Azerbaijão

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Venha conhecer um dos mercados com maior projecção de desenvolvimento na Eurásia

Neste artigo tem acesso a informação diversificada sobre o mercado do Azerbaijão que lhe permitem ter uma visão geral sobre esta geografia e conhecer as relações que tem mantido com Portugal.

 

Antiga república soviética, o Azerbaijão tem vindo a redefinir-se ao longo das duas últimas décadas, fazendo uso dos vastos recursos naturais de que dispõe – nomeadamente, petróleo, gás natural, carvão, cobre, zinco e chumbo – e aproveitando a sua posição estratégica no centro de importantes rotas de petróleo que ligam o Mar Cáspio à Europa, para se afirmar como um actor de relevo na região, principalmente no quadro do xadrez energético regional.

Os recursos energéticos têm sido, com efeito, a pedra de toque no crescimento e desenvolvimento do Azerbaijão, atraindo ao país fluxos cada vez maiores de investimento estrangeiro. O sector foi o principal motor do rápido crescimento verificado principalmente a partir do início dos anos 2000, com uma média anual de incremento do PIB de quase 15% nessa década, tendo mesmo em alguns anos atingido valores de crescimento entre os 25% e os 34%. Uma trajectória impressionante de crescimento, até que a quebra generalizada do preço do petróleo nos mercados internacionais, sentida a partir de 2014, provocou uma forte desaceleração. O ano de 2016 foi mesmo de recessão económica, com o PIB a registar um crescimento negativo de -3,1%.

Desde então, estão em curso esforços para implementar reformas financeiras, fiscais (algumas com incidência no sistema alfandegário), económicas e institucionais, tendo em vista estabilizar e relançar a economia - com enfâse no desenvolvimento dos sectores não-petrolíferos - e melhorar o ambiente de negócios no país.

Os resultados começam a surgir. Com um PIB de USD 46,94 mil milhões, o ano de 2018 foi de ligeira retoma – com um crescimento de 0,1% –, que se estima ter sido ainda mais expressiva em 2019 (+2,7%). Uma recuperação também impulsionada pela relativa subida do preço do petróleo a nível mundial, pela estabilização da moeda nacional, aumento do investimento público, e pela recuperação (ainda que modesta) da procura interna.

As reformas implementadas repercutem-se também no ambiente de negócios no país. Registam-se melhorias significativas em matéria de protecção dos investidores, facilidade na abertura de empresas e registo de propriedade, melhorias nos mecanismos e procedimentos para obtenção de crédito, entre vários outros indicadores geralmente considerados em análises desta natureza. Estabilidade política e social, um elevado nível de produtividade e baixos custos de mão-de-obra, são outros factores que concorrem para a atractividade deste mercado, ainda pouco conhecido pelas empresas portuguesas.

Olhando além dos actuais condicionalismos de natureza conjuntural, menos propícios a um crescimento expressivo da economia e comércio internacional e que não deixarão de afectar, em maior ou menor grau, as diferentes economias nacionais, o Outlook do país apresenta sinais positivos. Ainda que com revisões em baixa, a economia deverá continuar a crescer. A médio e longo prazo, espera-se um aumento das exportações de gás natural, o qual deverá impulsionar um crescimento mais robusto, alimentado também pela produção dos sectores não-energéticos. Estes últimos, animados pela procura doméstica à medida que continuem a verificar-se melhorias/aumentos no plano do investimento, nos salários reais e no crédito à economia.

 

Depois de anos consecutivos de um expressivo crescimento económico, a crise nos mercados petrolíferos internacionais, iniciada em 2014, veio expor a maior vulnerabilidade da economia do Azerbaijão: a sua excessiva dependência do petróleo. Face a esta realidade e aos custos que então se fizeram sentir, e dos quais a economia do país ainda não recuperou, foram postos em curso planos ambiciosos de relançamento, reestruturação e diversificação da economia.

petroeoO sector energético, com especial enfoque no petróleo e gás natural, deverá permanecer um pilar importante da estrutura produtiva do país, principalmente num contexto em que a Europa procura diminuir a sua dependência energética face à Rússia, procurando alternativas de fornecimento e distribuição - com o Azerbeijão (por força dos seus recursos energéticos e posicionamento geoestratégico) a surgir como alternativa privilegiada. O sector deverá por isso continuar a desenvolver-se, surgindo até oportunidades de negócio ao nível da construção e expansão de infraestruturas de apoio às actividades de prospecção, extracção, produção e distribuição.

No entanto, é objectivo do governo desenvolver outros sectores económicos – ajudando também à diversificação da estrutura exportadora do país – e aqui deverá ser dada atenção especial aos planos concebidos para os sectores industrial e da agricultura.

Considerado um dos mais dinâmicos de toda a economia, o sector financeiro tem apresentado um importante desenvolvimento ao longo dos últimos anos, com um crescimento notável nas áreas da banca, dos seguros e do leasing. Não obstante, comparado com países vizinhos, ainda é um sector pouco desenvolvido e com uma margem significativa de crescimento.

Têm também sido envidados esforços de atracção de investimento estrangeiro para as áreas da educação – onde se verificam ainda muitas lacunas tanto ao nível dos serviços, como das infraestruturas – das telecomunicações, IT e do turismo, podendo aqui encontrar-se outras oportunidades a explorar.

Com apenas duas décadas de independência face ao domínio soviético, o Azerbaijão é um país onde muito está por construir e/ou modernizar. Construção, arquitectura e design – tanto na vertente do produto como na dos serviços (consultoria, gestão de projecto etc.) – surgem, por isso, como outras áreas de destaque.

Finalmente, o Azerbaijão é um mercado crescente de bens de consumo e são já muitas as marcas internacionais com presença no país, quer por via do franchise, quer por intermédio de grupos locais que operam no retalho. Mas existem dois mercados distintos a considerar: o mercado dos produtos de luxo, onde já se faz sentir uma forte concorrência por parte de grandes marcas internacionais, e o mercado de gama média, destinado a uma classe média em crescimento. Embora com diferentes exigências ao nível das estratégias de entrada, investimento, esforço financeiro etc. existem em qualquer um dos segmentos oportunidades para as empresas estrangeiras interessadas em entrar no mercado do Azerbaijão.

 

Com um volume total de trocas de quase 740 milhões de euros, em 2018 o Azerbaijão posicionou-se como o 25º mais importante parceiro comercial de Portugal.

Daquele valor, aproximadamente de 737 milhões (99,6%) corresponderam a importações, face a apenas 2,6 milhões em exportações. Esta enorme discrepância tem sido uma das características do comércio bilateral entre os dois países, com o Azerbaijão historicamente a assumir um papel muito mais relevante no comércio internacional português como fornecedor do que como cliente: 16º vs 144º lugar, respectivamente (2018).

Neste mesmo quadro, a evolução das relações comerciais com país - as quais registaram, ao longo dos últimos anos (de 2012 para 2018), um aumento de quase 48% - tem vindo a depender maioritariamente da performance das importações. Mesmo com alguns períodos de especial dinamismo das exportações, como foram os anos de 2014, 2015 ou 2017 - com aumentos entre os 58% e os 86% -, as nossas compras ao Azerbaijão tendem a ser muito superiores às vendas. A TCMA das exportações no período considerado (2012-2018) pode até ser superior à das importações: 19% vs 8,5%. Mas esta diferença deve ser interpretada com cautela, devendo-se muito mais a picos esporádicos de exportações que, embora atingindo valores muito significativos, não se têm revelado sustentáveis no tempo. O aumento em mais de 48% das importações do ano de 2012 para 2018, face a um crescimento negativo de -2,8% das exportações, evidencia a maior relevância das primeiras face às segundas.

Desta evolução das trocas resulta também uma balança comercial tradicionalmente deficitária para Portugal. Com apenas 2,2 milhões de euros em exportações e quase 548 milhões em importações, os dados disponíveis relativos a 2019 (Jan-Set) vêm reforçar esta tendência.

É ainda pouco expressivo o número de empresas que exportam para o Azerbaijão. Ainda assim, tem vindo a registar-se uma tendência de crescimento (56 em 2012; 83 em 2018) que deve ser apoiada perante o potencial que este mercado não tradicional para as empresas portuguesas ainda assim apresenta. Um importante passo neste sentido, terá sido o Acordo sobre Cooperação Económica entre Portugal e o Azerbaijão, em vigor desde Maio de 2017.

Nos primeiros nove meses de 2019, as exportações nacionais com destino ao mercado do Azerbaijão foram lideradas pela madeira e cortiça (21,6%), máquinas e aparelhos (16,5%), produtos agrícolas (15%), químicos (11,4%) e pelas vendas de vestuário (7,6%), que registaram um espetacular aumento de 520% face a igual período de 2018, encontrando-se aqui um enorme potencial exportador que deve ser desenvolvido pelas empresas que operam no sector. Mas no quadro das oportunidades apresentadas por este mercado, devem ainda ser considerados produtos como as matérias têxteis, as pastas celulósicas e papel, os metais comuns, ou até mesmo os produtos alimentares e os minerais e minérios, outrora tão importantes na relação comercial com o país e cujo potencial exportador poderá ser recuperado.

 

Localização geográfica: território descontinuo na região de transição entre a Europa e a Ásia Central. Limitado a Este pelo Mar Cáspio, a Norte pela Rússia, a Noroeste pela Geórgia, a Oeste pela Arménia e a Sul pelo Irão. Parte mais a oeste do território com fronteira com a Turquia.

Capital: Baku

Território: 82.629 Km2 (área terrestre)

População: 10,206 milhões (est.2020)

Língua: Azeri (oficial). Russo e Arménio falado por alguns grupos.

Moeda: Manat azeri (AZN)

Ranking Doing Business Report 2020: 34/190 (- 9 posições)

Global Competitiveness Index 2019: 58/141 (+ 11 posições)

Index of Economic Freedom-Heritage 2019: 44/180 (+ 3,9 pontos)

PIB taxa de crescimento real: 2,1% (est. 2020, FMI)

A CCIP coloca à sua disposição três formas de abordar o mercado:

Peça a sua proposta através dos contactos internacional@ccip.pt | +351 213 224 067

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

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