Roménia

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Roménia, um mercado em desenvolvimento e afirmação no contexto europeu

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre o mercado Romeno que lhe permitem ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.

 

Trocas comerciais (de bens) estimadas em quase 700 milhões de euros, fizeram da Roménia o nosso 28º parceiro comercial em 2019. Uma posição bastante modesta e muito aquém do potencial deste país entre os nossos parceiros comerciais.

Durante grande parte da segunda metade do séc. XX sob domínio político e económico da ex-U.R.S.S., fechada aos mecanismos da economia de mercado, a Roménia colheu, à semelhança dos demais antigos satélites soviéticos, o cunho de “país de Leste” – uma designação que deixou marcas e de cujas implicações o país talvez ainda não tenha conseguido libertar-se inteiramente. Parceiro comunitário desde 2007, a Roménia permanece para muitos um mercado distante, desconhecido, ao qual facilmente se associa uma imagem que, em rigor, terá muito mais a ver com o passado, do que com a realidade actual do país em termos políticos, económicos e comerciais. É por isso importante desmistificar um mercado que hoje apresenta um potencial significativo para muitas empresas portuguesas.

Procurando fugir a uma herança histórica pesada, a Roménia tem vindo a apostar na consolidação de um regime democrático, no crescimento da sua economia, tornando-a cada vez mais aberta e atractiva ao investimento internacional e na potenciação dos seus recursos humanos.

Os anos que antecederam a integração do país na União Europeia (UE) foram de profundas reformas estruturais, de estabilização macroeconómica, numa primeira fase, seguida por anos de crescimento significativo, em muitos casos bastante superior ao de outros parceiros europeus, chegando a atingir taxas de crescimento entre os 7% e os 10,4%. Mas a transição do país para uma economia livre e de mercado era recente, persistiam fragilidades, e a Roménia ressentiu-se da crise mundial que eclodiu em 2009, passando por dois anos de recessão. Mas a recuperação foi rápida e nos últimos cinco anos (2013-2019) o país cresceu a uma média de anual de 4,9%.

O contexto de pandemia que marca o primeiro semestre de 2020 levou a uma expectável revisão das previsões de crescimento. Com o abrandamento, ou mesmo estagnação, de grandes segmentos da economia europeia, com a interrupção das cadeias de abastecimento e perante a alteração nos padrões de comércio, o risco de recessão (-5%) é real e o desemprego deverá aumentar significativamente (10%) já este ano.

No entanto, as previsões mais recentes apontam para uma retoma de 3,9% já em 2021, o que atesta o vigor e o potencial de crescimento desta economia.

A modernização do tecido económico foi outra das grandes apostas da Roménia ao longo dos últimos anos, com reflexos muito positivos em todo o sector tecnológico, principalmente aplicado à indústria automóvel e às tecnologias da informação e comunicação. O aumento dos fluxos de investimento estrangeiro no país foi essencial para esta trajectória, igualmente suportada por um maior dinamismo da procura interna que, entre 2000 e 2008 cresceu a uma taxa média anual de 9%, contra -2,7% na década antecedente. A diminuição do desemprego, o aumento do poder de compra e do consumo privado estiveram na base desta evolução.

Uma melhoria expressiva do ambiente de negócios é outra das características deste mercado, merecendo especial destaque a implementação de reformas económicas e fiscais, os esforços encetados visando a diminuição dos níveis de corrupção (embora a máquina burocrática seja ainda bastante pesada) e o aumento dos índices de competitividade. A subida da Roménia ao longo da última década nos mais importantes rankings mundiais em matéria de economia, competitividade, investimento e comércio assim o atesta.

Trata-se, pois, de um mercado em claro desenvolvimento e afirmação no contexto europeu, naturalmente com as vicissitudes políticas que todos os países conhecem, com vulnerabilidades e riscos que persistem, desde logo os decorrentes da conjuntura geopolítica à qual o país não pode fugir, fortemente ditada pelos interesses de Moscovo, não necessariamente alinhados com os da UE.

 

Segundo maior mercado da Europa de Leste, apenas ultrapassado pela Polónia, a Roménia é cada vez mais vista por empresários e investidores como o novo “El-Dorado” no Leste europeu.

A trajectória de crescimento que tem vindo a ser traçada deste a adesão do país à União Europeia em 2007, a melhoria no ambiente de negócios, os esforços de modernização da economia e uma mão-de-obra a custos comparativamente mais baixos do que a maioria dos restantes mercados europeus, são alguns dos factores por detrás do aumento progressivo do investimento estrangeiro no país em sectores promissores como a energia, a agricultura, a indústria automóvel e o imobiliário.

As suas reservas de carvão, petróleo, gás e urânio têm permitido ao país gozar de uma relativa independência energética face ao “gigante russo”, esperando-se que as autoridades romenas procurem capitalizar esta vantagem, continuando a desenvolver o sector energético nacional, paralelamente apostando cada vez na produção de energia a partir de fontes renováveis.

A agricultura, que representa pouco mais de 4% do PIB e emprega 22% da população, está maioritariamente centrada em torno dos cereais, da beterraba sacarina e da batata. No entanto, os níveis de produção são baixos, principalmente quando comparados com o verdadeiro potencial do país. Mais de 1/3 da terra é arável, porém ele fortemente subvalorizado. Este tem sido, por isso, outros dos sectores-alvo do investimento estrangeiro no país. Igualmente promissor é o sector/indústria da madeira, em forte desenvolvimento, com cerca de 25% do território coberto por florestas.

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A indústria é historicamente a espinha dorsal da economia romena, principalmente a indústria pesada, aqui se destacando a metalurgia e o aço, matérias centrais para alimentar a produção automóvel (veículos, suas partes e componentes), o sector da construção, a indústria têxtil etc.

Ainda na vertente industrial, outros sectores estratégicos com elevado potencial são as TICs, a indústria aeroespacial e a bio-indústria.

No sector dos serviços, é o turismo que tem liderado as oportunidades de negócio, com o enorme potencial que o país apresenta também no plano do desenvolvimento e construção de estruturas de apoio ao sector: imobiliário, arquitectura, design, restauração, serviços de lazer etc.

Mas para uma decisão de investimento informada é necessário equacionar os riscos associados, e aqui, o envelhecimento da população, os fluxos crescentes de emigração de mão-de-obra qualificada, os elevados níveis de evasão fiscal, as lacunas estruturais no sistema de saúde e uma possível flexibilização agressiva das políticas fiscais são factores que, a longo prazo, podem comprometer a estabilidade da economia romena, constituindo as suas maiores vulnerabilidades.

Mais ainda, apesar do progresso registado ao longo das últimas décadas, a Roménia permanece um dos países mais pobres da Europa, com 32,5% da sua população em risco de pobreza (Eurostat). O desemprego vem registando uma tendência de diminuição – tendo atingido, em 2019, o valor mais baixo em quase três décadas (3,9%) – mas o sector informal da economia continua a ser bastante expressivo.

O actual contexto político justifica algum cuidado na análise a este mercado – com eleições previstas para o final deste ano –, assim como o posicionamento da Roménia numa zona de intercepção de interesses estratégicos europeus e russos, frequentemente concorrentes, senão mesmo antagónicos.

 

Apesar da posição tradicionalmente não muito significativa da Roménia entre os nossos parceiros comerciais, as trocas com o país têm vindo a intensificar-se nos anos mais recentes, registando-se uma taxa de crescimento do valor das mesmas na ordem dos 68% de 2015 para 2019.

romenia-portugalAnimadora no quadro da aproximação entre os dois mercados, esta evolução tem sido, porém, maioritariamente sustentada pelo aumento das nossas importações, que registaram um crescimento superior a 90% entre os anos considerados, contra um aumento de apenas 57% do lado das exportações. Aquelas totalizando (no último ano) 251,4 milhares de euros, estas 446,9 milhares de euros. O saldo da balança comercial foi, por isso, positivo, à semelhança de anos anteriores.

Importará perceber se esta tendência para uma balança comercial superavitária para Portugal se deverá manter, uma vez que o ritmo médio de crescimento das importações é também superior aos das exportações: 19,7% vs. 12,8%, respectivamente (TMCA 2015-2019). Nesta mesma linha se entende a subida mais expressiva da Roménia no ranking dos nossos fornecedores, ocupando, em 2019, o 33º lugar, o que significou uma subida de 9 posições face a 2015, contra uma subida de apenas 3 posições no ranking de clientes, onde se posiciona no 19º lugar. De qualquer modo, a Roménia mantem-se, por ora, inquestionavelmente mais relevante como nosso cliente, com uma cota de 0,75% das nossas exportações, do que como nosso fornecedor, com uma cota de 0,31% das nossas importações.

Mercado durante largas décadas fechado ao comércio internacional, o aumento da procura interna nos anos mais recentes impulsionou fortemente a procura por bens importados, daqui resultando inúmeras oportunidades de negócio para fornecedores estrangeiros. No caso das empresas portuguesas, este quadro tem-se traduzido num aumento no número das exportadoras para o país, e que actualmente já ultrapassam as 900.

No último ano, as nossas exportações para a Roménia foram lideradas pelas máquinas e aparelhos (28,3%), veículos e outros materiais de transporte (27,3%), matérias têxteis (11%), plásticos e borrachas (9,8%) e, embora a uma maior distância, os instrumentos de óptica e precisão (2,7%), fruto de um crescimento em mais de 437% das exportações do sector face a 2018. As vendas de combustíveis minerais, minerais e minérios, produtos alimentares, e peles e couros denotam igualmente especial potencial exportador.

A cada vez maior abertura da Roménia ao exterior e a sua integração no quadro do comércio internacional tem também levado a uma alteração nos padrões de consumo no país, registando-se uma apetência crescente por produtos electrónicos, material informático e outro de pendor tecnológico, áreas onde são hoje muitas as empresas portuguesas com capacidade de produção e exportação, encontrando-se aqui mais um nicho de oportunidade de negócios que não deve ser descurado.

 

Localização geográfica: Leste europeu, fazendo fronteira com a Bulgária (Sul), a Ucrânia (Norte), a Moldávia (Nordeste), a Hungria e a Sérvia (Oeste) e banhada pelo Mar Negro a Este.

Capital: Bucareste

Território: 229. 891 Km2 (área terrestre)

População: 21,3 milhões (est.2020)

Língua: Romeno (língua oficial)

Moeda: Leu (RON)

Ranking Doing Business Report 2020: 55/190 (- 3 posições)

Global Competitiveness Index 2019: 51/141 (+ 1 posição)

Index of Economic Freedom-Heritage 2020: 38/180 (+ 1,1 pontos)

PIB taxa de crescimento real (FMI, Abr): -5% (2020) e 3,9% (2021)

 

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.