no passado.

 

 

Localização geográfica: América do Sul, fazendo fronteira com o Equador e a Colômbia (Norte), o Brasil (Este), a Bolívia (Sudeste) e o Chile (Sul) e com uma longa fronteira marítima (Oeste) com o Oceano Pacífico

Capital: Lima

Território: 1.279.996 Km2 (área terrestre)

População: 32,2 milhões (est.2021)

Língua: Castelhano (80% da pop.), Quechua e Aymara (também línguas oficiais)

Moeda: Novo Sol do Peru (PEN)

Ranking Doing Business Report 2020: 76/190 (-8 posições)

Global Competitiveness Index 2019: 65/141 (-2 posições)

Index of Economic Freedom – Heritage 2021: 50/180 (-0,2 pontos)

PIB, taxa crescimento real 2021: 8,5% (est. FMI)

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.